A Academia Sénior de Arouca (ASARC) nasceu há 10 anos, fruto da iniciativa de alguns reformados do concelho, tais como o Prof. Bernardo, Prof. Braúlio e Prof. Zeferino. Estes sentiram a necessidade da criação de uma instituição com estas caraterísticas e, apoiados pela ADRIMAG e, mais tarde, pela Câmara Municipal de Arouca com a cedência das instalações, deram os primeiros passos e originaram esta instituição, que já se tornou indispensável para os reformados do concelho.

Neste sentido e para assinalar os 10 anos de Academia Sénior de Arouca, o Discurso Directo esteve à conversa com Carlos Sousa, presidente da instituição, onde se abordaram vários temas, entre eles o percurso da instituição ao longo destes 10 anos e o funcionamento da ASARC em tempo de Covid-19.

Discurso Directo (D.D.): Como tem sido liderar a Academia Sénior de Arouca?

Carlos Sousa (C.S.): Liderar a Academia Sénior tem sido uma atividade que muito me agrada pois reencontrei uma ocupação que me preenche os dias, encontrei novos amigos, e convivo com muita gente que foi coisa que sempre repeti ao longo da vida. Estou, melhor, estava ocupado como gosto, a desenvolver ideias e a partilhar iniciativas com os meus amigos da Direção. Sinceramente estávamos a desenvolver um trabalho que, parece-me agradava a todos, daí e por isso sentíamos o maior estímulo e a maior motivação para continuar. Liderar a Academia pelo trabalho que desenvolve junto dos mais velhos, é muito reconfortante e motivador. É uma experiência muito agradável que foi interrompida muito abruptamente, mas temos esperança que tudo se ultrapasse.

D.D.: Em tempo de pandemia, quais têm sido os maiores desafios? As instituição promove algumas atividades ou parou por completo?

C.S.: A nossa Instituição completou por estes dias um ano de portas fechadas. Foi muito difícil o encerramento, mas estava longe de adivinhar que seria por tanto tempo. Terminado o primeiro confinamento de imediato procedemos às mudanças indispensáveis nas instalações para que se procedesse ao regresso. Como tal não foi possível, aproveitamos ser associados da Rutis, uma associação de Universidades Seniores, e isso permitiu-nos disponibilizar aos alunos atividades online que decorrem praticamente todos os dias com aulas, palestras e formações. Aderiu quem se sente bem com a atividade à distância. Apesar dos novos hábitos de vida, montamos e tivemos durante os meses de Verão a exposição dos trabalhos das nossas alunas e alunos das aulas de Artes e Trabalhos Manuais que decorreu na Biblioteca Municipal. Comemoramos o dia do desporto Sénior com uma caminhada pelos arredores da Vila e Burgo. E vamos mantendo um contacto com a quase totalidade dos alunos quer pessoalmente, quer através de e-mails coletivos ou outros processos de comunicação. Nunca ficamos desligados apesar desta situação que se arrasta para todos há demasiado tempo. Não é fácil gerir esta ansiedade, mas vamos indo.

D.D.: Quais são os recursos e apoios com que a instituição conta?

C.S.: A Instituição tem o apoio principal da nossa Câmara com a cedência das instalações e algumas despesas associadas. Além disso recebemos um pequeno subsídio da Câmara e da Junta de Freguesia. Para além disso todos os associados pagam uma quota anual de valor muito reduzido e os alunos que frequentam as atividades pagam 5.00 euros por mês e podem frequentar qualquer das quatorze atividades de formação que vigoravam aquando do encerramento. O seguro individual é também de valor muito reduzido, em resumo, a intenção é que ninguém deixe de frequentar a nossa Academia e as suas atividades por uma questão económica. Nunca é tarde para aprender, e todos têm as mesmas oportunidades de se ocuparem de maneira que continuem a adquirir novos conhecimentos, os partilhem e todos se divirtam nesta fase da vida. Nunca é tarde para aprender, nunca é tarde para nos divertir-mos, nunca é tarde para se ser um pouco mais feliz. Claro que esta pandemia alterou radicalmente as receitas, pois não se cobraram mais mensalidades desde o encerramento e só graças ao equilíbrio de contas deixado pelas anteriores direções se tem mantido tudo em dia. Temos também a colaboração de várias casas comerciais e empresas da nossa terra sempre que necessitamos deles para qualquer atividade extraordinária, o que permite preços acessíveis. Os nossos Professores são também em maioria voluntários com uma disponibilidade de louvar.

