A melhor palavra para descrever o momento que os grupos musicais, empresas de áudio e luz estão a viver atualmente é “sobreviver”. Estes profissionais são invisíveis, mas sem eles não haveriam espetáculos, iluminação dos mesmos nem eventos. Parados há um ano, desde março do ano passado, estes técnicos reclamam por mais apoios de um governo que teima em não querer “ver” que a cultura e o mundo do espetáculo são as áreas mais golpeadas por este vírus que vai abatendo os postos de trabalhos, diretos e indiretos, dependentes destes eventos.

ARC Áudio aluguer de som e luz 

Raul Figueiredo, dono da empresa Arc Áudio, criada em 2013, afirma que no último ano tem experienciado uma luta constante para conseguir manter o seu negócio. O profissional de som explicou que tem-se esforçado para arranjar outras alternativas de trabalho, pois, neste momento, serviço na área do som/luz e espetáculo é quase inexistente. “O dia-a-dia é passado tentando sobreviver e pagar contas, na esperança que volte algum trabalho. Digo isto, porque penso que não voltará a ser como antes tão cedo, nem neste ano, nem talvez no próximo. A esperança é última a morrer portanto acredito que irá voltar tudo ao normal.” 

Antes da pandemia iniciar, a empresa Arc Áudio realizava cerca de 100 eventos por ano, no Inverno o número baixava ligeiramente, mas segundo Raul Figueiredo “trabalhava-se bem”. Sem pandemia as coisas estavam a crescer. Aliás, para o ano de 2020, já estavam marcados muitos eventos, só na altura de janeiro. Esperava-se um ano em grande.”

Segundo o técnico faltam os apoios do estado para as micro empresas, pois a seu ver estes estão virados para auxiliar em maior proporção as grandes firmas. 

A manutenção de atividade desta área é crítica no contexto em que estamos, e no que respeita à sua reabertura também, pois engloba sempre ajuntamento de pessoas e muito controlo. No entanto, não será altura de nos questionarmos se os eventos desenvolvidos em auditórios/cinemas e anfiteatros, com as devidas precauções, já não poderiam estar a funcionar?

Raul Figueiredo afirma que sente saudades de tudo no seu trabalho, “para quem já anda nesta área há 17 anos é muito complicado ver-se impedido de fazer o que mais gosta, porque quem trabalha nesta área tem muito gosto naquilo que faz.”

Desabafa que acalenta a esperança de voltar ao ativo assim que seja possível, porque tem investido muito dinheiro nos seus equipamentos e “estes parados não rentabilizam”. Desejou ainda força aos seus colegas de profissão “porque melhores dias virão”. Quando for possível, pediu à sociedade em geral, “que nos ajudem ao irem aos eventos, por forma a se divertirem e a permitirem que o nosso trabalho não pare”.

Grupo de animação ‘Amigos de Canelas’

O Grupo ‘Amigos de Canelas’ iniciou a sua atividade em 2009. Na altura continha menos elementos e começou por cingir-se a animações em bailes de salão. Nos tempos que se seguiram o Grupo foi-se afirmando cada vez mais, contando no momento com 5 elementos (que já participaram noutros projetos), estrutura que segundo o Grupo tem resultado muito bem. 

“Somos um grupo de música de baile popular e música tradicional portuguesa, essencialmente, embora também se junte por vezes uma ou outra música mais moderna. No entanto, o nosso estilo é mesmo música de baile “pura e dura”, reportório pelo qual toda a gente já nos conhece. Tanto podemos fazer atuações em palcos fixos como em camião palco médio.” 

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Capa do álbum do grupo de animação Amigos de Canelas