A nova ponte suspensa, construída na chamada Garganta do Paiva em Arouca, constitui um equipamento turístico de relevo, capaz de projetar o concelho de Arouca em todo o mundo. No entanto é importante ter em conta algumas questões que preocupam a S.O.S. Rio Paiva, nomeadamente, o aumento da pressão humana neste troço do Rio Paiva, a poluição do rio e o aumento de espécies invasoras”, começou por afirmar a S.O.S. Rio Paiva, em comunicado enviado ao nosso jornal.

A associação “espera que as autoridades coloquem restrições de acesso à nova ponte e “Passadiços do Paiva” tendo em conta a situação atual de pandemia, a saúde pública e a salvaguarda da tranquilidade e preservação deste espaço natural” e “apela a uma redução do número máximo de acesso de pessoas aos equipamentos construídos para minimizar a pressão no rio e melhorar a experiência de quem procura um turismo de natureza sustentável”.

No mesmo comunicado a associação afirma temer “que este mediatismo e sucesso dos “Passadiços do Paiva” possa exigir que sejam acrescentados novos equipamentos do género no futuro, para garantir um elevado fluxo de turistas a Arouca, pelo que faz um apelo às autoridades locais e nacionais para que façam cumprir os planos de conservação deste espaço da Rede Natura 2000 que identificaram a construção de infraestruturas e o desenvolvimento turístico como ameaças à conservação de habitats, restringindo a construção de novas infraestruturas de lazer e de equipamentos turísticos como bares e restaurantes”.

É com preocupação que vemos aumentar de forma muito significativa a pressão humana com a construção de infraestruturas nas margens do Rio Paiva, nomeadamente bares, restaurantes, alojamentos turísticos e outros equipamentos semelhantes, além do vai e vem de viaturas que transportam os turistas de um ponto ao outro do passadiço, permitindo que metade do percurso seja efetuado em veículos poluentes. Questionamos a aparente ausência do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) no planeamento, desenvolvimento turístico e construção de infraestruturas em terrenos da Rede Natura 2000”, refere ainda a S.O.S. Rio Paiva.

Poluição tem vindo a aumentar

Já no que diz respeito à poluição, a associação relembra que “o verão de 2020 foi dos mais negros no que diz respeito à poluição do Rio Paiva, com imagens chocantes de grandes descargas poluentes com origem nos concelhos a montante, nomeadamente Vila Nova de Paiva e Castro Daire, onde as Estações de Tratamento de Águas Residuais continuam a ser um dos principais focos de poluição deste que já foi conhecido como “o rio mais limpo da Europa” e que agora tem as suas praias naturais interditas à prática balnear”.

Neste sentido, a S.O.S. Rio Paiva “considera urgente que o forte investimento turístico seja acompanhado de medidas de compensação e de investimento na eliminação dos focos de poluição e no controlo e erradicação de espécies de fauna e flora invasoras”, mostrando-se disponível “para encontrar consensos e soluções que contribuam para a conservação deste importante espaço natural, continuando a pugnar pela defesa do Rio Paiva e dos seus afluentes, com dinamismo, independência e seriedade”.