Um residente da freguesia de Moldes, Fernando Jorge Martins Correia, realizou um abaixo-assinado devido à falta de infraestruturas de Comunicação-Internet Fibra- em alguns lugares da freguesia. Isto porque, ao que parece, as atuais condições nesses lugares não são capazes de responder às exigências do teletrabalho e aulas por videoconferência. Estas situações que têm sido alvo de reclamações frequentes junto das entidades competentes, até ao momento, ainda não foram solucionadas.

Este abaixo-assinado que conta com mais de 200 assinaturas já foi enviado para 8 entidades, que já o rececionaram.

O Discurso Directo passa a citar integralmente o comunicado de Fernando Correia.

“Foi entregue na Câmara Municipal de Arouca e com conhecimento ao Presidente da República, Primeiro-ministro, Ministro da Educação, Ministro do Trabalho, Ministro das Infraestruturas e Habitação, Diretor da ANACOM e também ao Presidente da Junta de Freguesia de Moldes um abaixo-assinado, com mais de duas centenas de assinaturas de residentes em diversas localidades da freguesia de Moldes (lugares de Adaúfe, Bustelo, Cavadas, Chão de Espinho, Espinheiro, Espinho, Friães, Fuste, Granja, Pedrogão e Prechã).

Estes munícipes lamentam e manifestam o seu descontentamento por não disporem de meios de comunicação – Internet Fibra – que lhes permitam desempenhar cabalmente as suas atividades profissionais, académicas e mesmo sociais, neste tempo de pandemia.

Nesse documento, referem que o serviço de internet deficiente ou mesmo inexistente nessas localidades, impossibilita (mais ainda nesta altura de confinamento) o desempenho de teletrabalho, de conferências, de reuniões e de ensino-aprendizagem à distância. Alertam, também, que há professores, dezenas de estudantes dos diversos graus de ensino, assim como funcionários de empresas privadas, com elevado grau de responsabilidade dentro das mesmas, que estão impedidos de desempenhar os seus deveres profissionais.

Criticam a Altice Portugal, SA, única operadora a fornecer o serviço de Internet fixa nessas localidades, por ter sempre ignorado os pedidos/reclamações, embora tenha sido contactada diversas vezes. Censuram, ainda, a Câmara Municipal de Arouca por nunca ter dado um seguimento capaz, pese o facto de ser conhecedora da situação.

Mencionam, também, que a única tecnologia de ligação à Internet fixa existente (em alguns locais) é a ADSL, que mantém a velocidade de há mais de 15 anos e que a própria ligação 3G/4G, existente em alguns lugares, é muito deficiente e os operadores não oferecem tarifários com velocidade e tráfego adequados às mínimas exigências académicas e empresariais.

Nesse documento, pode ler-se que existem muitas zonas, nessas localidades, onde não há sequer cobertura GSM e/ou TDT e que as pessoas que ali habitam estão completamente isoladas de qualquer meio de comunicação digital. Estes munícipes lamentam, profundamente, que no contexto atual de pandemia, diversas pessoas dessas localidades tenham que se deslocar das suas habituações para locais com cobertura de ligação à Internet para poderem trabalhar ou assistir a aulas. Referem, ainda, que algumas delas têm mesmo que usar o próprio carro como “escritório” ambulante, deslocar-se para casa de familiares ou amigos, ou mesmo pedir para utilizarem escritórios de empresas privadas.

Por fim, rematam, e criticam o facto de não haver qualquer incentivo à fixação dos jovens nessas localidades, motivo pelo qual estão a deslocar-se para centros mais atrativos, uma vez que nestas regiões se sentem totalmente descentralizados e com condições pouco dignas de um cidadão do séc. XXI.”