O Discurso Directo esteve à conversa com a vereadora da Câmara Municipal de Arouca, com os pelouros do Desenvolvimento Educativo e Social e Desenvolvimento Cultural, Desportivo e Lazer, Fernanda Oliveira. O trabalho desenvolvido até ao momento, o envelhecimento da população, a coesão social, a perda de população no município e a área educativa foram alguns dos temas abordados. Os tempos de pandemia que se vivem também mereceram atenção.

Discurso Directo (D.D.): Foi Presidente de Junta de Freguesia e hoje é Vereadora com os Pelouros do Desenvolvimento Educativo e Social e Desenvolvimento Cultural, Desportivo e Lazer. Ter sido autarca de freguesia, ter sido professora, foi uma base importante para as funções que hoje exerce?

Fernanda Oliveira (F.O.): Sem sombra de dúvida que sim. Estas são áreas muito diversas e estruturais para o desenvolvimento de uma comunidade coesa e com qualidade de vida. Ter sido autarca de freguesia deu-me a polivalência necessária para abraçar áreas tão desafiantes e fundamentais para o presente e futuro do nosso concelho. Ter sido professora possibilitou-me encarar, sempre de mente aberta e de principiante, um olhar sobre a perspetiva do aluno, sempre ansioso pela descoberta, pela vontade de aprender e de fazer.

D.D.: Que balanço faz desse trabalho? …e do trabalho do Executivo?

F.O.: Fazer um balanço até agora é naturalmente fazer balanço do trabalho do Executivo, ao qual tenho orgulho de pertencer. E esse balanço é naturalmente positivo. Temos estado, de forma serena e focada, a concretizar tudo ou quase tudo a que nos havíamos proposto aquando da nossa candidatura em 2017. Destacar também o trabalho que temos vindo a desenvolver no âmbito da pandemia, em particular na área social e em próxima articulação com as nossas IPSS’s e com as restantes estruturas de âmbito social, naquele que tem sido um ano particularmente difícil e cujas consequências perdurarão nos próximos anos.

D.D.: Qual a principal dificuldade… qual o principal constrangimento sentido?

F.O.: A escassez de tempo e a de recursos, em particular humanos, para fazermos tudo o que ambicionamos fazer.

D.D.: Tenho ouvido, sobretudo nas sessões da Assembleia Municipal, e lido na imprensa rasgados elogios à rede de apoio social, sobretudo na ação que é sustentada pelas IPSS’s. Presumo que se associa a esse pensamento. Essa rede é sustentável em termos futuros?…Será necessário ir mais além?

F.O.: A Rede Social, que é presidida pelo Município, é uma excelente plataforma de cooperação entre as diversas entidades, entre as quais se encontram, as IPSS’s que intervêm na área social. Só podemos fazer mais e fazer melhor, quando estamos todos concertados, quando partilhamos dificuldades e desafios e juntos crescemos e evoluímos. E é aqui que reside o valor desta rede.

D.D.: Está o município preparado, com políticas específicas, para fazer face ao forte envelhecimento da população?

F.O.: Desde há muito que o envelhecimento ativo e saudável dos arouquenses é uma preocupação da Câmara e uma área com investimento significativo, sendo vários os programas e dinâmicas que tem implementado neste âmbito. Por exemplo, o projeto Idade Maior, onde se inclui a Sala Sénior, e o projeto de teleassistência.

D.D.: Que esforço tem sido feito por parte da Câmara para que haja, nestes tempos conturbados, a construção de uma verdadeira coesão social em todo o território do concelho?

F.O.: A Câmara tem sido a verdadeira líder, nestes tempos conturbados, como referem, trabalhando, desde o primeiro momento e de forma incansável, com as IPSS’s, as Juntas de Freguesia, as autoridades locais de saúde, Agrupamentos de Escolas, as empresas para assegurar a coesão social. Desde a disponibilização de equipamentos de proteção individual e outros produtos para combate à Covid-19, ao apoio à realização de testes nas IPSS’s, à disponibilização de informação e à capacitação dos recursos humanos que trabalham nas instituições sociais, contando com a colaboração inestimável dos serviços de saúde local, ao lançamento de dinâmicas que protejam e relancem a economia local, nomeadamente as direcionadas para o comércio local e para o setor turístico, em particular a restauração. Há ainda todo um conjunto de dinâmicas mais pequenas mas igualmente relevantes e que não são do conhecimento público, como é o acompanhamento dos mais idosos e que se encontram em casa, que temos feito desde o primeiro momento, ligando todas as semanas para sabermos como se encontram.

