O Discurso Directo esteve à conversa com o presidente da União de Freguesias de Covêlo de Paivó e Janarde, Manuel Duarte Gomes. As grandes apostas da junta de freguesia, o balanço do tempo de mandato, as obras planeadas, o estado de desenvolvimento de Arouca e o momento de pandemia que se vive, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Que balanço faz do trabalho realizado neste mandato?

Manuel Gomes (M.G.): No entender desta junta penso que temos um balanço positivo, mas esse julgamento é feito pelos habitantes da freguesia. Esforça-mo-nos por ir fazendo os pedidos que nos propõem, é um dever de quem ocupa este cargo. Quando não fazemos algo não é por falta de vontade ou por não querer, mas porque algo nos impede de o fazer.

D.D.: Sente que tem os recursos humanos e materiais para desenvolver o seu trabalho?

M.G.: Esta tem sido uma das dificuldades que a junta sente, porque são necessários esses recursos para manter as aldeias limpas.

D.D.: Qual tem sido a grande aposta da Junta neste mandato?

M.G.: A grande aposta da junta vai no sentido da continuação de criar condições à população como: vias rurais de acesso a habitações e outros; saneamento; e água canalizada e potável. Tudo em beneficio do seu bem estar, para que a população se sinta amparada e que possa contar com a pessoa que elegeram. Também aqui menciono não só os órgãos do poder executivo, mas também os membros do poder deliberativo porque são peça chave para a aprovação e realização dos trabalhos.

Agradecemos a quem investe na freguesia, são sempre bem vindos. Iremos dar todo o apoio dentro da responsabilidade da junta, pois todos são fundamentais contra a desertificação das aldeias.

D.D.: Face a atual pandemia como é que a Junta de Freguesia está a apoiar a comunidade?

M.G.: Quanto à pandemia felizmente temos sido poupados, uma vez que a freguesia até hoje só teve dois ou três casos. No entanto estamos atentos e informamos as pessoas sobre todas as precauções a tomar, distribuímos máscaras por toda a população. Temos especial atenção porque a maioria da população é idosa e vulnerável. Oferecíamos transporte à população uma vez por semana, mas de momento está suspenso devido ao Covid-19.

D.D.: Como vê a dinâmica associativa na freguesia?

M.G.: Na freguesia só existe a associação de caça, e nesse sentido só participa quem gosta desse desporto. Fora isso temos as festas populares que se vão realizando ao longo dos meses de verão.

D.D.: Como tem sido a articulação com a Câmara Municipal?

M.G.: No entender da junta tudo tem corrido dentro da normalidade. Nas obras que envolve maior verba temos tido o apoio da Câmara não a nível financeiro, mas a nível de recursos humanos e materiais.

Só posso dizer que entre as duas instituições existe um bom relacionamento e compreensão a nível do bem estar da população.

D.D.: Que balanço faz do trabalho deste Executivo Municipal?

M.G.: No meu entender não posso dizer que tenha sido um trabalho negativo, tem sido um trabalho em prol do bem estar da população.

D.D.: Como está a acompanhar o processo de transferência de competências entre a Câmara e as Juntas?

M.G.: Esse é um tema que nos temos negado. Não importa ter poderes e depois não ter meios para responder a essas responsabilidades, porque no nosso caso a freguesia é grande em área (44,4km2).

Também não sabemos os custos que nos pode trazer, e o que vamos receber por essas competências, daí a junta não estar preparada para esse desafio.

D.D.: Que visão tem sobre a vida política no concelho e sobretudo sobre os principais desafios que se lhe colocam?

M.G.: Quanto a este ponto, a meu ver, quando se fala em política a população já pouco interesse mostra por não acreditar nos políticos. A nível do concelho também já se vai notando isso principalmente na altura das eleições onde já se nota muita abstenção.

D.D.: Como vislumbra as eleições autárquicas do próximo ano não só a nível da freguesia mas também do concelho?

M.G.: Sobre as eleições ainda é um pouco cedo para falar, mas seja qual for a força política eleita, que faça o melhor para continuar a lutar pelo bem estar da população, e que sejam realizados todos os trabalhos propostos para esse mandato. Quanto ao candidato da oposição deve ser honesto e responsável para que assim se faça um bom trabalho, para que haja desenvolvimento e crescimento a nível de freguesia e do concelho.

D.D.: Sobre o concelho em geral, como vê o atual estado de desenvolvimento de Arouca?

M.G.: Temos que ser claros, Arouca tem vindo a crescer positivamente e tem sido reconhecida mais nuns sectores do que em outros. Contudo, devia tentar desenvolver um pouco de cada um e não só se focar mais a nível turístico, apesar de ser um bom investimento para o reconhecimento de Arouca a nível europeu. Mas mesmo dentro deste também podia virar-se para as Minas de Volfrâmio que durante anos foram o ganha pão da população arouquense, deviam torna-las um ponto de visita a nível turístico.

Também devia apostar mais na fixação da população jovem através da criação de mais empregos e apoiar a criação de novas empresas.

Arouca vive também o flagelo que é a desertificação das aldeias típicas que cada vez têm menos habitantes e aqui tem de haver um grande esforço de todos nós, câmara e juntas de freguesia, só assim Arouca continua seu reconhecido desenvolvimento.