Nasceu a 25 de Março de 1936, na freguesia de Moldes1. Filho de Manuel Pato de Oliveira, natural da freguesia de São Bartolomeu de Troviscal, onde nasceu a 7 de Fevereiro de 1910, professor do ensino primário na escola de Moldes (figura bem conhecida, pela excelência do seu ensino e do rigor disciplinar), e D. Mafalda Reimão Martingo, do Ribeiro, da mesma freguesia. Era neto paterno de José de Oliveira Pinto de Sousa, também professor do ensino primário, natural da freguesia de Oiã, e D. Maria da Conceição Pato e Oliveira, da dita freguesia de Troviscal, ambos do concelho de Oliveira do Bairro2; e materno de Manuel Gomes Martingo e D. Maria Gomes de Pinho Reimão.

Casou na Igreja de Moldes, a 7 de Setembro de 1961, com a Prof.ª D. Maria Adriana da Conceição Moreira, do lugar da Cabreira, desta vila, filha de António Augusto Moreira Brandão e D. Francelina da Conceição Correia3.

Telmo Pato também era professor do ensino primário e leccionou nas Escolas Primárias da vila de Arouca.

Conheci muito bem o Prof. Telmo Pato, pois foi meu professor na 3.ª e 4.ª classes.

Era pessoa pouco sociável, raramente se podia ver na “praça pública” (como acontece com a maior parte das pessoas) mas isso nada diminuiu as qualidades de que era possuidor.

Ainda tenho na memória esses tempos quando, na sua motorizada Zundapp, através do chamado caminho dos Atoleiros ou Corredouras (caminho de carro de bois), que da rua Darca (hoje Dr. Figueiredo Sobrinho), se dirigia para as Escolas. (Como o próprio nome indica este caminho de Inverno era um lamaçal, tendo apenas pelo meio uma guia de pedra para as pessoas passarem. Outros tempos…).

Professor de excelência, disciplinador e rigoroso, mas amigo dos seus alunos. Numa época em que grande parte dos pais diziam ao professor: «se o meu filho se portar mal, chegue-lhe a “roupa ao pêlo”». E ele assim fazia. Mas raras vezes o fez, pois a sua postura disciplinadora era suficiente para manter os alunos em respeito…

Naquela altura os alunos contribuíam com 2$50 por mês (se não estou em erro), para a “caixa escolar”. Com este dinheiro o professor fornecia aos alunos todo o material escolar, como lápis, cadernos, etc., para o exercício do ensino. O seu rigor de poupança ia ao ponto de nos lápis, no seu extremo, marcar o número do aluno para o responsabilizar por o mau trato que pudesse dar ao lápis. Era ele que os afiava; e se um partia o bico do mesmo, tinha que o justificar.

Também os cadernos de exercícios eram por ele cosidos na lombada (trabalho que fazia com uma sovela e linha), para durarem mais.

Recordo-me que já naquela altura o desporto favorito das crianças era o futebol, e muitas das vezes, na falta de melhor, usavam bolas feitas de trapos. Pois em face disso, o professor resolveu comprar uma bola grande de borracha (um luxo!…), e fez uma colecta pelos alunos, que juntaram alguns tostões, mas que não chegava. Comprou a bola na mesma e pôs do seu bolso, o que faltava.

Nestas atitudes já demonstrava o seu espírito cooperativo.

Naquele tempo era “obrigatório”, no princípio das aulas, rezar e cantar o hino. Isso com ele não acontecia, assim como fazer a “ordem unida”, como era habitual, com as orientações dadas pela Mocidade Portuguesa. Por isso o Prof. Pato obrigava os seus alunos a seguirem à sua frente, de regresso a casa, pois alguns achavam graça marchar e fazer a ordem unida e tentavam ficar para trás, para se juntarem aos outros. Ele era diferente dos demais professores…

Além da profissão de professor, a outra grande paixão da sua vida foi a agricultura, que através do cooperativismo desenvolveu em Arouca.

Assim, a 4 de Agosto de 1965, juntamente com Carlos Alberto Duarte Reis e José Francisco de Pinho, assume a Direcção da então Cooperativa Agrícola dos Produtores de Lacticínios de Arouca, na sala do Grémio da Lavoura, depois da homologação das eleições pelo Secretário de Estado da Agricultura.

A partir daí esteve à frente da Cooperativa, até Maio de 2007, depois da sua lista ter sido derrotada nas eleições.

Foram 42 anos dedicados ao cooperativismo, pois além de Presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca, ocupou outros cargos nas organizações a que a mesma estava associada, como a Lacticoop, Caixa de Crédito Agrícola de Arouca, Uniagri, Ucanorte, Confragri e do Instituto António Sérgio para o sector cooperativo.

Atravessou as grandes transformações que a agricultura sofreu em Portugal; e a evolução política e social dos portugueses.

Não foi tarefa fácil. Foi muitas vezes incompreendido, principalmente no sector leiteiro, que por imposição de novas regras de desenvolvimento do mesmo, nomeadamente com a sua industrialização, e da entrada de Portugal na União Europeia, a isso obrigou.

Mas deixou uma obra notável, no desenvolvimento da agricultura do nosso concelho e do País.

Por tal motivo, foi reconhecido pelo Estado Português, que o agraciou com a Comenda de Mérito Agrícola, atribuída a 31 de Maio de 1994, pelo Presidente da República, Mário Soares.

A mesma foi-lhe entregue, em cerimónia pública, realizada na sede da Cooperativa, pelo então Secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro, em 30 de Março de 1995.

A Câmara Municipal de Arouca homenageou o Prof. Pato, dando o seu nome à Travessa da Ribeira, junto da mesma Cooperativa, em cerimónia pública realizada a 22 de Setembro de 2017.

Os professores marcam sempre os alunos pela sua postura. Estou convencido que o Prof. Pato marcou positivamente várias gerações dos seus alunos, para encararem o futuro da melhor forma.

Também os lavradores do concelho tiveram a sua influência como cooperativista, para tirarem o melhor proveito da terra.

Faleceu a 20 de Novembro de 2016.

1.Jornal Defesa de Arouca, n.º 532, de 28-3-1936.

2 A.D.A. – Registos Paroquiais da freguesia de Troviscal, Oliveira do Bairro. Livro de Baptismos, n.º 157 (1910), fls. 8v. e 9.

3 Jornal Defesa de Arouca, 2.ª série, n.º 320, de 16-9-1961.

Por: Alberto de Pinho Gonçalves

O CAMINHO DOS ATOLEIROS QUANDO COMEÇARAM A ABRIR A ACTUAL RUA DR. GIL DA COSTA