D.D.: A desertificação de parte do território do município e a perda de população é uma evidência constante. Como é que pode ser revertido esse processo?

F.O.: Estes são problemas que afetam não só o concelho, mas todos os restantes concelhos a nível nacional com características semelhantes às nossas. Só poderão ser revertidos com políticas emanadas do Governo Central. É este que tem a verdadeira capacidade para poder mudar as coisas!

D.D.: O que falta em Arouca para que se sinta satisfeita com a rede de equipamentos educativos?

F.O.: Em Arouca temos uma rede de excelência de equipamentos educativos que será reforçada com as requalificações que vamos fazer no próximo ano nas Escolas Básicas de Serra de Vila (Mansores) e de Paços (Moldes), sem esquecer a obra de requalificação recentemente concluída da EB2/3 de Arouca, da total responsabilidade do Município, e que fruto da pandemia, ainda não foi possível assinalar a sua conclusão de modo condigno. Creio que temos todos de estar satisfeitos e orgulhosos da rede de equipamentos educativos que temos e que foi fruto de uma aposta significativa da Câmara na última década.

D.D.: Será possível ir mais além em termos de ação educativa?

F.O.: A nível de equipamentos educativos dificilmente será possível ir mais além, já que, como referi, hoje temos uma rede moderna de escolas. Naturalmente que gostaríamos de desenvolver outros projetos, em parceria com os dois agrupamentos de escolas, e que incidam, não no edificado, mas no desenvolvimento e capacitação dos nossos alunos.

D.D.: Já tem uma opinião sobre o funcionamento do ensino articulado no município?

F.O.: O ensino articulado é uma mais-valia para o nosso município e para os nossos alunos. Daí que o Município tenha procurado sempre trabalhar de forma a garantir que este seja uma realidade efetiva. Exemplo dessa importância foi o investimento que foi feito na recente requalificação da EB2/3, com a criação de espaços específicos para o ensino da dança e da música.

D.D: Nestes tempos de pandemia como se concretizou (e no fundo como é que se está a concretizar) o apoio da Câmara às estruturas educativas e às entidades que trabalham na área da atividade social e da saúde?

F.O.: A Câmara, conforme tive oportunidade de referir à pouco, tem prestado todo o apoio que lhe é possível, seja humano, seja financeiro, às escolas, às IPSS’s, às autoridades de saúde. Desde março que tem estado em contínua e estreita articulação e colaboração com estas entidades, quase 7 dias por semana/24 horas por dia. Passámos, como é conhecido, por momentos turbulentos e difíceis, e só este apoio, este acompanhamento e esta articulação estreita de parte a parte, possibilitou que tivéssemos ultrapassado com sucesso.

D.D.: Como tem sido a sua relação com os agentes culturais do concelho?

F.O.: A melhor possível! Há uma relação muito próxima com o nosso movimento associativo, com a colaboração em tudo o que nos tem sido possível. Esperamos que no próximo ano possa ser retomada alguma normalidade para vermos de novo os nossos agentes culturais em plena atividade.

D.D.: Pensando na sua área de intervenção. Quais os principais constrangimentos que hoje se continuam a colocar ao concelho?

F.O.: Já falámos destes há pouco: o envelhecimento da nossa população, a dimensão do nosso território e a dispersão populacional, a reduzida taxa de natalidade. Constrangimentos que são em tudo iguais a outros municípios como o nosso.

D.D.: … e os grandes desafios?

F.O.: São os acima referidos. Tudo depende do modo como olhamos para eles!

D.D.: Como antevê o próximo ano eleitoral autárquico?

F.O.: O próximo ano, assim como os seguintes e em resultado da pandemia e das suas consequências, em particular sociais e económicas, será um ano desafiante. Espero assim que estejamos todos focados em fazer o melhor para os arouquenses, política à parte!

D.D.: Conta ser candidata?

F.O.: Estou focada em exercer a minha função de vereadora da melhor forma possível!

D.D.: Que mensagem gostaria de deixar aos arouquenses nesta quadra de natal?

F.O.: Uma mensagem de esperança e os votos de muita saúde. Desejo a todos os arouquenses, sem esquecer todos aqueles que estão longe, noutros países, um Santo e Feliz Natal, esperando que no próximo ano possamos recuperar os abraços daqueles a quem amamos e que a pandemia nos roubou.

Foto: Carlos Pinho