O ano de 2021 marca o início de uma nova década neste século e neste milénio. Será difícil a muitos da minha geração e das que me antecedem lembrarem-se de uma época festiva natalícia tão envolta em restrições e tão diferente pelos piores motivos. Será igualmente ainda mais difícil imaginar uma passagem de ano tão inusitada como aquela que vivemos. O que, creio, não será diferente é o sentimento de esperança com que encarámos sempre o novo ano aquando das “doze badaladas”. Contudo, também acho que neste ano foram muitos aqueles que fizeram certamente aquele pedido que os “antigos” tanto repetiam e que, de repente, se tornou tão atual, verdadeiro e a fazer tanto sentido: Saúde! É o que mais desejamos: saúde para todos e um regresso a uma normalidade que tanto ansiamos.

Queremos muito voltar a ter uma sociedade em que comunicar à distância seja uma opção (muito válida) e não uma inevitabilidade. Queremos muito que a nossa economia regresse com pessoas! E isso depende de conseguirmos ultrapassar esta crise sanitária porque, por mais avanços da tecnologia e do digital, nada substitui o poder do toque, do afeto, do básico cumprimento para lá do aceno ou da mera “cotovelada”. Existe essa saudade de ver mais sorrisos e expressões faciais do que a mera interpretação do olhar. Sim, sentimos falta!

Mas a tecnologia é muito importante e a ela devemos o minimizar dos “danos” na comunicação e para diminuir o isolamento imposto. E mais, foi e é essa mesma tecnologia avançada, a ciência, o mundo global e aberto que nos permite ter esta dose extra de esperança, de termos conseguido avançar mais rápido na produção de uma vacina do que alguma vez foi conseguido com outra, e enfrentarmos, agora, enquanto sociedade, o inicio de um processo de vacinação que respeite os valores básicos de como o sentido de prioridade sobre quem é vacinado primeiro e respeitando a vez de cada um. Será igualmente um teste às nossas instituições. E, é justo, um grande triunfo da União Europeia. Se ainda existiam dúvidas, elas ficam dissipadas sobre a grande vantagem e o benefício da nossa integração europeia. Isto num ano de 2021 marcado pela nossa Presidência, que se iniciou no preciso momento em que oficialmente o Reino Unido deixa de fazer parte da União.

As Presidenciais são “agora” a 24 de Janeiro e serão igualmente um desafio neste contexto de pandemia. O direito ao voto é fundamental, deve ser assegurado e precisamos muito de uma grande participação. E, perdoem-me a tendência, mas parece-me por demais evidente e imperioso que será bom para o país que se concretize uma grande vitória do garante da estabilidade e daquele que melhor consegue estabelecer ligação quase direta com as pessoas e diminuir a distância entre eleitores e eleitos: Marcelo Rebelo de Sousa. E, mais para o final do ano, teremos as eleições autárquicas. Esperemos que já em contexto de normalidade. O poder local é sinónimo de proximidade e esta pandemia reforçou a sua importância e do quão rapidamente deve avançar a descentralização, não apenas com reforço de competências, mas com reforço de meios financeiros. Em Arouca, vimos executivo e oposição juntos no combate à pandemia, com os diversos intervenientes, com maior ou menor responsabilidade, disponíveis para ajudar e estar próximos dos munícipes. Infelizmente, creio, as Grandes Opções do Plano e o Orçamento para 2021 estão longe de fazer face ao momento que atravessamos e às dificuldades que o nosso tecido económico sofreu e ainda sofrerá. Será precisamente neste ano que essas consequências serão mais visíveis. A todos um Bom Ano de 2021!