O Discurso Directo esteve à conversa com Leonel Costa, presidente do Clube Desportivo e Cultural de Macieira de Cambra, clube de Vale de Cambra, que integra a 2ª Divisão Distrital – Zona Norte e se encontra no 1º lugar da tabela classificativa. O balanço do mandato, as expetativas para a temporada, o aparecimento da Covid-19, as maiores dificuldades do clube e os objetivos para o futuro, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Há quanto tempo é presidente da direção do C.D.C. Macieira de Cambra? Que balanço faz do seu mandato?

Leonel Costa (L.C.): Este é o meu terceiro mandato, o sexto ano ao leme do C.D.C. Macieira de Cambra. E o balanço que faço é sobretudo positivo, conseguimos alcançar alguns objetivos a que nós propusemos sendo o mais importante a execução do relvado sintético que garante as melhores condições para os nossos atletas.

D.D.: Com quantos jogadores conta atualmente? Chegaram reforços?

L.C.: Entre plantel sénior e formação contamos com cerca de 150 atletas. Se nos focarmos apenas no plantel sénior temos 22 jogadores sendo que fizemos o esforço de dotar o plantel de alguns reforços importantes e cirúrgicos.

D.D.: Quais são as expectativas para esta época?

L.C.: Tendo em consideração a situação que vivemos e o panorama atual do futebol não profissional a nossa única expectativa será que esta situação passe com a maior brevidade para que possamos retomar a atividade e voltar a unir a nossa família em torno daquilo que nos faz mais felizes: o futebol.

D.D.: Qual é o ambiente que se vive entre direção, equipa técnica, jogadores e até adeptos tendo em conta a Covid-19? De que forma é que a pandemia afetou o vosso trabalho?

L.C.: A pandemia trouxe esta nova realidade, a da suspensão e afastamento da atividade normal. No entanto mantemos o contacto regular com treinadores e atletas através de meios digitais que são a forma de estarmos afastados com uma maior proximidade. Existe uma vontade comum que é regressar, voltarmos a fazer o que mais gostamos e voltarmos a receber os nossos sócios e adeptos.

D.D.: Como tem corrido o trabalho com as formações nesta altura? Têm estado ativos ou neste momento estão parados?

L.C.: Mantemos um contacto regular com os nossos atletas através do nosso Coordenador de Formação mas evidentemente que o nosso trabalho nesse campo está suspenso, resta-nos uma vontade imensa de receber os nossos meninos e meninas. Os mais novos também precisam do convívio e da atividade física regular. É bom a nível físico e mental.

D.D.: Com que apoios conta?

L.C.: Tirando o apoio Municipal a época 20/21 foi nula na questão de apoios de privados, tem sido algo complicado de gerir o projeto, confesso.

D.D.: Quais são as maiores dificuldades do clube?

L.C.: Temos sentido diversas dificuldades nos últimos anos, mas a nossa resiliência e união tem ajudado a resolver a maioria das questões que foram surgindo. Temos recebido muitas ajudas esperadas e também inesperadas no que toca à requalificação do nosso recinto e é aqui que reside a nossa maior preocupação, uma dívida referente ao relvado sintético cuja é a nossa maior meta é objetivo. Relativamente à questão operacional escusado será dizer que este isolamento e afastamento não é de todo o que queremos.

Resumindo tudo passa por pandemia e angariação de apoios financeiros.

D.D.: Quais são os objetivos para o futuro?

L.C.: O nosso maior objetivo é pagar a dívida que existe com o relvado, e a requalificação do nosso recinto desportivo para dar as melhores condições aos nossos atletas e a quem nos visita. De resto vamos com calma e a tentar fazer o melhor pela nossa instituição.

D.D.: Podemos esperar alguma alteração ao nível das infraestruturas?

L.C.: Sim, temos um plano de melhoramento que iremos cumprir com algumas ajudas e o nosso trabalho também.

A título exemplar, em 2019, a direção e alguns amigos pintámos e reabilitámos todas as bancadas.

D.D.: Como vê o atual momento do futebol distrital?

L.C.: O futebol Distrital vive, neste momento, num poço sem fundo, os clubes vivem maioritariamente de apoios e a uma grande percentagem deles foram cancelados. Acreditamos que a Associação de Futebol de Aveiro tenha de repensar uma forma de garantir apoios ou poderemos assistir à extinção de alguns clubes que valorizam o nosso escalão. É sobretudo o tempo de repensar o mecanismo para garantir alguns apoios através do mútuo apoio coletivo mas claro, o clube, individualmente, também têm de se reinventar para descobrir novas formas de garantir apoios.

O futebol Distrital é sobretudo a paixão pelo futebol e uma ode à amizade, com certeza que ultrapassaremos esta fase se nos mantivermos unidos e conscientes.

Leonel Costa