O arranque da Prova Final que vai fechar a época da AFA está agendado para o dia 2 de maio.

Já estão definidos os calendários para as/a prova final criada pela Associação de Futebol de Aveiro para o campeonato SABSEG, ou seja, 1ª Divisão Distrital e a 2ª Divisão Distrital. As competições, de participação facultativa, contam com 45 clubes a nível nacional. Dos 5 clubes arouquenses que participam nestas divisões da AFA, apenas a União Desportiva de Fermêdo não iá participar na prova final. Esta prova vai definir as equipas que serão promovidas nos diferentes campeonatos distritais de futebol e também as duas que irão disputar a Taça de Portugal em 2021/2022.

Desta forma, as equipas que decidiram ir a jogo nas provas finais foram distribuídas por 4 potes de acordo com a pontuação obtida até ao cancelamento dos campeonatos, decisão tomada em fevereiro. Os campeonatos já tinham sido cancelados em novembro de 2020.

A jornada inaugural (fase de grupos A,B,C e D) da competição está marcada para o dia 2 de maio, e prolonga-se, ao longo de seis jornadas, até 6 de Junho. Os clubes iniciam as provas com metade dos pontos que tinham angariado quando o campeonato foi cancelado. Na 1ª Divisão vão a jogo 14 dos 22 clubes que disputavam o campeonato, na 2ª Divisão inscreveram-se 16 dos 24 clubes. Com a conclusão do sorteio o panorama não foi, de todo, prejudicial para as equipas arouquenses.

Os quartos-de-final realizam-se no dia 13 de junho, para onde se apuram os dois primeiros classificados de cada grupo na fase inicial. Em “campo neutro”, uma semana depois, jogam-se as meias-finais. A final está marcada para 27 de Junho, assim como o encontro que irá atribuir o 3º e 4º lugar. O vencedor da prova final subirá ao escalão nacional.

No campeonato ELITE-SABSEG o GDSC Alvarenga SAD com 14 pontos, CF União de Lamas, CD Estarreja e Canedo FC completam o primeiro pote da prova final. O GDSC Alvarenga irá jogar com o Oliveira do Bairro SC, na jornada inaugural.

A UD de Mansores da 1ª Divião, com 4 pontos, está no pote 2 da Prova Final-Grupo A e o ACRD Mosteirô no pote 3-Grupo C, com 3 pontos, desta forma os primeiros irão defrontar o AD Valecambrense e os segundos vão “folgar” juntamente com o CCR Válega.

No que à 2ª divisão diz respeito o CCR Vila Viçosa, com 2 pontos, está no pote 4-Grupo D, e irá disputar a partida da 1ª jornada juntamente com o CRC Rocas também do Grupo D.

A fase de grupos de cada um destes campeonatos tem início previsto para o dia 2 de maio. As equipas defrontam-se por duas vezes, nesta fase, sendo que os dois primeiros classificados de cada série avançam para os quartos-de-final. As finais estão apontadas para 27 de junho.

As provas finais foram criadas devido ao cancelamento dos campeonatos aveirenses de futebol sénior com o propósito de, assim como explica Arménio Pinho, Presidente da AFA,“relevar o mérito até aqui demonstrado pelos clubes e decidir as referidas subidas em campo”. Desta forma se as provas finais, devido ao contexto epidemiológico, não puderem ser realizadas, será aplicado o regulamento das provas de futebol sénior, atualmente em vigor.

Tendo em atenção a preparação pela qual estas equipa estão a passar a nível de treinos, a nível económico e até logístico para conseguirem ter as condições requeridas para participarem nestas provas finais, o DD interpelou os dirigentes dos clubes por forma a compreender melhor o período de paragem destas equipas e os passos e medidas  que estão a adotar para voltar à competição.

ACRD Mosteirô

O ACRD Mosteirô fez o seu último jogo em dezembro, no entanto, começou a treinar 15 dias depois. O clube estava preparado para competir a 8 de janeiro mas as provas terminaram por essa altura. O Mosteirô participa na primeira divisão distrital de aveiro. Na altura em que as competições foram suspensas vinham de 3 jogos onde obtiveram os três resultados possíveis, o primeiro foi uma derrota, seguida de empate e vitória “fora de portas”.

Manuel Costa presidente do ACRD Mosteirô afirma que, “Como é óbvio a ACRD Mosteirô sempre cumpriu com as leis e, desde 3 de janeiro, não voltamos a retomar qualquer tipo de atividade desportiva. Contamos começar a 19 de Abril a nossa atividade, altura essa, com a devida cautela porque ainda não estamos livres desta pandemia.”, explicitando um pouco como será o regresso à normalidade da equipa.

O clube, com a participação na prova final criada pela AFA, pode aspirar, com os seus 3 pontos e menos um jogo disputado, a uma manutenção na 1º divisão ou subida ao campeonato Sabseg (podem subir 2 equipas, não havendo descidas). Segundo as palavras de Manuel Costa a formação do Mosteirô “quer competir e quer jogar porque somos competitivos e queremos jogar, assim como os atletas e equipe técnica”. Este frisou ainda que a equipa está toda “excitadíssima” com os jogos e que apenas querem estar juntos e treinar. A seu ver têm “um grupo fantástico de jogadores empenhados e com muito crer e fé neles próprios e no seu trabalho.”

Na forma como a pandemia afetou o clube, Manuel Costa desabafa que foi uma grande influência, porque a pandemia teve repercussões fortes. Este confessou que a equipa é totalmente nova, e que precisam que ela compita. Afirmou ainda que esta situação atrasou muito o desenvolvimento da equipa para a próxima época, e que necessitam de aproveitar a próxima competição para “crescer com olhos no futuro”.

