Embora tenha levado uma vida bastante discreta no meio arouquense, António Alexandre de Oliveira (o «Antoninho do Alexandre», como era conhecido), merece ser enaltecido e recordado, pelo bem que fez em prol dos mais carenciados durante toda a sua vida.

Filho de Alexandre José de Oliveira, fundador da antiga «Pensão Alexandre» desta vila, e de sua esposa D. Maria Emília de Jesus, foi o décimo segundo filho de uma prole de quinze. Nasceu a 1 de Agosto de 1913, na dita Pensão, na Praça.

Com o falecimento dos pais, assumiu a gerência da «Pensão Alexandre», com o negócio da restauração, alojamento e casa de pasto.

Num Portugal muito «cinzento», em que havia muita miséria, António Alexandre de Oliveira, durante muitos anos (principalmente na década de 60 do século passado), matou a fome a muita gente da nossa vila, que diariamente lá ia buscar a comida, gratuitamente.

Convém lembrar que a miséria que na altura grassava em Portugal, apesar dos cofres do Estado estarem a abarrotar de ouro, levou a que o País fosse abrangido pelo Programa de Recuperação Europeia, depois da II Guerra Mundial, mais conhecido por «Plano Marshall», da autoria do Secretário de Estado Norte-Americano, George C. Marshall, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz, em 1953, que canalizou para Portugal muitos bens alimentares doados pelos Estados Unidos da América, que foram canalizados através da Cáritas Internacional e que em Arouca foram distribuídos em parte, e outra parte vendida aos pobres necessitados, que tinham que arranjar algumas moedas para terem direito àquilo que lhes era destinado gratuitamente (e que as próprias embalagens diziam que não podia ser vendido nem trocado, apenas dado). Mas era o que existia à época, e como se dizia na gíria «manda quem pode e obedece quem quer…».

É neste ambiente que devemos enaltecer a figura de António Alexandre de Oliveira, que tinha compaixão pelo próximo. Com esta atitude não enriqueceu, mas também não ficou mais pobre (formou todos os seus filhos). Agora que espiritualmente ficou mais rico, disso não temos dúvida.

Acresce que a comida doada não eram os restos que sobravam, pois era a primeira a ser tirada dos tachos, para satisfazer os que lá acorriam. Os restos, esses iam para alimentar os animais que tinha (suínos), que eram depois utilizados para consumo da casa.

A pobreza era muito grande (ao contrário de hoje, que embora existam pobres, não têm tanta necessidade, pois alguns deles até vão buscar os bens alimentares que lhe são doados, nos seus automóveis…). Vivemos outros tempos, felizmente.

Mas convém realçar, como é normal, que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Era o caso de sua esposa D. Olinda da Silva Alves Lopes, que foi o seu braço direito a gerir a Pensão, que ombreava com seu marido a fazer o bem.

Mas apesar de tudo o que fez parece que está um bocado esquecido (ao contrário de outras figuras, que por muito menos, e em alguns casos desconhecidos, ou que dizem pouco aos arouquenses), tiveram o seu nome perpetuado nas vias públicas.

António Alexandre de Oliveira deixou-nos a 6 de Junho de 1982.

Por: Alberto de Pinho Gonçalves