OPINIÃO | O Passado, o Presente e o Futuro do FCA

No passado dia 19 de Maio, fui um dos muitos adeptos do nosso Futebol Clube de Arouca (FCA) que se deslocaram ao Estádio Municipal de Aveiro para aquele que seria o encontro decisivo para a manutenção do clube mais emblemático do nosso concelho nos campeonatos profissionais. Um cenário que, no início de época, seria de todo inimaginável! Estávamos, sem dúvida nenhuma, apreensivos e com uma sensação estranha de deja vu perante todo um cenário que parecia estar a desenhar-se e que acabaria por se confirmar após os 90 minutos do desafio. Foi inusitada a nossa descida de divisão há duas épocas, pois descemos por apenas um golo e até com mais pontos do que a “barreira dos 30” que normalmente apontam para poder ser o suficiente para não descer. Mas nesta época, perante uma liga extremamente competitiva e com uma imprevisibilidade tal no que concerne ao fundo da tabela, apesar de conseguirmos fazer 40 pontos, acabamos por descer, desta vez não por um golo, mas por um ponto.

O referido Estádio Municipal de Aveiro trazia boas memórias ao Futebol Clube de Arouca. Nós, adeptos, teoricamente estávamos a jogar em casa do nosso adversário que nos tinha calhado em sorte naquela última jornada, precisamente a União Desportiva Oliveirense, um clube vizinho e amigo. Estes tinham igualmente boas memórias para aquele encontro, com a conquista da permanência na II Liga a ser conseguida precisamente frente ao FCA na época passada. Mas era difícil dissociar aquele Estádio de momentos que marcaram a história recente do clube. No final do campeonato da I Liga de futebol 2013/2014, recebemos o quase campeão Benfica e ainda confirmamos a nossa permanência contra o Gil Vicente precisamente naquele local, logo na nossa época de estreia na chamada “liga dos grandes”. E quem não se lembra de se deslocar mais uma vez a Aveiro, na época de 2015/2016, para defrontar e vencer o campeão Benfica, que permitiu uma surpreendente liderança isolada do campeonato? Isto numa época em que o melhor estaria para vir, com uma classificação absolutamente surpreendente: 5º lugar na I Liga e respetivo apuramento para a Liga Europa. Algo absolutamente inacreditável e um verdadeiro conto de fadas que nos permitiu na época seguinte viver um feito verdadeiramente único como o foi a eliminatória frente ao Heracles da Holanda, onde conseguimos o apuramento, e ainda a quase passagem no play-off de acesso à fase de grupos frente ao crónico e histórico campeão grego Olympiakos. Uma época que começou por ser de sonho, mas acabou em pesadelo, com a já referida e inusitada descida de divisão.

Hoje, perante um cenário de crise diretiva decorrente da descida ao campeonato de Portugal, o Futebol Clube de Arouca volta a ter uma atenção mediática, mas de forma diferente. Os sócios são agora chamados a responder a este momento complicado do clube. Devemos ter orgulho em tudo o que foi conseguido e em muitos dos momentos que acima enunciei. Mas, naquele dia 19 de Maio, na viagem de regresso a Arouca com o veredicto da descida, todos os sócios do FCA terão certamente feito o luto necessário. Orgulho no passado, mas com olhos postos no futuro. O Futebol Clube de Arouca voltará a dar alegrias aos arouquenses. A resiliência e vitalidade do clube, à imagem das suas gentes, voltará a dar provas e o clube voltará a vencer!

PS: Após um exemplo de vitalidade democrática bem expresso nas últimas eleições autárquicas em Arouca tivemos, tanto no nosso concelho como no país, uma elevada taxa de abstenção que a todos deve preocupar e deve ser, mais uma vez, motivo de grande reflexão. Sobre os resultados nacionais (vitória do PS) e locais (vitória do PSD) do ponto de vista partidário, terei oportunidade de o fazer na próxima edição.

Texto de Artur Miler 

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