«UM AROUQUENSE ILUSTRE – A caminho de Roma, Bolonha e Milão, esteve em Lisboa, o maestro Dr. Armando Prazeres, português radicado no Brasil e que, a convite do maestro Santucci, vai dirigir concertos sinfónicos em Itália.

O maestro Armando Prazeres nasceu em Arouca e muito novo foi residir com os pais para o Rio de Janeiro, onde tirou o curso superior de música e dirigiu concertos no Rio, S. Paulo e Belo Horizonte.

Foi indicado pelo Itamarati para representar o Brasil no Festival Internacional de Música, no Chile, e dirige a Orquestra Sinfónica Universitária do Rio de Janeiro (Guanabara), sendo também professor de Literatura e de Língua Portuguesa na Universidade do Estado de Guanabara. Ao regressar ao Rio, dirigirá, também, o Coral da Rádio do Ministério da Educação e Cultura do Governo»1.

Assim o descrevia, em 1968, o jornal «Defesa de Arouca», sobre a deslocação que este ilustre moldense fez a Arouca, com o objectivo principal de visitar o seu velho mestre, o prof. Pato e Oliveira.

Armando dos Prazeres Sousa, nasceu a 8 de Agosto de 1934, no lugar da Nogueira, da freguesia de Moldes. Filho de Eduardo Vicente de Sousa, natural do lugar de Vilar, da freguesia de Arouca; e de Carolina dos Prazeres, do dito lugar da Nogueira.

«Frequentou a escola primária de Moldes, fazendo o exame da quarta classe em 1946, tendo como mestre o professor Manuel Pato e Oliveira»2.

Emigrou com os pais para a cidade do Rio de Janeiro, onde foi morar no bairro do Rio Comprido. Ingressou no seminário São José, com o intuito de seguir a carreira eclesiástica. Foi aí que descobriu a sua inclinação para a música.

A família desejava que seguisse a vida religiosa, mas a sua vocação era a música. Depois desses estudos veio para a Europa, onde «estudou regência coral com René Brighenti, na Escola Superior de Música de Estocolmo, e estagiou na Capela Sistina, no Vaticano, em Roma, onde aprimorou sua técnica de regência orquestral com Hanz Swarowsky e Franco Ferrara, na Academia de Santa Cecília. Já no Brasil, foi assistente de Raphael Baptista, na Orquestra Sinfónica Universitária. Em 1968, a convite do governo italiano, retornou à Europa para uma turnê por Roma, Bolonha e Roterdâ. No ano seguinte, de novo no Brasil, foi nomeado director artístico do Coral do Serviço Nacional de Radiodifusão. Tornou-se, então, um dos pioneiros na realização de concertos ao ar livre ao criar, em 1969, o Festival de Inverno do Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro.

Em 1970, gravou seu primeiro LP, com o Coral Palestrina, para a Argos Records, de Londres, só com músicas brasileiras. Em enquete realizada pela revista “Influential Gramophone”, com a participação de diversos críticos europeus de música, o disco foi considerado o melhor lançamento de música sul-americana na Europa»3.

Por sua iniciativa foi criada, em 1972, a Orquestra Pró Música, do Rio de Janeiro.

Em 1973 cria os primeiros corais de empresas nos Correios, Telerj e Petrobrás.

A Orquestra convoca, em 1988, pela primeira vez jovens instrumentistas. «Fortalece sua tradição de apresentação em locais com pouca inserção da música clássica como Manguinhos, Cascadura, Rocha, Encantado, Bonsucesso e Nova Iguaçu, popularizando a música erudita».

«No aniversário de 10 anos da orquestra, esta se apresenta na Quinta da Boa Vista, na Candelária, participa da gravação do CD Gal Acústico MTV (a convite da Gal Costa e Wagner Tiso) acompanhando-a em turnê por todo o Brasil e, com este disco, ganha o Prêmio Sharp. Por ter regido o concerto durante a missa rezada pelo Papa João Paulo II, em sua vinda ao Brasil, Armando Prazeres ficou conhecido como o “maestro do Papa”»4.

Armando Prazeres foi sequestrado «na porta de um colégio na Laranjeiras Zona Sul» e foi depois morto por um conhecido cadastrado, fugido da prisão, em Janeiro de 1999.

«Assassinado com um tiro na nuca, o maestro Armando dos Prazeres foi mais uma vítima de sequestro relâmpago na cidade. Ele foi levado em seu próprio carro por três homens armados da porta da creche Curiosa Idade, em Laranjeiras. O corpo do músico somente foi localizado pela família três dias depois, no Instituto Médico Legal. Ele foi encontrado por policiais do 4.º Batalhão (São Cristóvão), na Rua Carneiro Campos, com as mãos amarradas pra trás e um tiro na nuca»5.

Casou com Norma Galhasse de Oliveira, de quem teve 5 filhos, entre eles, o jornalista e músico Carlos Eduardo Prazeres e Filipe Prazeres, também músico. O Carlos exerceu cargo administrativo na Orquestra fundada por seu pai.

1 Jornal Defesa de Arouca, 2.ª série, n.º 666, de 6-7-1968.

2 Idem.

3 http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2013/12/armando-prazeres.

4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Orquestra_Petrobas_Sinf%C3%B4nica.

5 http://www.dgabc.com.br/Noticia/197620.

Por: Alberto de Pinho Gonçalves