OPINIÃO | As palavras que nunca te direi…

Há cerca de 2 meses atrás teci neste espaço, duras críticas à forma e ao “embrulho” que o Sr. Primeiro-Ministro e o seu Ex-Ministro do Planeamento e Infra-estruturas, se aprouveram em vir anunciar aos Arouquenses a “mãe de todas as obras”. Embora pequeno, seria um passo importante para a concretização de mais uma etapa, tendo em vista a conclusão da Via Estruturante de ligação de Arouca a Santa Maria da Feira.

Com o decurso do tempo, e desde logo no seu início, verificou-se que o processo enfermava de erros básicos, nomeadamente o prazo de execução constante no aviso de concurso da obra (540 dias) e a cabimentação orçamental que seria até 2022 (4 anos civis). Efectivamente à medida que a poeira assentava foi-se verificando quase uma mão cheia de erros que nos deixa mais uma vez apreensivos e nos leva a desconfiar, se não fomos enganados novamente. Se assim foi na fase preparatória, o que virá aí?

Costuma-se dizer que de Espanha, “nem bons ventos nem bons casamentos”; aqui atrevo-me a dizer que de Lisboa, “joaninha avoa avoa”. Pois…Pois, o Ministro do Planeamento e Infra-Estruturas, tal como eu previa já se foi embora; como dizem os franceses: C’est lá vie….

Face aos últimos desenvolvimentos, tomamos conhecimento que em termos práticos, dos 23 interessados, apenas 3 apresentaram propostas, e nenhuma em situação que pudesse vir a ser admitida a concurso e, consequentemente adjudicação da empreitada.

Talvez o caderno de encargos tivesse sido feito naquela altura em que, como há dias observei, ainda estampado na retaguarda de um camião de uma empresa de Arouca “NÃO ao TGV, SIM à VARIANTE AROUCA-FEIRA”. Afinal até ao momento, nem uma coisa, nem outra.

Ademais, por este andar, embora já não sejamos os primeiros a fazê-lo, vamos ter que pedir ao Conan Osiris para não actuar no Festival da Eurovisão, em Israel.

Como nota final gostaria de deixar algumas questões: então, se os principais fundamentos/argumentos apresentados e que consubstanciam a concretização desta obra, são a melhoria dos acessos às Áreas de Localização Empresariais, e consequente melhoria da competitividade das empresas, será que não se pode pedir uma indemnização por cada dia de atraso na execução da obra? Ou pelos danos causados por erros e omissões? Ou prejuízos/custos de transporte, atrasos de entregas causados por incumprimento da(s) entidade(s) que criaram essas expectativas e não cumpriram.

Muito provavelmente, se assim fosse, as promessas começariam a ser cumpridas; trate-se de simples bom senso.

Texto de Vítor Carvalho

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