O Discurso Directo esteve à conversa com Hugo Amaral, jogador e presidente do Centro Cultural e Recreativo de Vila Viçosa, clube de Arouca, que integra o Campeonato Distrital e se encontra no 12º lugar da tabela classificativa. O balanço do mandato, as expetativas para a temporada, o aparecimento da Covid-19, as maiores dificuldades do clube e os objetivos para o futuro, foram alguns dos temas abordados.

Discurso Directo (D.D.): Que balanço faz do seu mandato enquanto presidente do Vila Viçosa?

Hugo Amaral (H.A.): Sou presidente desde 2010 e acho que ao longo destes 10 anos o balanço é positivo, eu e todos os colegas com quem trabalhei tentamos sempre fazer o melhor pela associação, sabendo que se calhar ainda podíamos ter feito mais um bocadinho (mais algumas atividades ou uma ou outra obra para melhorar as nossas instalações), mas acho que o balanço foi positivo.”

D.D.: Com quantos jogadores conta atualmente? Chegaram reforços?

H.A.: Nós este ano para já temos 21 jogadores inscritos. O plantel ainda não está completamente fechado, mas também não podemos inscrever muito mais porque as inscrições são caras. Este ano temos bastantes jogadores novos, uma vez que do ano passado para este ano saíram muitos e tivemos de reformular o plantel, acho que são 10 novos colegas.

D.D.: Quais são as expectativas para esta época?

H.A.: O nosso objetivo é tentar melhorar todos os anos, sabendo que é difícil, nas últimas três épocas o plantel foi feito com poucas mudanças, entraram e saíram poucos jogadores, só alteramos o Mister. Este ano o Mister manteve-se mas tivemos de reformular a equipa. A nossa expectativa é ficar a meio da tabela, embora saibamos que é difícil, porque não temos as condições que a maioria das equipas da nossa divisão têm. Melhoramos a iluminação com a ajuda da Câmara Municipal de Arouca, mas quando chove quase não treinamos porque o piso fica intratável, sem condições.

D.D.: Qual é o ambiente que se vive entre direção, equipa técnica, jogadores e até adeptos tendo em conta a Covid-19? De que forma é que a pandemia afetou o vosso trabalho?

H.A.: O ambiente entre direção, equipa técnica e jogadores é bom, com os adeptos é que ainda não tivemos quase nenhum contacto por causa da pandemia. Apesar de o nosso lugar de Vila Viçosa ser pequeno, com pouca população, nos jogos em casa tínhamos sempre um grande apoio do povo de Vila Viçosa e arredores.

A Pandemia afetou e de que maneira o nosso trabalho, pois com todas as regras que foram impostas temos muito mais burocracias, tanto nos treinos como nos jogos. Podemos dizer que o trabalho em torno do futebol mais que duplicou. Já para não falar de estarmos sempre à espera de telefonemas de colegas a dizer que estiveram perto de pessoas infetadas ou mesmo infetados. Acho que até o mais correto teria sido cancelar esta época. Mas os que “mandam” nesta parte do futebol incentivaram a continuar, vamos ver como corre, por agora está mais ou menos, já tivemos pessoal em quarentena e apenas um caso positivo, que por sorte não afetou a parte do futebol.

D.D.: Com que apoios conta?

H.A.: Em termos de apoio financeiro temos o apoio da Câmara Municipal de Arouca como é de conhecimento de todos, da Junta de Freguesia e de alguns patrocinadores. Os subsídios tanto da CMA como da Junta foram iguais aos anos anteriores, 5000€ e 1000€, respectivamente. O efeito da pandemia também está a ter efeitos nos patrocínios como era de esperar, estamos longe de tudo (empresas, comercio e afins), é muito difícil arranjar patrocínios e este ano ainda pior por causa do vírus. Mas mesmo assim tenho de agradecer a todos, principalmente aos patrocinadores, porque sem eles não nos era possível competir no futebol federado.

D.D.: Quais são as maiores dificuldades do clube?

H.A.: A nossa maior dificuldade é sem dúvida o piso do nosso campo. Em primeiro lugar quando chove o terreno fica impraticável de se treinar ou jogar, depois dá imenso trabalho e despesa a preparar o campo para os jogos (trator para passar o campo, cal para marcar e o tempo que se perde). Temos ainda muitas dificuldades para arranjar jogadores que queiram jogar naquele piso.

Este ano tínhamos cinco ou seis possíveis reforços que vieram fazer alguns treinos na pré-época, mas foram logo embora e queixaram-se do piso a dizer se em seco já é assim, nem queriam imaginar quando chove. Já agora aproveito para agradecer a todos os atletas e staff que nos ajudam e continuam a defender as nossas cores mesmo nestas condições.

D.D.: Quais são os objetivos para o futuro?

H.A.: O principal objetivo era sem dúvida termos um piso de relva sintética. Como já disse anteriormente as condições dos treinos melhoravam 200%, e era muito mais fácil arranjar atletas para virem para cá jogar, embora enquanto for presidente nunca esquecerei os atletas que estão cá nestas condições e se isso viesse acontecer nunca iria mandar embora um dos nossos que se fartou de engolir pó e lama só para ter um ou outro, mesmo que fosse melhor jogador.

D.D.: Podemos esperar alguma alteração ao nível das infraestruturas?

H.A.: Nós precisamos urgentemente de melhorar algumas coisas nas nossas instalações. Claro que a principal é o piso do campo, mas também temos o “teto” da nossa sala do bar e do nosso salão que está a ficar muito deteriorado e o telhado da nossa sede que ainda está em placas de fibrocimento. Mas é claro que sem a ajuda da CMA e da Junta de Freguesia é-nos impossível melhorar as nossas infraestruturas. Nós, apesar de termos poucos apoios, temos as nossas contas em dia, mas não nos sobra quase nada para fazermos alguns melhoramentos mesmo que sejam pequenos.

D.D.: Como vê o atual momento do futebol distrital?

H.A.: Da maneira que isto está vai ser muito difícil chegar ao fim da época e mantermos as contas como nas últimas três temporadas. Uma das nossas fontes de rendimento era a bilheteira nos jogos em casa e o Bar e se os jogos continuarem à porta fechada por muito mais tempo, não sei o que isto vai dar. Não há público e o Bar não trabalha. É verdade que nos últimos três anos de futebol não ficamos com dívidas, mas também não sobrou quase nada.

Para manter o futebol distrital temos que trabalhar muito e agora com a pandemia há mais trabalho para todos (diretores, jogadores, staff técnico), mais despesas e muito menos receitas. Desde preparar plano de contingência, medir a temperatura a toda agente que entra nas instalações, fazer o registo de entrada e saída e hora de todas as pessoas, álcool gel, máscaras, colar papelada nas paredes e chão com indicações, desinfeção dos espaços, tudo tem custos e dá trabalho. Esperemos que isto volte tudo rapidamente ao normal, se não o futebol distrital corre grandes riscos de acabar em muitos locais, mesmo naquelas associações que têm tudo e mais alguma coisa.

Hugo Amaral aproveitou ainda para agradecer “à Câmara Municipal de Arouca, Junta de freguesia de Canelas e Espiunca, patrocinadores (pelos subsídios/donativos) e todos os sócios que, mesmo estando privados de ver o futebol, continuam a pagar as suas quotas. Sem eles era-nos impossível competir. Agradeço também, mais uma vez, a todos os atletas e staff técnico que se deslocam de suas casas para os treinos e jogos à sua custa, sem eles esta equipa de futebol não existiria”, acrescentando divertido “quem nos quiser ajudar é só contactar”.

Campo do clube em dias de chuva