D.D.: Qual é o estado de espírito dos utentes neste tempo de Covid-19?

C.S.: Todos os frequentadores da nossa Academia têm imensas saudades e transmitem isso de várias maneiras. Julgo que até alguns que não frequentavam têm saudades por não terem aproveitado. Todos anseiam pelo regresso porque sabem que a este retorno está associado o poder conviver, poder conversar, poder divertir-se, poder passear, aprender e muito mais. Está tudo cansado de solidão, de muitos receios, de olhares assustados e cumprimentos à distância. Temos tudo preparado, mas continuamos a ser os que têm maior risco daí decidirmos com o maior bom senso quando será a data da reabertura. Sabemos é que já faltou mais.

D.D.: Qual a maior preocupação da ASARC nesta altura?

C.S.: Neste momento a nossa preocupação é manter todos unidos em redor das medidas que nos penalizam, mas permitem continuar a ter uma vida o mais saudável possível. Aguardamos que o processo de vacinação continue rapidamente e todos cumpram as instruções do nosso Serviço de Saúde. Preocupamo-nos com os mais frágeis, mas vamos acompanhando à distância sempre com disponibilidade para qualquer eventualidade. Até este momento só uma das nossas alunas teve Covid-19, mas recuperou bem e festejou mais um aniversário. Temos esperança que o pior passou, mas os cuidados nunca são os suficientes.

D.D.: Quais sente que são as maiores preocupações dos seniores?

C.S.: Os Seniores tem como prioridade proteger a sua saúde e a daqueles que lhes estão próximos. Para pessoas já com muitas experiências, esta é mais uma que esperam recordar como uma má lembrança que passou nas nossas vidas.

D.D.: Quais são as expetativas para o regresso pós-pandemia?

C.S.: Após a pandemia queremos regressar para completar o que iniciamos com todo o entusiasmo, manter de novo uma Academia dinâmica com alunos satisfeitos e conseguir demonstrar que apesar das idades continuamos a ser ativos, solidários e temos ainda muita vida pela frente.

D.D.: Depois de 10 anos de funcionamento, qual o balanço da atividade da ASARC? Tem alguma atividade de comemoração preparada para quando tudo voltar ao “normal”?

C.S.: Estamos a festejar o nosso 10º aniversário. Conseguimos já muito nesta concretização de um projeto tão inovador, mas claro que falta ainda muito e só no dia a dia se conseguirão alcançar todas as nossas intenções, manter uma associação que permita aos mais velhos um envelhecimento ativo, de qualidade, e onde se alie a cultura e a sociabilidade, tudo tão importante para a saúde física e mental de todos.

Apesar de ainda distante tínhamos já preparada a festa comemorativa que teve que ser naturalmente adiada. Mantemos a intenção de logo que possível a realizar, mas o programa irá depender do que nos aguarda no futuro. Queremos que seja uma festa bonita com uma sessão solene onde agradeceremos a todos os que mais contribuíram ao longo destes anos para manter a Academia, queremos que tenha muita música no nosso melhor espaço e encerrará com um jantar onde reuniremos os associados, os familiares e todos os amigos da Academia, que fomos juntando ao longo dos anos. Neste momento ainda há muitas incertezas, mas não será data para esquecer, isso é uma certeza.

Fotos: Carlos Pinho