Portugal vive ainda uma crise sanitária decorrente da pandemia da COVID-19. Os primeiros casos só foram identificados a 2 de Março de 2020, mas um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge revela que o vírus pode ter chegado a Portugal várias semanas antes. Segundo esse estudo, terão existido potenciais introduções ainda no final de Janeiro, tendo a maioria ocorrido a partir da última semana de Fevereiro, numa “transmissão comunitária que já estava a decorrer de forma silenciosa”. Passado um ano desde esses registos oficiais, a covid-19 já matou em Portugal 16.185 pessoas dos 801.746 casos de infeção confirmados, segundo a Direcção-Geral da Saúde. Estamos a viver ainda a crise sanitária, mas com uma cada vez mais agravada crise económica e social.

Enquanto sociedade, temos de olhar em frente e fazer face aos desafios. O sucesso do plano de vacinação é fundamental para rapidamente conseguirmos atingir a imunidade de grupo. A abertura das escolas é imperiosa para mitigar os efeitos nefastos na educação das nossas crianças e jovens. O nosso tecido económico precisa, logo que seja possível, de poder voltar a laborar. Os nossos governantes têm, sem dúvida, um desafio muito grande e de uma enorme responsabilidade.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) assume, assim, uma enorme relevância. Nesse sentido, na última sessão da Assembleia Municipal (AM) de Arouca foi aprovada, por unanimidade, uma proposta do PSD Arouca para a inclusão, no referido plano, do troço da variante que liga a Ribeira (Tropeço) a Escariz (Parque de Negócios), obra estruturante para o desenvolvimento do nosso concelho, à semelhança de outras vias rodoviárias já incluídas respeitantes a municípios vizinhos, como Castelo de Paiva e Sever do Vouga. E foi com satisfação que soubemos que o executivo camarário também desenvolveu uma proposta de inclusão desta relevante obra, entre outras, no período em que o programa esteve em processo de discussão e auscultação pública, como informou a Sra. Presidente. Esperemos que a nova versão contemple as nossas justas reivindicações.

As respostas sociais aos problemas que as famílias enfrentam, decorrentes dos constrangimentos impostos pelos sucessivos decretos do estado de emergência, são um dos principais focos aos quais os municípios devem dar respostas. Recentemente, num estudo revelado pela DECO, Arouca estava classificada como tendo a 8ª água mais cara do país! Este tema deu origem a uma reunião de câmara extraordinária, a um comunicado por parte do executivo camarário e também a uma proposta apresentada à AM, proposta essa que, após discussão e pedidos de esclarecimento naquele órgão, foi aprovada por unanimidade. Para além disso, foi notícia o artigo de opinião de Margarida Belém no Diário de Notícias, intitulado “a água que nos separa”, sobre este tema que tanta revolta tem causado junto da população.

A questão da água é uma questão que une todos os arouquenses. O executivo deve agir em conformidade com o que anuncia na comunicação social, indo de encontro ao manifesto emanado pela sociedade civil e pelo relevante papel da Oposição na denúncia deste tema, de forma a não continuarmos a ter estes preços estapafúrdios num território como o nosso, com recursos naturais hídricos próprios, que devem merecer mais e melhor atenção.

Se existe uma conclusão após esta semana intensa, será a manifesta falta de influência política do executivo no seio do Governo do PS. Fica difícil compreender que Margarida Belém se queixe em jornais de âmbito nacional e denuncie a governação de um “país visto a partir do Terreiro do Paço e em que se criam Ministérios e Secretarias para a Coesão Territorial” quando concorre nas listas do partido do Governo que apoia. Mais ainda enquanto Vice-Presidente da Área Metropolitana do Porto e, mesmo assim, com contínuas e manifestas dificuldades em influenciar decisões estruturais para o município. Fica difícil para os arouquenses verem municípios vizinhos da mesma cor política que o nosso executivo conseguirem incluir obras relevantes no PRR e não vislumbrar o troço que falta para a conclusão da nossa variante. Recorde-se que, mesmo nesta relevante questão da água, recorreu a um documento da Câmara Municipal de Amarante, liderada pelo PSD! Ou até mesmo no caso da falta de acesso à rede de internet em certas zonas do nosso município, que motivou inclusivamente outro abaixo assinado da população. São factos que deixo para reflexão.

Texto de Artur Miler