Inês Vilela, após a vitória no concurso da RTP ‘Grande Prémio do Fado’: “Fiquei sem palavras, nem acreditava. Fiquei muito feliz.”

Foto: Carlos Pinho

Com apenas 12 anos, Inês Vilela venceu, no passado dia 2 de abril, o concurso da RTP 1 ‘Grande Prémio do Fado’, na categoria Júnior. Após a vitória no concurso, o Discurso Directo esteve à conversa com a jovem arouquense. O seu percurso na música, a participação no concurso e os planos para o futuro foram alguns dos temas abordados na entrevista com a pequena fadista.

Discurso Directo (D.D.): Quando começaste a cantar?

Inês Vilela (I.V.): Desde muito pequenina, sempre gostei de cantar. Tanto na escola como em casa, gostava de cantar e decorava todas as letras das músicas dos CD’s de música infantil do Panda, da Disney…

Lembro-me de ter microfones de brincar, e com eles imitar as cantoras que via na televisão. Sempre que havia festas de família, lá em casa, eu aproveitava para cantar.

D.D.: E o gosto pelo Fado quando surgiu?

I.V.: Quando tinha oito anos já tinha uma voz forte e um pouco rouca, e a minha mãe disse-me que eu devia experimentar cantar Fado, porque achava que havia qualquer coisa de diferente na minha voz.

Eu não sabia o que era o Fado. Os meus pais explicaram-me, e nas férias de Verão levaram-me a um concerto da fadista Carminho. Depois comecei a gostar de ouvir a Mariza e a Amália Rodrigues e foi a partir daí que comecei a cantar o Fado.

D.D.: Que idade tinhas quando cantaste em público pela primeira vez?

I.V.: A primeira vez que cantei em público foi quando tinha 9 anos. Foi na festa de Natal de 2015, na Santa Casa da Misericórdia. Todos gostaram muito de me ouvir.

D.D.: E depois disso continuaste a cantar…

I.V.: Sim. Depois na escola a minha professora – Mafalda Almeida – apercebeu-se que eu cantava bem e inscreveu-me no Sarau, que é um espetáculo que o Agrupamento de Escolas de Arouca organiza, no final de cada ano letivo. E eu fui cantar a ‘Rosa Branca’, da Mariza e surpreendi toda a gente com a minha atuação. As pessoas adoraram…

D.D.: E essa atuação abriu-te outras portas?

I.V.: Sim, os professores da ESA aconselharam-me a inscrever-me no concurso “A Voz de Arouca”, que ia acontecer nesse Verão de 2016, organizado pela Banda de Música de Figueiredo. Os meus pais inscreveram-me e fui selecionada. Levei ao concurso um fado da Amália Rodrigues – ‘É ou não é’, e outro da Mariza – ‘Rosa Branca’. O júri e o público gostaram muito da minha atuação. No final, o júri atribuiu-me o primeiro prémio. Fui a primeira vencedora do concurso a “Voz de Arouca”.

D.D.: E depois não paraste mais…

I.V.: Não parei mais! Fui convidada para cantar em várias noites de Fado e em festas organizadas por várias Associações de Arouca como: a Santa Casa, a Associação de Doentes Oncológicos, o Grupo Cultural e Recreativo do Burgo, Arouteatro e o Centro Social de Burgo.

D.D.: Já cantaste noutros locais além de Arouca?

I.V.: Sim. A primeira vez que cantei acompanhada por guitarristas foi em Albergaria-a-Velha, no Clube Albergaria, em março de 2017. Mas também já cantei em Lisboa, por duas vezes, num restaurante, em Alfama. A última vez que cantei nesse restaurante, no Verão de 2018, fui acompanhada pelo guitarrista e grande amigo da Amália Rodrigues, o Sr. Carlos Gonçalves, que tive o prazer de conhecer e com quem conversei. Falou-me das vivências com a sua amiga Amália que é a minha maior referência.

E agora, também em Lisboa, mas na RTP, no ‘Grande Prémio do Fado’, no programa da tarde ‘Agora Nós’.

D.D.: Como é que decidiste avançar para este concurso do ‘Grande Prémio do Fado’?

I.V.: Eu tive conhecimento do concurso através de um fadista – Francisco Moreira – que esteve cá em Arouca numa noite de Fados, onde eu e o Simão Oliveira fomos convidados para cantar.

Pensei muito se havia ou não de me inscrever. O concurso decorria num programa em direto e eu sabia que a pressão iria ser enorme. Mas a minha família e algumas pessoas amigas incentivaram-me a participar, dizendo que seria uma experiência única.