Segundo o responsável, o clube está a crescer na vertente desportiva, de forma sustentada, mas sempre com ambição, e apenas pede para que na próxima época todos estejam bem e com saúde (direção, staff, equipa técnica e jogadores).“Pretendemos ir para a competição como vamos para os treinos e jogos com muita determinação, ambição e com vontade férrea de vencer.”

U.D Fermêdo

Das 10 equipas que a U.D Fermêdo tinha em competição a última a jogar foi a equipa sénior no dia 22 de novembro de 2020, no campo São Martinho em Castelo de Paiva. Após a paragem, e até ao momento, o clube nunca mais participou em nenhuma prova.

A U.D de Fermêdo é o único clube de Arouca, a competir nos escalões séniores da AFA, que não vai participar na prova final. Relativamente a este tema o Presidente Pedro Cirne adiantou que esta decisão “prende-se fundamentalmente com duas situações, a primeira com a queda de um muro de suporte, no início de fevereiro, com as chuvas fortes, o que impossibilita a utilização do campo, no momento. A segunda razão prende-se com a não existência de público nas bancadas o que, por sua vez, não traz as receitas necessárias para fazer face às despesas de organização e taxas cobradas pela AF Aveiro. ”Sem receita não é possível dar sustentabilidade ao clube. Principalmente por estas duas razões a direção em consonância com a equipa técnica decidiu não participar nesta Prova Final.”

Pedro Cirne pretende começar já a programar a época 21/22, com os recursos que têm. Segundo o dirigente participar nesta prova, sem público, seria, a seu ver e da restante organização, desperdiçar recursos, sem terem retorno desse investimento. Conta igualmente que a época 21/22 seja “normal”, com público na bancada, com apoios de patrocinadores e parceiros e que “esse apoio possa ter efetivo retorno também para eles”.

Acrescentou que toda a estrutura do clube e toda a comunidade estão com vontade que a pandemia passe, e que a vida possa voltar a ser o mais normal possível, a todos os níveis. “O futebol é parte integrante da vida comunitária em Fermêdo pelo que também é ansiado que recomece e com público a assistir aos jogos e treinos das nossas equipas”.

CCR VILA VIÇOSA

O último jogo que a equipa realizou foi no último domingo de 2020, onde venceram o Tarei por 1-0. Após o último jogo, continuaram a treinar até ao início de janeiro, após esta altura, e como sabemos o estado de emergência impôs-se e a paragem completa foi inevitável. O clube da 2ª divisão nos três jogos realizados contavam com 2 derrotas e uma vitória.

O jovem Presidente Hugo Amaral afirmou que relativamente à prova da AFA, vão participar, no entanto, existem algumas nuances. Isto porque, relativamente aos teste à Covid-19,”Se for o clube que tiver que suportar esses custos estamos sujeitos a ter que desistir. Quando nos inscrevemos no torneio final, não tínhamos conhecimento da obrigatoriedade dos testes à Covid 19. A orientação da DGS só saiu na semana passada”.

A equipa que vai iniciar na prova final com 2 pontos, quando o campeonato terminou tinham 3. “Em certa parte concordamos, não era fácil a AF Aveiro agradar a todas as equipas. Os campeonatos têm de terminar até ao fim de Junho, e não era fácil de organizar o modelo da prova. Vamos esperar que isto chegue ao fim, e ver se a Covid-19 não irá fazer das suas outra vez.”

Hugo Amaral confidenciou que a estão todos ansiosos para começar a competir, e caso não fosse esse o caso não se teriam inscrito na prova final da AFA, “vamos fazer tudo por tudo para passar aos quartos de final. Neste momento, já começamos a treinar, embora ainda não podemos treinar em conjunto. Só podemos treinar 4 de cada vez por causa das restrições da pandemia. Só a partir do dia 19 de Abril é que podemos treinar em conjunto.”

Quando questionado sobre para quando é que o clube iria mudar da terra batida para o sintético, o dirigente afirmou que espera que seja para breve, pois este é o grande sonho da instituição. Necessitam da ajuda das entidades competentes pois todos os anos tem sido bastante difícil convencer os jovens atletas (que nas camadas jovens estão habituados a jogar em relvados), “a virem jogar para o nosso pelado que quando chove fica um “lamaçal medonho”. Acabou por admitir que a maioria dos atletas que chegam para jogarem pelo Vila Viçosa fazem um treino e “não aparecem lá mais”, pois estão habituados a melhores condições.

A pandemia foi e tem sido, igualmente, um duro golpe pois os jogos com público eram uma receita que ajudava, “ e muito” a pagar as despesas.

“A este último ano ainda conseguimos sobreviver, tivemos que reduzir outros encargos, mas se tivermos outra época igual é muito provável que tenhamos de “fechar portas” pelo menos na parte do futebol.”

As empresas que ajudavam com patrocínios estão também em “apuros financeiros”, o que as obriga a cortarem as despesas em publicidade. “Este ano tivemos uma redução de patrocinadores rondar os 90%.”

O DD contactou igualmente a presidência do GDSC Alvarenga SAD e a UD de Mansores, no entanto, até á hora de fecho não obteve qualquer feedback pela parte dos clubes.

Texto: Ana Castro

Hugo Amaral Presidente CCR Vila Viçosa

Manuel Costa Presidente do ACRD Mosteirô