Nove meses depois de uma missiva enviada à Presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém, não se alteraram os pressupostos que na altura preocupavam a Junta da União de Freguesia de Arouca e Burgo relativamente ao estado da Pontes das Eiras, no Burgo.

A comunicação a que tivemos acesso começa por contextualizar o momento em que decorria a empreitada execução do “Percurso pedonal e ciclável do Vale de Arouca”, para depois evidenciar preocupação relativamente aos trabalhos nas imediações da Ponte das Eiras. “Esta preocupação não tem propriamente a ver com a execução da via, mas sim com o tratamento que deveria ser dado à ponte, que é património de todos nós. No nosso entender este importante projeto além de ser um excelente equipamento para a vivência de hábitos saudáveis, deverá ser também ele um veículo de preservação de todo o circuito ribeirinho e do património com o qual se confronta ao longo de todo o percurso”.

A autarquia, presidida por Ângelo Miranda, lembra que a Ponte das Eiras “é uma ponte emblemática, a qual nunca teve qualquer reabilitação ou reparação, mas sob a qual nasce o Rio Arda que ladeia quase todo o percurso da via pedonal e ciclável. Esta é composta por dois arcos em granito, e sob os quais deveriam fluir a Ribeira de Gondim e o Rio Marialva. Neste momento um dos arcos encontra-se assoreado e a água apenas corre por um dos arcos, sendo que a montante e a jusante desta ponte o rio sofreu algumas alterações fruto deste assoreamento”.

Face a este enquadramento e “tendo em conta o enorme valor patrimonial e até natural deste local”, assim como pelo seu simbolismo, a Junta solicitou uma intervenção da Câmara para a retirada de toda a terra e areia depositada sob o arco direito da ponte por onde deveria fluir a Ribeira de Gondim, assim como toda a terra e areia depositada a jusante da ponte até ao açude, apelando também que fosse feito o enrocamento da margem direita desde a ponte até à concordância do muro em granito existente, a limpeza da estrutura granítica da ponte e também à correção do leito da Ribeira de Gondim, face ao desvio verificado em virtude do assoreamento a montante da ponte.

O documento concluía a considerar que a intervenção pedida permitirá uma melhor observação da nascente do Rio Arda, a todos os utilizadores da via pedonal, tornando este um local mais aprazível e cuidado.

Passado todo este tempo não houve até ao momento qualquer correspondência ao solicitado nem a Câmara deu qualquer resposta.