A associação dos Bombeiros Voluntários de Arouca comemorou o seu 42.º aniversário e assinalou o Dia Municipal do Bombeiro. O tempo foi também de evocação e mérito ao voluntariado simbolizado no Adjunto do Comando, Manuel Andrade Ferreira que, depois de 40 anos ao serviço da corporação cessa, por limite de idade, a sua nobre missão. Comandante e Presidente da Direção querem no quartel uma Equipa de Intervenção Permanente 24 horas por dia todos os dias do ano.

Crachá de Ouro para Adjunto do Comando, Manuel Ferreira.

Depois do hastear das bandeiras, da formatura e da homenagem aos que partiram – “num gesto simples, mas de profundo significado, foram colocados recentemente à entrada do Quartel dois elementos em pedra, complementares à placa de homenagem «aos que serviram a instituição e já partiram», tal como foi referido na sua intervenção pelo Presidente da Direção, Celso Portugal – houve lugar à tradicional sessão de atribuição de medalhas.

Um dos pontos altos do programa foi, no entanto, a sessão solene que ocorreu no Salão Nobre e nesta também o assinalar do Dia Municipal do Bombeiro, assim como a homenagem ao Adjunto do Comando, Manuel Ferreira, que atinge o limite de idade para o desempenho das suas funções no próximo dia 31 de maio. Face à excelência do seu trabalho, ao longo de quarenta anos, em prol dos bombeiros, e por proposta da Direção, foi-lhe entregue o crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, representada na cerimónia pelo Comandante Bruno Alves. A insígnia seria colocada pela Presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém.

Na sua intervenção o Presidente da Direção falou de um homem de “inúmeros méritos” que se caracteriza “pela dedicação, pela disponibilidade, pela responsabilidade e pelo respeito por todos”, sendo certo que para Celso Portugal, “apesar do formalismo do limite de idade para o desempenho ativo, sabemos que não deixará esta casa e continuará a fazer parte dela na sua plenitude. A mesma linha de congratulação e felicitação ao “senhor Manuel do Gamarão” foi seguida por todos os que intervieram, sendo que o Comandante dos Bombeiros de Arouca, José Gonçalves, recordou o tempo que passaram juntos e neste “os bons e maus momentos”.

Equipa de Intervenção Permanente: uma reivindicação.

Uma questão comum que atravessou os discursos do Presidente da Direção e do Comandante tem a ver com a reivindicação de que uma Equipa de Intervenção Permanente deve estar não só oito horas, de segunda a sexta-feira, mas 24 horas por dia todos os dias do ano “com o objetivo de responder ao minuto a cada ocorrência… este modelo já não é suficiente. Há necessidade de irmos mais longe” – defendeu José Gonçalves. Reconhecido a todos que contribuíram para a instalação desta equipa (Autoridade Nacional de Proteção Civil e Câmara Municipal de Arouca), Celso Portugal mostrou a importância que esse passo seja dado.

Referindo a relevância de uma comemoração comum (aniversário da instituição e o Dia Municipal do Bombeiro), Celso Portugal defendeu que tal “coloca na primeira linha das prioridades do Município uma atividade que é desenvolvida ininterruptamente, para servir as pessoas nas horas de maior vulnerabilidade, nas emergências, no socorro e no apoio na doença, mas também na proteção dos seus bens”.

O representante da Federação dos Bombeiros Voluntários de Aveiro, Nuno Coelho, deixou palavras de elogio e apreço ao laborioso trabalho dos bombeiros de Arouca quando em causa está a proteção das pessoas.

Bruno Alves, da Liga dos Bombeiros Portugueses, mostrou-se convicto de um grande futuro para a corporação evidenciado o número de crianças e jovens que participaram na formatura “bela com rigor e disciplina” – acrescentou. Reconhecendo que a Liga “tem que fazer muito mais para os bombeiros serem reconhecidos, até porque são o maior agente da proteção civil”, este dirigente defendeu mais e melhores regalias sociais para os voluntários e uma união abrangente, concluindo a felicitar a Câmara de Arouca pelo apoio que dá à corporação.

O Comandante da CONAC (estrutura responsável pela proteção civil), Brigadeiro-General Duarte da Costa, e a propósito da homenagem feita a Manuel Ferreira, enfatizou o aspeto da ligação entre o passado e o futuro e a aposta na juventude. Para si os bombeiros “são a única entidade na construção dos cidadãos fazedores do futuro”, até porque “os bombeiros estão ligados à cidadania”, sendo que na sua vertente fulcral “estão presentes onde são necessários”, sempre a “defender a vida e o património dos portugueses”. Duarte da Costa acentuou, por diversas vezes, o valor da humildade por parte de todos aqueles que servem os bombeiros.

Margarida Belém depois de felicitar a corporação pelo seu aniversário, referenciou aspetos por si julgados importantes na nobre ação dos bombeiros. Por isso agradeceu, em seu nome e em nome do povo de Arouca, o trabalho desenvolvido pelos soldados da paz. “Ficamos eternamente devedores”, disse ainda a Presidente da Câmara, que acabou a “renovar o compromisso de um parceiro próximo e comprometido”.

No final da sessão solene, os participantes tiveram oportunidade de visitar alguns melhoramentos no quartel com especial destaque para a remodelação do bar do Bombeiro.

No final da manhã houve missa solene na igreja conventual, a que se seguiu um desfile na avenida 25 de abril, a bênção das novas viaturas, culminado as comemorações com um almoço convívio.

Texto: Óscar Brandão

Manuel Ferreira: 40 anos de dedicação ao BV de Arouca. Agraciado pela Liga (crachá de ouro) e pela Direção (salva de prata entregue por Celso Portugal).

Presidente da Câmara, Margarida Belém agradeceu em seu nome e em nome dos arouquenses o trabalho dos bombeiros.

Coroa de flores depositada no monumento evocativo aqueles que “serviram a instituição e já partiram”.