O calendário eleitoral apresenta 2019 como o ano que irá comportar três atos eleitorais: eleições europeias, eleições regionais na Madeira e, por fim, as eleições legislativas. Neste início do ano, com o desafio de Luís Montenegro a Rui Rio, poderíamos ter mais umas eleições, algo inesperadas, no Partido Social Democrata. A verdade é que Rui Rio se legitimou, através de uma moção de confiança no Conselho Nacional do PSD, após toda a atenção mediática dos momentos que antecederam o conclave social-democrata que espevitaram o partido. Luís Montenegro mostrou coragem e disponibilidade para a causa pública, reafirmou-se como um político desprendido e com vocação para poder vir a ser o líder do PSD. E concordo com o que referiu na sua declaração, o conseguir acordar “um gigante adormecido”. De facto, o PSD precisa de estar forte e expedito para poder ser a oposição credível que o país necessita ao Governo do PS, suportado pelo PCP, BE e PEV, e poder aspirar a vencer e a governar Portugal.

Ao olharmos com atenção para a situação do país, não nos são indiferentes algumas notícias que nos fazem crer que, de facto, essa oposição consistente, coesa e credível é deveras necessária. Recentemente, o Jornal Económico, numa peça jornalística intitulada “quatro dias, quatro equívocos, contradições ou momentos insólitos do governo”, dava nota dos sucessivos sinais de desorientação do executivo nos últimos dias. Desde o fim anunciado dos carros a diesel (reiterado recentemente pelo Ministro Matos Fernandes), até à reversão do fim gradual das propinas no Ensino Superior (afinal “altamente populista”), passando pela nomeação da Diretora-geral das Artes (exonerada no mesmo dia) e pelo inusitado tipo (e tom) da intervenção de António Costa na resposta à interpelação de Assunção Cristas no Parlamento (a propósito dos incidentes ocorridos no Bairro da Jamaica no concelho do Seixal) são claramente motivos de preocupação e que sustentam a atenção dos portugueses para a oposição e para outras alternativas governativas. Se a isto juntarmos os episódios protagonizados pelas sucessivas administrações da Caixa Geral de Depósitos, cujos resultados da auditoria realizada foram agora descobertos, estes acabam por levar ao descrédito da classe política, o que devemos impedir de forma a não darmos azo aos populismos desmedidos que em nada contribuem para o fortalecer de uma democracia sólida e coesa que todos desejamos.

Não queremos, até no que toca ao nosso município, noticias como a prorrogação do prazo para concorrer à segunda fase da Variante geradoras de temerosos esclarecimentos por parte do executivo camarário. Porque nós, arouquenses, estamos um pouco cansados de eventos mediáticos carregados de pompa e circunstância, estamos fartos de estar sujeitos a vários processos burocráticos e a sucessivas desculpas para uma obra que tarda em chegar por mais que nos seja transmitido que “é desta”. Ainda recentemente, o município de Arouca aceitou a delegação de competências do estado central em seis áreas e recusou as relativas às estradas. Naquela que é uma das grandes reformas do atual Governo, é com apreensão que vemos o executivo camarário querendo como que ilibar-se de responsabilidades e desculpabilizar-se no que às estradas diz respeito. Quero, sinceramente, acreditar nas várias razões apresentadas, na estratégia comum com todas as forças vivas do concelho, com o objetivo maior que passe, para além da promoção de Arouca, pela melhoria da qualidade de vida de todos os arouquenses que aqui residem, que aqui trabalham, dos muitos empresários que hoje aqui geram e mantêm empregos e de todos aqueles com vontade de aqui investir e que, por via disso, proporcionarão condições para atrair mais população que para cá se mude, que passe a ter necessidade e gosto de aqui residir.

Texto de Artur Miler