O mês de junho é rico em festejos, principalmente dos santos populares. No entanto, a primeira data a ser festejada é o 10 de junho. É o dia de Portugal, de Camões – celebra a data de 10 de Junho de 1580, data da morte de Camões – e das Comunidades Portuguesas. É também o dia da Língua Portuguesa, dos cidadãos e das Forças Armadas, a partir de 1963 em sua homenagem, quanto igualmente o dia dedicado ao Anjo da Guarda de Portugal. Durante o Estado Novo, de 1933 ao 25 de Abril de 1974, era comemorado como o Dia da Raça, a raça portuguesa ou dos portugueses.

Tem um programa com muitas atividades, desfiles, demonstrações militares, entregas de medalhas de mérito, distinguindo novas individualidades pelo seu trabalho em nome do país.

Realce significativo tem o Presidente da República e altas individualidades do Estado que participam em cerimónias de comemorações que decorrem em cidades diferentes todos os anos e por vezes em comunidades de portugueses no estrangeiro. Para o próximo ano tudo indica que será junto da comunidade portuguesa da África do Sul.

Este ano as comemorações foram feitas na cidade de Portalegre e o Presidente da República convidou o jornalista João Miguel Tavares (JMT) para organizar as cerimónias. Destaco precisamente o seu discurso consciente, simples, baseado em Camões, mas muito abrangente, salientando a dimensão humana que a política devia ter, abordando com veemência a corrupção e o chico espertismo tal como a passividade do povo português perante os problemas e a política.

JMT afirma, “Descobrimos um país amnésico, cheio de gente que não sabe de nada, que não viu nada, que não ouviu nada. Percebemos que a corrupção é um problema real, grave, disseminado, que a justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la. A corrupção não é apenas um assalto ao dinheiro que é de todos nós – é colocar cada jovem de Portalegre, de Viseu, de Bragança, mais longe do seu sonho.”

Esta amnésia faz lembrar o que se passa com as audições à Caixa Geral de Depósitos pela atribuição de créditos ruinosos, em que os gestores, quer da Caixa quer do Banco de Portugal, não se lembram de nada, não sabem, ou não estavam; ou então o primeiro ministro que nunca sabe de nada: na CGD, a culpa é dos outros; no acidente de Borba, não sabia; em Tancos não foi informado; na TAP foi um mal entendido; em Pedrogão estava de férias; desconhece que há cativações. Enfim!

JMT salientou que todos contam, os que perderam tudo nos incêndios, os pobres, os idosos, o esforço de cada um para que o país seja melhor, “nós precisamos de sentir que contamos para alguma coisa. Além de pagar impostos.”

Considerando que somos uma sociedade completamente desorientada e sem referências, sem objetivos claros, deixou um pedido aos políticos, os quais devem ser pessoas de caráter e princípios, “aquilo que se pede aos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita, é que nos deem alguma coisa em que acreditar. Que ofereçam um objetivo claro à comunidade que lideram.”

Vale a pena ler ou ouvir o discurso texto.

Texto de Carlos Matos