O Discurso Directo esteve à conversa com Pedro Cirne, presidente da União Desportiva de Fermedo, clube de Arouca, que integra a 2ª Divisão Distrital e se encontra no 9º lugar da tabela classificativa. O balanço do mandato, as expetativas para a temporada, o aparecimento da Covid-19, as maiores dificuldades do clube e os objetivos para o futuro, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Há quanto tempo é presidente da direção do Fermedo? Que balanço faz do seu mandato?

Pedro Cirne (P.C.): Esta direção tomou posse em Junho de 2019. Este mandato está claramente marcado pela situação da pandemia, o que nos impossibilitou de cumprir com os objetivos. No entanto nos primeiros meses até Março de 2020 conseguimos trabalhar alguns aspetos da organização interna do clube, criamos o gabinete de fisioterapia, criamos um espaço administrativo, instalamos internet, batemos o record de inscrições na temporada 19/20, sendo o clube em Arouca com mais atletas inscritos na A.F. Aveiro, tivemos 10 equipas inscritas nas provas da A.F. Aveiro, iniciamos o processo de Certificação do clube como entidade formadora F.P.F., por tudo isto considero que fizemos um bom trabalho neste período, até ao início de Março de 2020.

D.D.: Com quantos jogadores conta atualmente? Chegaram reforços?

P.C.: Neste momento temos duas equipas a competir nos campeonatos distritais: uma equipa sénior na 2ª Divisão Distrital e uma equipa de Sub-22. Nestas duas equipas temos cerca de 36 jogadores inscritos. Quanto a reforços, são todos aqueles que nas melhores condições que podemos oferecer, querem jogar com a camisola da U.D. Fermedo, nos pressupostos de respeito e fair-play que tentamos incutir a quem está neste clube, que enquanto direção consideramos que são mais importantes do que vitórias. No entanto, não abdicamos de a cada jogo querer vencer e a cada semana preparar todos os aspetos com o objetivo de ganhar. É o que pedimos aos nossos jogadores e às nossas equipas técnicas.

Ao nível da formação continuamos com os treinos individualizados, dentro das normas da DGS e do Governo e contamos com cerca de 55 atletas. Houve uma drástica redução na formação, pois na época passada o número de atletas rondava perto dos 150.

D.D.: Quais são as expectativas para esta época?

P.C.: Neste momento nenhuma expectativa é possível, pois não sabemos com o que contar no futuro. Com tanto “pára-arranca” torna-se difícil criar expectativas ou sequer planear um futuro. Com a perda de mais de 100 atletas e a redução de equipas, a atividade normal de um clube de futebol de momento é inexistente. Tudo terá de ser reinventado, reorganizado e reconstruido quase do zero quando passar este período pandémico.

D.D.: Qual é o ambiente que se vive entre direção, equipa técnica, jogadores e até adeptos tendo em conta a Covid-19? De que forma é que a pandemia afetou o vosso trabalho?

P.C.: É um ambiente salutar, onde todos sabem que têm o seu papel a desempenhar no âmbito da função de cada um. Todos com comportamento responsável de forma a preservar a segurança e saúde de todos, seguindo com todas as recomendações e comportamentos adequados à situação atual.

D.D: Como tem corrido o trabalho com as formações nesta altura?

P.C.: De momento decorrem os treinos com o distanciamento e com as normas da DGS. Ao longo da época temos feito algumas interrupções quando necessário e recomendado pelas autoridades.

D.D.: Com que apoios contam?

P.C.: Contamos com o apoio da Câmara Municipal de Arouca, Junta de Freguesia de Fermedo, patrocinadores, sócios e alguns beneméritos.

D.D.: Quais são as maiores dificuldades do clube?

P.C.: Neste momento são as mesmas que qualquer clube de futebol tem derivado da situação pandémica. A proibição de jogos com público condiciona e é o fator mais impactante em toda a nossa atividade.

D.D.: Quais são os objetivos para o futuro?

P.C.: Até a situação pandémica passar e a vida de todos nós voltar ao normal, não se podem colocar novos objetivos. Apenas adequar toda a atividade de forma a não prejudicar o futuro.

D.D.: Podemos esperar alguma alteração ao nível das infraestruturas?

P.C.: O Parque Desportivo de Fermedo é de propriedade da Junta de Freguesia pelo que esta questão deverá ser colocada à Junta de Freguesia.

D.D.: Como vê o atual momento do futebol distrital?

P.C.: Com o futuro comprometido. Já se nota a diminuição de clubes e praticantes que mesmo pós pandemia não irão voltar ao futebol. Acho que atravessamos um período que deve ser aproveitado para se repensar e se reorganizar todo o futebol distrital, pois vai ser como começar tudo do zero.