Eu já tencionava inscrever-me no “Voice Kids”, da RTP 1, mas já há alguns anos que não fazem o programa. Então eu pensei: se não me inscrever este ano, para o ano poderá não haver concurso, tal como aconteceu com o “Voice Kids”, por isso, decidi aproveitar a oportunidade.

D.D.: Como funcionou a inscrição e a seleção dos concorrentes ao ‘Grande Prémio do Fado’?

I.V.: Tive de enviar um vídeo, com uma atuação minha, para o júri avaliar. Dias mais tarde, ligaram ao meu pai a dizer que eu tinha sido selecionada. O concurso teve dez eliminatórias e eu participei na quinta, no dia 1 de fevereiro. Cantei o fado – ‘Lisboa não sejas Francesa’, que é um fado marcha, que foi cantado pela Amália Rodrigues.

Em cada eliminatória participavam 3 concorrentes, e apenas 1 passava à semifinal, e fui eu a candidata mais votada.

D.D.: E a semifinal como correu?

I.V.: A semifinal foi no dia 14 de marco, tive mais tempo para me preparar, correu muito bem. Cantei um fado feito para a Amália, pelo seu amigo Alberto Janes – ‘Oiça lá ó Sr. Vinho’. A fadista Maria Emília que fazia parte do júri, nesse dia, elogiou o meu timbre, os meus graves e a minha dicção.

O público voltou a votar muito em mim e passei à final.

D.D.: Chegada a final a responsabilidade e a pressão era ainda maior. Como te sentiste?

I.V.: Senti isso mesmo, alguma pressão e nervosismo. Calhou na altura dos testes na escola e tive poucos dias para decidir que Fado cantar e para ensaiar. Mas, desde o início tive o apoio da minha família e dos meus amigos que me ajudaram a superar essas dificuldades.

D.D.: Em todas as fases do concurso foste sempre elogiada pelo júri pelas escolhas dos Fados. Quem escolhia os Fados que cantaste?

I.V.: Fui eu que escolhi todos os Fados que cantei. O Fado que decidi levar à final – ‘O Meu Amor Marinheiro’ – conheci-o no decorrer do concurso e foi a primeira vez que o cantei em público. Todos os outros já tinha cantado antes.

D.D.: Conta-nos, como é que soubeste que tinhas ganho o ‘Grande Prémio do Fado’?

I.V.: Foi o meu avô que me disse, ao fim da tarde de terça feira, dia 2 de abril, e no dia seguinte, pela manhã, saímos para Lisboa para receber o prémio. Fiquei sem palavras, nem acreditava. Fiquei muito feliz.

Todas as pessoas estavam ansiosas por saber, mas o regulamento do concurso da RTP não permitia que divulgássemos, antes do início do programa.

D.D.: E venceste com uma maioria esmagadora…

I.V.: Sim, com 75% dos votos. Pelas mensagens de parabéns que eu e os meus familiares receberam, sei que houver pessoas a votar em mim em todo o país, o que é muito gratificante, pois significa que gostaram da minha participação. Agradeço muito o apoio que essas pessoas me deram.

D.D.: Qual foi o prémio do concurso?

I.V.: Recebi a produção e edição de um CD e o convite para participar no festival de Fado – Santa Casa Alfama, que vai acontecer em Lisboa no mês de setembro. Também recebi o troféu de vencedor do ‘Grande Prémio Júnior do Fado’, livros e discos de Fado e bilhetes para visitar o Museu do Fado.

D.D.: E quais são os planos para o futuro?

I.V.: Vou continuar a cantar. Para já, tenho de preparar a gravação do CD e a atuação no Santa Casa Alfama. E claro, tenho de continuar os meus estudos.

Atualmente frequento o sétimo ano do ensino articulado da música. Estou a concluir o terceiro grau de Viola d’Arco, na Academia de Música de Arouca e frequento o Grupo Coral de Urrô, onde aproveito para exercitar a minha voz, pois não tenho aulas de canto.

D.D.: Para terminar, queres deixar alguma mensagem aos nossos leitores?

I.V.: Sim, quero agradecer a todos aqueles que me apoiaram e que votaram em mim, e agradecer ao Discurso Directo por esta entrevista e por ter noticiado as minhas atuações no ‘Grande Prémio do Fado’.

Aos meus familiares, professores e amigos, muito obrigado, do fundo do meu coração.

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