OPINIÃO | Columbofilia e os sinais dos tempos…

Esta semana fiquei sensibilizado por algumas notícias relacionadas com o tema que trago a este espaço. Apresento-o numa pequena reflexão enquanto ex-praticante, admirador e apaixonado por este desporto fantástico.

Também este, tal como outros desportos, move paixões, dedicação, superação, envolvimento das famílias, muita dedicação, resiliência e, acima de tudo sabedoria e emoção. Por outro lado, movimenta também muito dinheiro. Ainda recentemente foi vendido um pombo no valor equivalente ao nosso Cristiano Ronaldo que, sob o nome de “Armando” se tornou o pássaro mais caro do mundo, tendo sido vendido por 1,25 milhões de euros.

Importa referir que o criador, a natureza e a acção do homem criaram talvez uma das “máquinas” mais perfeitas e com melhor sentido de orientação, materializado numas simples centenas de gramas, a que designamos na gíria popular pombo-correio. Apesar das várias teorias, ainda não é totalmente compreendido pelo homem, como é que o pequeno “monte de penas“ é uma máquina voadora e de “inteligência” capaz de percorrer distâncias de mais de 1000km, a velocidades bem superiores a 100Km, em condições atmosféricas por vezes muito adversas.

Sendo o segundo desporto mais popular em Portugal, a columbofilia contribuiu, nas suas mais variadas vertentes (sociais, educativa, turística, desportiva, solidária e humanitária), para a congregação e dinamização de vontades e paixões de autênticas comunidades.

Numa perspectiva mais local, importa referir que em Arouca, são também vários e bons os columbófilos, pessoas sapientes e bem conhecedoras destes animais fantásticos.

Contudo, são várias as vicissitudes e ameaças. Tal como nós habitantes, somos submetidos a maiores desafios, resultantes fundamentalmente da nossa geolocalização e zona serrana, o mesmo acontece a estes animais e aos seus treinadores, levando à necessidade de mais recursos e uma melhor preparação para atingir os objetivos e os níveis de competitividade, face a concorrentes de outras paragens.

Neste sentido, precisamos de iniciativas e dinâmicas que permitam e evitem que, paulatinamente, não se vá acabando com a modalidade. Assisti recentemente, a um workshop de um jovem que, na sua prova de aptidão profissional numa escola, desenvolveu este tema, procurando sensibilizar os jovens e demais agentes de educação para importância desta modalidade.

Porque não levar os miúdos aos habitats (pombais) e perceber a organização, métodos e gestão dos mesmos; Porque não chamar estes “treinadores” à escola, em disciplinas de ciências da natureza, psicologia ou mesmo de gestão desportiva. Desenvolver “eventos” fotográficos, soltas comemorações, entre outras.

Numa dimensão mais exigente de recursos, porque não pensarmos no desenvolvimento de um pombal comunitário, onde para além das sinergias que cria, pode potenciar turismo, animação e outras atividades complementares e de valor acrescentado.

Estou certo que se nada for feito, esta modalidade estará condenada a curto e médio prazo. Veja-se dois indicadores que vão nesse sentido: a diminuição do número de praticantes e o aumento da idade dos mesmos.

Jovens Columbófilos precisam-se!

Texto de Vítor Carvalho

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