O Discurso Directo esteve à conversa com Cristiano Silva, presidente da Associação Desportiva Valecambrense, clube de Vale de Cambra, que integra a 1ª Divisão Distrital – Zona Sul e se encontra no 5º lugar da tabela classificativa. O balanço do mandato, as expetativas para a temporada, o aparecimento da Covid-19, as maiores dificuldades do clube e os objetivos para o futuro, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Há quanto tempo é presidente da direção do Valecambrense? Que balanço faz do seu mandato?

Cristiano Silva (C.S.): Esta direção está em funções desde 2017, vai completar quatro anos. O balanço é positivo, aumentamos o número de atletas e escalões e temos uma formação mais forte. Temos o clube com mais condições, com maior organização e estabilidade a nível geral.

D.D.: Com quantos jogadores conta atualmente? Chegaram reforços?

C.S.: O plantel sénior conta com cerca de 22 atletas, mas temos a nossa equipa de sub-22 que trabalha em consonância com a equipa principal, portanto temos muitos jogadores que podem ser solução nos seniores, assim como alguns com idade inferior a 22 anos que podem competir nos sub-22.

D.D.: Quais são as expectativas para esta época?

C.S.: No ano passado ficamos a dois pontos de conseguir a subida quando a época foi interrompida. Este ano tínhamos e temos a expectativa de completar o trabalho, com muita calma, mas com o objetivo em mente. De resto as expectativas são as mesmas do nosso projeto, sendo a linha fundamental formar homens para além dos atletas.

D.D.: Qual é o ambiente que se vive entre direção, equipa técnica, jogadores e até adeptos tendo em conta a Covid-19? De que forma é que a pandemia afetou o vosso trabalho?

C.S.: A nível sénior é simples pois como não depende de nós, todos compreendem a necessidade de cumprir as regras que estão a ser impostas, apesar da frustração de não levar em frente a época.

A nível de formação é mais complicado pois torna-se mais difícil gerir a ansiedade das crianças e jovens pela ausência de competição.

A indefinição sobre os arranques e paragens afetaram claro o nosso trabalho, não sendo diferente de qualquer outro sector da sociedade nesta altura. Temos vindo a adaptar-nos e a fazer um excelente trabalho de reinvenção principalmente pela coordenação da formação e todos os técnicos.

D.D.: Como tem corrido o trabalho com as formação nesta altura? Têm estado ativos ou neste momento estão parados?

C.S.: Baseados em estudos que comprovam que o grau de transmissão nas práticas desportivas é muito baixo, tomamos a decisão de continuar com os treinos desde o inicio da época. Retiramos a utilização de balneários e implementamos regras de controlo e de higiene emanadas pela DGS e conseguimos desta forma que os nossos atletas continuassem a praticar desporto. Quando foi decretado o novo confinamento tivemos que parar por completo. Estamos a aguardar neste momento por melhores notícias.

D.D.: Com que apoios conta?

C.S.: Contamos com o apoio da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia de São Pedro de Castelões, contamos com o apoio de empresas e comerciantes e dos sócios que apesar de não poderem assistir aos jogos regularizam as suas cotas. Contamos ainda com o muito importante apoio dos elementos da direção e dos diretores que trabalham pelo clube de forma voluntaria. A todos os que ajudam a A.D.V. o meu muito obrigado.

D.D.: Quais são as maiores dificuldades do clube?

C.S.: As dificuldades passam sempre pela componente financeira e a falta de apoios. Depois temos as dificuldades de infraestruturas que neste momento se revelam insuficientes para o número de atletas que temos e para as condições que lhes queremos dar. Com maior apoio poderíamos atalhar caminho, vamos aguardar que possam chegar boas notícias sobre investimento em infraestruturas. Com as condições que há vamos seguindo o nosso rumo sempre dentro das nossas possibilidades para continuarmos a ser cumpridores.

D.D.: Quais são os objetivos para o futuro?

C.S.: Continuar a estabilizar e tornar sustentável o clube, continuar a aposta forte na formação, sendo que estamos a terminar o processo de certificação pela Federação Portuguesa de Futebol que também nos vai obrigar, no bom sentido, a sermos mais organizados, metódicos e a cumprir com a visão e missão a que nos propomos. Queremos continuar a fazer crescer o clube e com isso dar também mais visibilidade aos nossos parceiros, a Vale de Cambra e à região.

D.D.: Podemos esperar alguma alteração ao nível das infraestruturas?

C.S.: Queremos acreditar que teremos alterações a nível de infraestruturas para a formação pois como referi anteriormente, neste momento para o nível de formação que temos são insuficientes. Contamos com apoio Municipal para o atingir, da mesma forma que conseguimos recentemente dar ao Estádio Municipal uma renovação que melhorou as condições para os atletas, assim como vai melhorar também a imagem do clube e da nossa terra para receber o público e os visitantes.

D.D.: Como vê o atual momento do futebol distrital?

C.S.: Vejo com muita preocupação mas ao mesmo tempo com esperança que este tempo difícil possa trazer melhorias para o futebol distrital.

Em Portugal a visão sobre o futebol centra-se nos clubes grandes e na seleção. Está à vista pelas medidas que vêm sendo tomadas que o futebol distrital e a formação são simplesmente esquecidos. Está na altura dos clubes e a Associação de Futebol de Aveiro reclamarem pelos seus direitos e por mais apoios. No atual momento do futebol distrital são os clubes que têm a maior parte da despesa e o menor retorno, os clubes tem muitas expectativas mas nenhumas certezas e eu espero que isto se inverta rapidamente.