O Discurso Directo esteve à conversa com Carlos Araújo, presidente da União Desportiva de Mansores, clube de Arouca, que integra a 1ª Divisão Distrital e se encontra no 3º lugar da tabela classificativa. O balanço do mandato, as expetativas para a temporada, o aparecimento da Covid-19, as maiores dificuldades do clube e os objetivos para o futuro, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Há quanto tempo é presidente da direção do Mansores? Que balanço faz do seu mandato?

Carlos Araújo (C.A.): Esta é a minha sétima época desportiva como presidente da União Desportiva de Mansores. Iniciei funções na época 2010/2011 e mantive-me como presidente até 2014/2015. Depois decidi que estava na altura de fazer um pequeno interregno. Voltei na última temporada e voltei a assumir o compromisso nesta época.

Foram sete anos de bons momentos e de muitas conquistas. Em 2012 o Mansores foi campeão da II divisão distrital (atual I divisão) com um registo de vitórias impressionante. No ano seguinte estreámo-nos na mais alta competição do futebol aveirense, mas tivemos azar porque apesar de um campeonato razoável, descemos de divisão devido à reformulação que estava a ser feita nas competições distritais. Acabaram por descer sete equipas nesse ano enquanto na época 2019/2020, por exemplo, desceram apenas três.

D.D.: Com quantos jogadores conta atualmente? Chegaram reforços?

C.A.: Temos 21 jogadores no plantel neste momento. É um número suficiente, tendo em conta o atual panorama do futebol distrital. Em circunstâncias normais poderíamos apostar em mais um ou dois atletas, mas este é um cenário inconcebível nesta fase.

D.D: Quais são as expectativas para esta época?

C.A.: É difícil criar ambições desportivas com as condicionantes que a pandemia nos trouxe. Estamos em janeiro e só realizamos três jogos para o campeonato, que é o número de minutos que, em circunstâncias normais, já tínhamos disputado no mês de setembro. E, infelizmente, a interrupção dos jogos não ficará por aqui.

O objetivo do Mansores sempre foi lutar para vencer e conquistar a subida de divisão. É esse o nosso ADN habitual e era essa a nossa meta também para esta época. Mas temos que ser conscientes e, neste momento, as ambições desportivas têm que passar para segundo plano. Pelo menos até que exista uma clara melhoria sanitária. A partir daí, voltaremos ao nosso foco.

D.D.: Qual é o ambiente que se vive entre direção, equipa técnica, jogadores e até adeptos tendo em conta a Covid-19? De que forma é que a pandemia afetou o vosso trabalho?

C.A.: O ambiente é bastante próspero, mesmo perante a névoa de incerteza que paira sobre nós. A direção está alinhada. A equipa técnica, que transitou da última temporada, está consciente das dificuldades que atravessamos, assim como os jogadores. Costuma-se dizer que sem ovos não se fazem omeletes, mas toda a estrutura está empenhada para que isso aconteça na U.D. Mansores.

Claro que isto é um forte golpe. Os campos de futebol estão fechados, mesmo em dias de jogos. Não sentimos o apoio dos adeptos dentro e fora de portas e isso mexe com a mística sobre a qual o futebol vive. É um entretenimento e despertar de emoções para quem o vê. Sem pessoas, a lógica do futebol fica um pouco perdida.

D.D.: Com que apoios conta?

C.A.: Contamos com os apoios do Município e da Junta de Freguesia para garantir a sobrevivência e uma pequena parcela de patrocínios. Mas mesmo com esses fundos, não é seguro garantir que todos os clubes vão resistir até ao final da época.

D.D.: Quais são as maiores dificuldades do clube?

C.A.: A pandemia da Covid-19 teve um forte impacto em praticamente todas as áreas da sociedade e o futebol distrital, como não podia deixar de ser, também não escapou. Mas se a última época já foi atípica, aquilo que vivemos hoje é doloroso.

Estamos a enfrentar uma redução drástica de apoios. Os nossos cálculos indicam que perdemos cerca de 80% do financiamento que conseguíamos reunir. Não há dinheiro da bilheteira e os patrocínios estão cada vez mais escassos. Infelizmente, este é um problema transversal a todos os clubes da distrital: não há receitas, mas os encargos continuam. É necessário pagar à Federação de Aveiro, aos jogadores e equipa técnica, a eletricidade… São demasiados encargos.

D.D: Quais são os objetivos para o futuro?

C.A.: É irresponsável fazer previsões para o futuro neste momento. Após o retorno do campeonato – que ainda não se sabe quando será – veremos os meios que temos e de que forma podemos enfrentar a restante época. Quanto às próximas temporadas, só podemos aguardar pelo que o futuro nos irá trazer…. Há muitos aspetos que estão fora do nosso controlo e que não nos permitem fazer projeções.

D.D.: Podemos esperar alguma alteração ao nível das infraestruturas?

C.A.: Não estão previstas mudanças nas infraestruturas para esta época. Essa não é uma das prioridades neste momento. Evidentemente que há sempre espaço para melhoria, mas a União Desportiva de Mansores conta, neste momento, com um espaço com boas condições para a prática desportiva.

D.D.: Como vê o atual momento do futebol distrital?

C.A.: É uma realidade muito dura. Os relatos que se ouvem dos responsáveis de clubes de todo o distrito fazem soar os alarmes. Este poderá ser um duro golpe e implicar uma mudança gigante nos moldes do futebol distrital como hoje o conhecemos. Será muito difícil sobreviver sem ajudas.

NOTA: As competições da I Divisão Distrital de Aveiro foram suspensas por mais um mês. O retorno da competição está agora agendado para 7 de fevereiro.