Era uma vez um menino que um dia juntamente com os colegas de escola primária, decidiram improvisar e construir uma cana de pesca, com um pau e um arame vergado, para ir à pesca para os “Jardeiros” no rio de Moldes; de pesca nada, mas aí observavam aqueles lindos peixes “sarampitados”-trutas íris, que vagueavam ao som da corrente.

Passados alguns anos, os mesmos protagonistas foram estudar para a “Malhadoura”, e com o chegar dos primeiros raios de sol primaveril, lá iam banhar-se no poço-do-moinho no ribeiro de Monte de Monção.

Mais tarde, já com um grupo menos numeroso de elementos, iam acampar para Covêlo de Paivó e banhar-se de dia e de noite naquelas águas límpidas e frias do Paivô, onde passaram a sua juventude.

Mas como tudo na vida, os contextos vão-se alterando, os dias vão crescendo e o caudal da vida vai-se alargando; os fins-de-semana de Primavera e Verão faziam-se com grandes e repastados piqueniques nas margens do Paiva, onde hércules bárbaros vagueavam exibindo-se, de quando em vez com estupendos saltos nos poços majestosos de águas límpidas e transparentes.

Entretanto passaram alguns anos e eis que chega o progresso, já não se ouve o chilrear dos carros de bois, os rebanhos a chegar ao entardecer ao Cando, mas sim potentes e poluentes “machines”. Os rios de águas límpidas, tornaram-se pinturas tendo como pano de fundo as várias cores do arco-íris.

Meus Caros leitores e Pais – alerta! Alto e pára o baile, chega de ilusões e inoperância, silêncio dos políticos, das entidades que deviam fiscalizar, associações ambientalistas, de cada um dos cidadãos individuais e comuns.

O tempo da “velha senhora” acabou, mas continuo à procura do guarda-florestal e do guarda-rios, encontrando apenas os escombros e ruínas onde moravam. A sua autoridade era para os nossos pais e para nós um incentivo ao cumprimento; qual era o cidadão que não sabia que nem a lenha de poda deveria ser atirada ao rio?

Agora que somos um país civilizado, instruído, dito desenvolvido em que tudo está bem que até as “vacas voam”, pergunto:

– Será que o peixe se foi embora à procura de melhores comodidades e exibicionismo?

Ó verdadeiro Guarda-Rios, por favor volta e traz o peixe contigo…

Texto de Vítor Carvalho