OPINIÃO | TERMINOU O ANO ESCOLAR

São muitos os textos e as reflexões que por estes dias se fazem sobre a Escola e a Educação, particularmente sobre o problema do (in)sucesso escolar, circunscrevendo a coisa apenas e só ao passa e chumba, num contexto em que a perspectiva, tal como noutras áreas, é a do mercado, do negócio, com muita conversa em torno de inovação, excelência e projectos.

A discussão, hoje, sobre avaliação, aprendizagens e sucesso escolar está completamente contaminada, por um lado pela pressão política dos sucessivos governos em demonstrar estatisticamente que encontram a Escola e a Educação de pantanas no início da legislatura e deixam o seu ministério às portas do paraíso, por outro pelo casamento entre a corrida aos fundos europeus de Universidades, Institutos, Fundações e a febre por eventos e cerimónias que autarquias, áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais alimentam.

Olhando para estas coisas à margem destes interesses, constatamos que o passa e chumba cada vez diz menos sobre a consolidação (ou a falta dela) das aprendizagens dos alunos, no fundo aquilo que verdadeiramente interessa. Em muitas Escolas do mesmo território vemos numas a inexistência da chumbos no ensino básico e noutras a retenção a ter alguma expressão, mantendo-se o problema num lado e noutro, existe um número considerável de alunos que não desenvolveram as aprendizagens que era suposto desenvolver.

E sobre as causas/resposta a este problema, olhando apenas para a Escola, que não é a origem do problema (a origem do problema é o meio social de proveniência do aluno, relembro, segundo todos os grandes estudos de fundo realizados, a grande causa do insucesso escolar) nem pode ser o único instrumento da resposta social (a escola não tem intervenção nos rendimentos, na oferta cultural e nos direitos laborais das famílias).

Paira uma certa ligeireza de abordagem que devia inquietar. Não é com uma espécie de mudança permanente que vamos lá. Eu que até sou dos da Revolução, sublinho um detalhe, a revolução é dinâmica, mudança, mas mudança sobre o essencial, não sobre o acessório. À disciplinarização no 1º CEB, sucedeu a transversalidade, aos trimestres os semestres, às aulas os worhshops, à formalidade a informalidade… Só que há um grupo de alunos que continua a não aprender o que é prescrito no currículo, e consolida-se a ideia, errada, que a aprendizagem dos alunos é só responsabilidade da Escola.

A Escola e o Professor ensinam, quem aprende é o aluno. E o aluno para aprender tem que trabalhar, mais ainda se for de meio desfavorecido. A obrigação da Escola é dar-lhe condições para ele o poder fazer, não é fazer por ele baixando a fasquia.

O conceito do senhor barbudo do oitocentos (a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades) é puxar pelos de baixo, transformar, não é reproduzir a sociedade. A distinção entre o favorecido e o desfavorecido escolar é entre o que aprendeu e o que não aprendeu. E para aprender é preciso trabalho e disciplina, com ou sem projectos.

Texto de Francisco Gonçalves 

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