Numa época em que o trânsito rodoviário em Portugal, e especialmente em Arouca, terra do interior e com fracas estradas, era muito reduzido (pois a implantação do transporte automóvel era ainda muito diminuto, comparado com os dias de hoje), deu-se um acidente que, para a época, foi notícia da maior importância. Muitas foram as pessoas, que a pé, de longe, foram ver o veículo acidentado. Foi na freguesia de Rossas, já perto do lugar da Ribeira, Tropeço, que um autocarro da Auto Viação Feirense se despenhou a 8 de Dezembro de 1955 (já lá vão quase 65 anos). Do acontecimento, mais do que quaisquer palavras que possamos dizer, o jornal «Defesa de Arouca», daquela época o descreve melhor:

«UMA CAMINHETA da carreira Arouca-Porto despenhou-se numa ribanceira de cinco metros de altura.

No sitio da Volta do Cotinho, da freguesia de Rossas, ocorreu no passado dia 8, cerca das 17 horas, um desastre que poderia ter resultado numa tremenda tragédia, mas em que, felizmente, apenas se verificou a existência de vários feridos, sem gravidade.
A caminheta A. L. 18-24, da Auto Viação Feirense, concessionária da carreira entre Arouca-Porto, conduzida pelo motorista António Caetano Baptista, natural de Mozelos, do concelho da Feira e residente na Vergada, do mesmo concelho, tendo como cobrador Manuel Ferreira Pinto, natural de Urrô, deste concelho de Arouca e também residente na Vergada, despenhou-se duma altura de cinco metros, tendo ficado completamente desmantelada e com as rodas voltadas para o ar. Não houve, felizmente, vítimas.
Dos vinte e dois passageiros que seguiam na caminheta, apenas ficaram feridos, ligeiramente, o condutor, o cobrador e os passageiros Albino Gomes Calçada, de Várzea, Maria José Correia dos Santos, de Moldes, Maria Rosa de Pinho, de Carregosa, Augusto Teixeira de Sousa, de Urrô, e Mário Alves da Silva, do Porto.
Os feridos foram conduzidos em automóveis particulares e por uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira ao hospital da Santa Casa da Misericórdia de Arouca, nesta vila, tendo sido socorridos pelos clínicos srs. drs. Simões Júnior e Ângelo Miranda, auxiliados pela enfermeira D. Dulce Barbosa. Como os ferimentos recebidos não ofereciam gravidade, os feridos recolheram a suas casas.
Os prejuízos sofridos pela Auto Viação Feirense elevam-se a mais de 250 contos. No local compareceu o Delegado do M.º P.º nesta comarca, sr. dr. Brito Câmara, vendo-se também ali o agente sr. Simão Nunes, da Brigada Móvel da P.V.T., que casualmente passava no local algum tempo após o desastre.
A rapidez com que compareceram no local do desastre os Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, é digno de registo».
Como dissemos acima, foram muitos os curiosos para verem o autocarro de «pernas para o ar», pois era acontecimento para a época.
Aqui fica a recordação do acontecimento.
As imagens são da autoria de Adílio Ferreira da Silva, já falecido, a cuja família agradecemos a reprodução.

Por: Alberto de Pinho Gonçalves