Com poupa e circunstância o governo do Partido Socialista saiu à rua, na passada segunda feira, para anunciar junto dos portugueses a entrada em vigor dos chamados passes sociais.

Numa muito bem preparada manobra de propaganda, com a presença da grande família socialista, com a participação de alguns ingénuos figurantes autarcas hipnotizados, António Costa num estilo muito idêntico ao do seu mentor, José Sócrates, apresentou as grandes virtudes da sua grande medida para a economia familiar.

O compadre Jerónimo e a comadre Catarina, parceiros de António Costa, personalidades incontornáveis da gerigonça, apressaram-se a entrar no transporte público mais à mão, para reclamar a paternidade da milagrosa medida que irá resolver os grandes problemas da população portuguesa.

Não nos podemos esquecer da degradação acentuada dos serviços de transportes públicos que se tem verificado nos últimos meses, com a anulação diária de serviços derivado à falta de manutenção, avaria e falta de peças para comboios e barcos. Num período em que seria prudente a resolução urgente destes problemas, de forma a anular a significativa redução da oferta e na aposta em recuperar os padrões de qualidade de serviço prestado que se encontram nos mais baixos níveis das últimas décadas.

Nos próximos meses certamente que nos iremos entreter com a disputa da paternidade desta medida. Costa, Jerónimo e Catarina vão junto tribunal popular discutir quem é o pai da medida, o problema é quando começarem a surgir os problemas relativamente à sua aplicação, aí os parceiros da gerigonça vão rejeitar responsabilidades e o nosso vendedor de ilusões vai sem pejo e vergonha afirmar que a incapacidade da resposta e o colapso dos serviços de transporte públicos se deve ao sucesso da adesão em massa por parte das populações das grandes áreas metropolitanas.

Não discuto, pois concordo, com a necessidade e a importância de se fomentar e incentivar a utilização de transporte públicos, como forma de reduzir a nossa dependência energética dos combustíveis de origem fóssil, da redução das emissões de carbono, da melhoria na mobilidade dos centros urbanos e na redução significativa dos custos com transportes por parte das famílias. Deveria inicialmente este governo assegurar a melhoria da oferta e da qualidade dos serviços de transporte públicos às populações e depois sim aplicar medidas de incentivo na utilização dos mesmos. O Governo quer vender um produto que não é atrativo, devido a insuficiência da oferta e à falta de qualidade do mesmo.

Ao mesmo tempo, António Costa, querendo ganhar o prémio de melhor vendedor de “banha de cobra” do após 25 de Abril de 1974, e fazendo fé na êxtase coletiva com a entrada em vigor do passe social, aproveita o momento para aplicar um aumento aos preços dos combustíveis pela oitava semana consecutiva. Aqueles que não possuem alternativas, cujo acesso à utilização de transportes públicos esta vedado, são novamente penalizados com um aumento significativo dos custos de transporte.

Costa e o seu governo, à boa maneira dos governos socialistas, não estão a oferecer melhores condições para as populações, a fomentar um desenvolvimento harmonioso do país, a promover a coesão territorial, muito pelo contrário, estão claramente a acentuar as assimetrias, as desigualdades, as injustiças e a aumentar uma despesa que à imagem do que aconteceu com as famosas SCUTS, terão de ser mais dia, menos dia, suportada por todos nós.

Mas como a história recente já demonstrou por diversas vezes, o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros.

Infelizmente é esta a realidade dos transportes públicos nos grandes centros urbanos, mas também é verdade que esta medida do governo, só vai agravar as assimetrias entre os concelhos urbanos e os concelhos do interior. No meu próximo artigo de opinião vou novamente abordar esta problemática, mas num sentido mais local e regional, tentando demonstrar que para as nossas populações de Vale de Cambra, Arouca e Castelo de Paiva haverá dificuldade na aplicação dos passes sociais.

Texto de Pedro Magalhães