Ponte Pedonal ‘516’ Arouca com abertura prevista no outono

Fotos: Carlos Pinho

Decorreu no passado dia 8 de julho, a visita para a imprensa local às obras da ponte ‘516 Arouca’. A sessão contou com as intervenções de Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal de Arouca; Benedita Martins, presidente executiva da Conduril Engenharia e António Tadeu, técnico do IteCons.

Prestes a finalizar, apesar de ainda se preparar para vários ensaios e testes antes da abertura, a Ponte Pedonal ‘516 Arouca’ já desperta muita curiosidade a nível nacional e internacional, tal como confidenciou Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal de Arouca, na visita à nova infraestrutura, preparada pela autarquia para a comunicação social local. Ao longo da visita foram feitas várias intervenções e explicações sobre a obra pelas entidades responsáveis.

Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal de Arouca

Estamos na parte da finalização da empreitada, colocamos os dois tabuleiros finais que vão deixar a ponte verdadeiramente operacional, mas há um conjunto de intervenções e estudos que estão em curso e são fundamentais para podermos abrir. Estamos a fazer o levantamento das encostas, e para além da finalização dos tabuleiros há depois um conjunto de ensaios que estão a ser preparados. Será um momento crucial e em que serão validados todos os ensaios que foram feitos em laboratório e que nos irão permitir validar todos estes dados.

Tudo estamos a fazer para que no início do outono, em finais de setembro ou início de outubro, possamos fazer uma pré-abertura. E será uma pré-abertura, porque aquilo que idealizamos no início não vai ser possível concretizar, portanto estamos aqui a prever uma pré-abertura e vamos preparar depois o cenário que temos idealizado, com a construção da ligação para Alvarenga através de um passadiço e a criação das infraestruturas de apoio e de acolhimento.

Há aqui ainda muitos pormenores para finalizar, muitos detalhes e muitas intervenções a realizar até que seja possível a fase de pré-abertura. Serão os momentos do ensaio que serão determinantes para a gestão que irá ser feita desta ponte, ou seja, se as pessoas vão andar a circular de um lado ao outro, se vão andar autónomas ou acompanhadas, se vão passar para o outro lado e há uma saída, tudo isso está a ser equacionado e avaliado. É lógico que aquilo que se pretende é que a ponte que vai dar para o outro lado tenha uma saída para o interior de Alvarenga, mesmo que seja uma saída provisória, porque aquilo que pretendemos é que as coisas se vão fazendo gradualmente e melhorando também em função daquilo que é a experiência desta fase de pré-abertura”.

António Tadeu, Técnico do IteCons

O grande desafio desta ponte esteve em ter a capacidade de controlar duas coisas: conferir segurança à ponte e ter uma solução esbelta. Eu acho que essa parte foi a mais complicada. Depois temos de pensar que temos aqui situações de carga estática, quando estamos ali parados, e situações de carga dinâmica, com as pessoas a correr, com o vento, etc. Por isso tivemos de arranjar maneira de não haver aqui fenómenos de instabilidade dinâmica. Neste momento a ponte está feita de tal forma que se eu quisesse cortar um dos cabos, a ponte não cai. Mas não estou a dar ideias, atenção!

Estamos a estudar a possibilidade de numa fase inicial ter na ponte grupos de 30 pessoas, mais ainda não é um número certo”.

Filipe Bandeira, Engenheiro

Quando se projetou a ponte não se sabia que era a maior do mundo e isso também não era importante. Sabia que tinha de projetar uma ponte e fui fazendo desenhos, esboços, e tentando várias opções para ver qual ficava mais bonita e que cumpria a segurança, que é o critério principal. Fui desenvolvendo as ideias e melhorando aqui e ali e assim se chegou a este resultado. Agora ao chegar aqui sinto-me como um pai a olhar para um filho, apesar das alterações que tiveram de ser feitas, estou satisfeito com o aspeto final”.

Benedita Martins, presidente executiva da Conduril-Engenharia

Foi para nós uma grande distinção termos sido escolhidos para executar esta magnífica obra de arte e aproveito a oportunidade para agradecer à Câmara Municipal de Arouca. É uma obra que vai ficar na nossa história, porque é uma obra distinta de engenharia portuguesa e mundial. Tivemos alguns percalços, o que é normal numa obra única do ponto de vista técnico e de engenharia, mas aos poucos fomos resolvendo as várias questões em colaboração com as restantes entidades. Foi uma obra feita com zero acidentes, com toda a segurança e todos os procedimentos. Sinto orgulho pela equipa técnica que conseguiu fazer esta obra”.

Lotação e bilhética

Dimensionada para suportar cerca de 1815 pessoas em simultâneo, Margarida Belém afirma que “não é isso que vai acontecer. Vai ser definida uma capacidade de carga, a que se considerar desejável e sustentável, mas que será muito abaixo do limite”.

No que diz respeito à bilhética, a situação ainda está a ser estudada, até porque a ponte poderá ser visitada sem a obrigatoriedade de fazer também os Passadiços do Paiva, ou seja, as infraestruturas poderão ser visitadas juntas ou em separado, de acordo com a vontade dos visitantes, prevendo-se que os valores sejam também distintos. “Há um valor que está pensado, mas que ainda não é definitivo. Vai ser calculado um valor que não vai ter nada a ver com o valor dos Passadiços. Sem dúvida que vai ser uma atração integrada dos Passadiços do Paiva, mas que vai ter identidade própria”, afirmou a edil arouquense.

Esta infra-estrutura terá um custo de cerca de dois milhões de euros, contando com o apoio do Programa Operacional NORTE 2020, no âmbito do PROVERE – Programa de Valorização de Recursos Endógenos, no valor de um milhão e duzentos mil euros. Serão 516 metros de comprimento, a uma elevação de 175 metros do rio.

A empreitada é da responsabilidade da empresa Conduril – Engenharia, SA, com base num projeto do Itecons — Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, da Universidade de Coimbra.

Ponte Pedonal ‘516’ Arouca com abertura prevista no outono
 

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