Decorreram no passado dia 24 de janeiro, as eleições presidenciais. Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito com 60,7% dos votos, seguido de Ana Gomes com 13%, André Ventura com 11,9% e João Ferreira com 4,3%. Nos últimos lugares ficaram Marisa Matias com 4,0%, Tiago Mayan com 3,2% e Vitorino Silva com 2,9% dos votos.

Comparativamente com as presidenciais de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu agora em 2021 um resultado melhor, já que nas últimas presidenciais tinha conquistado 52% dos votos. Já Marisa Matias e Vitorino Silva, também repetentes das eleições presidenciais de 2016, tiveram agora menos votos que em 2016. Nesse ano Marisa Matias conseguiu 10,12% dos votos, enquanto Vitorino Silva teve 3,28% dos votos.

Resultados em Arouca, Vale de Cambra e Castelo de Paiva

No município de Arouca, no total das 16 freguesias apuradas, de um universo eleitoral de 19.858 inscritos, votaram 9.035 eleitores, com a abstenção a situar-se nos 54,50%. Do universo de votantes, 69,54% elegeram Marcelo Rebelo de Sousa, 9,23% votaram em André Ventura, 8,77% em Ana Gomes, 6,28% em Vitorino Silva, 2,34% em Marisa Matias, 2,34% em Tiago Mayan e 1,50% em João Ferreira. Fora ainda contabilizados 143 votos em branco e 64 votos nulos.

No município de Vale de Cambra foram apuradas 7 freguesias, num total de 20.313 inscritos, sendo que foram votar apenas 8.704 pessoas. Marcelo Rebelo de Sousa liderou com 68,16%, seguido de Ana Gomes com 9,74%. Em terceiro lugar ficou André Ventura com 8,66% dos votos, depois Vitorino Silva com 5,37%, Marisa Matias com 3,50%, Tiago Mayan com 3,07% e João Ferreira com 1,50%. Contabilizaram-se ainda 119 votos em branco e 108 votos nulos.

Já em Castelo de Paiva, no total das 6 freguesias apuradas, de um universo de 14.002 inscritos, foram votar 5.722 eleitores. Tal como em Arouca e Vale de Cambra, Marcelo Rebelo de Sousa venceu em Castelo de Paiva com 64,81% dos votos. Seguiu-se Ana Gomes com 12,29%, Vitorino Silva com 10,27%, André Ventura com 6,30%, Marisa Matias com 3,16%, Tiago Mayan com 1,93% e João Ferreira com 1,25%. Foram ainda contabilizados 63 votos em branco e 53 votos nulos.

Balanço dos partidos locais (Arouca)

Francisco Ferreira, PS

“Sobre as eleições presidenciais gostaria de, primeiro, começar por dar os parabéns a todos os que exerceram o seu direito de voto, não deixando que o medo da pandemia se sobrepusesse ao exercício da liberdade suprema de poder participar no processo de escolha do mais alto representante da Nação, o nosso Presidente da República.

Ainda assim, há que, uma vez mais, lamentar os elevados níveis de abstenção. Mesmo sabendo que o universo eleitoral se expandiu, com mais de um milhão de eleitores recenseados relativamente a 2016, é de lamentar que metade dos portugueses continue a não votar em qualquer eleição, seja ela presidencial, legislativa, europeia ou autárquica. E assim, enquanto a abstenção se mantiver assim tão elevada, somos todos perdedores.

Falando em perdedores, das eleições ressalta o facto de a Esquerda ter perdido. Mas, contrariamente ao que alguns querem fazer passar, a Direita também não ganhou. Perdemos todos quando permitimos que um deputado claramente antissistema consiga alcançar o resultado que alcançou, não só no nosso município, mas a nível nacional. É assim, abrindo-se brechas na democracia, seja pela abstenção ou pelo voto na extrema-direita, que corremos o risco de, um dia, ver essa democracia como o povo que é a sua base, silenciada, descendo sobre ela não o “dia inicial inteiro e limpo” de que nos falava Sophia, mas de novo “a noite e o silêncio” a que a poeta alude num dos mais belos poemas sobre o dia em que democracia renasceu em Portugal, o 25 de Abril”.

Rui Vilar, PSD

“Como Presidente do PSD Arouca e tendo o PSD apoiado de forma clara a recandidatura do actual Presidente da República, só posso estar satisfeito pela vitória inequívoca alcançada, numa eleição onde Marcelo Rebelo de Sousa venceu de forma inédita em todos os concelhos do país. Em Arouca, a votação foi expressiva na candidatura do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, demonstrando que os arouquenses preservam o Sentido de Estado e o referencial de estabilidade que o actual Presidente da República lhes garante. Por fim, queria deixar uma palavra de agradecimento a todos os arouquenses que foram votar, mas também aqueles que contribuíram para que a eleição se realizasse num contexto de muito perigo por causa da pandemia, nomeadamente os que estiveram nas mesas de voto, bem como os autarcas de freguesia e os serviços da Câmara Municipal que garantiram que a eleição decorresse de forma segura”.

Francisco Gonçalves, PCP

“Não considero positivo para o futuro do nosso país a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, final esperado de uma campanha deliberada de promoção do unanimismo, pois possibilita um maior alinhamento do órgão de soberania Presidente da República com os interesses e agenda da direita.

A candidatura de João Ferreira, apesar de uma maior expressão nacional, distrital e concelhia do que a de Edgar Silva em 2016, ficou aquém do necessário e desejável, mas permitiu, pela campanha realizada, obter um conjunto de apoios nos mais variados quadrantes da sociedade que dão força e esperança para as lutas futuras.

As ideias da candidatura, a adesão de quem nelas militou e milita e o voto (e a intenção de voto de quem não o pode fazer por força da pandemia) dão alento à luta que aí vem contra os interesses e a agenda da direita e os projectos de ódio e de desmantelamento dos serviços públicos tão promovidos ultimamente”.

Pedro Vieira, CDS-PP

“Os resultados eleitorais das presidenciais vieram confirmar a vitória confortável do Professor Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta, tal como já se esperava.

Mas estas eleições presidenciais ficaram marcadas também por fenómenos populistas que merecem uma reflexão muito profunda por parte de todos. Há muito que não se viam por cá fenómenos políticos com mensagens ruidosas ao estilo de “Trump” e a ter eco nas pessoas desta forma. Dá que pensar.

Talvez seja tempo de refletir sobre a forma de fazer política e refletir, a sério, sobre a realidade da abstenção, (cerca de 6,5 milhões de eleitores não votaram). É isto que importa perceber e combater, apesar do período que atravessamos”.