A Europa vive momentos de incerteza, o Brexit, a problemática das migrações, a tentativa de imposição de impostos europeus e a ascensão de movimentos extremistas poderão fragilizar os alicerces do projeto europeu.

Com mais ou menos dificuldade, com mais ou menos cedência entre as partes, acho que é inquestionável que o Reino Unido sairá da União Europeia nos próximos meses. O Brexit é um rude golpe para a manutenção do projeto europeu, e poderá vir a ser um tiro de partida para que outros estados venham a seguir o mesmo caminho.

Não nos poderemos esquecer que a génese da União Europeia, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço permitiu a cooperação entre os seus estados membros, e fomentou uma forte solidariedade entre os estados membros que garantiu estabilidade e a paz na Europa Ocidental desde o fim da segunda guerra mundial.

Ao longo das últimas décadas foram muitos os países que aderiram a este projeto europeu, fortalecendo o mesmo e progressivamente alargando a sua ação para os mais variados campos da ação política. Foram assumidos passos sólidos para a coesão deste projeto europeu e consequentemente para a manutenção da paz dentro das fronteiras.

Sempre defendi que o projeto Europeu só seria reforçado se fosse respeitador das especificidades de cada um dos Estados membros e que não deveria haver a tentação de criar uma Europa de regiões.

As migrações e a forma como a Europa está a lidar com a situação, poderá vir a criar um grave problema na estabilidade política e o incremento de movimentos extremistas ou protecionistas. Concordo que a Europa deverá ser solidária com os problemas humanitários existentes nos países islâmicos, concordo como cristão que se deverá ajudar a proteger as vítimas dos conflitos existentes nesses mesmos países, mas não poderei concordar que com o pretexto de questões humanitárias se abram totalmente as fronteiras e se permita a entrada no espaço europeu não apenas das vitimas, mas também de muitos extremistas islâmicos. Concordo, dentro das nossas possibilidades, com o acolhimento de todos aqueles que fogem da guerra e que estejam disponíveis para respeitar as tradições e a cultura dos diferentes estados da Europa. Não concordo e não aceito que aqueles que de forma solidária recebemos pretendam impor na Europa a sua cultura e tradições. Compreendo a opinião de muitos que demonstram o seu ceticismo relativamente à forma que se está a abordar esta situação e partilho em muitos casos as preocupações que os inquietam. Acolher de forma solidária sim, dentro das possibilidades de cada um dos estados e a partir do momento que os acolhidos estejam disponíveis para aceitar as nossas leis, culturas e tradições.

Ao mesmo tempo certos sectores políticos desta Europa pretendem de forma dissimulada criar impostos europeus, e de progressivamente consolidarem as suas intenções da criação de um Estado Federal da Europa. Já há por cá quem se entusiasma com a possibilidade de Portugal se transformar numa região da Europa e deixar de ser um Estado Nação.

No dia 26 de Maio cada um dos portugueses antes de tomar a decisão do seu voto para o Parlamento Europeu, deverá analisar o que cada um dos partidos concorrentes defendem relativamente à Europa. O futuro da Europa e de Portugal deverá ser um o reflexo do que cada um de nós pensa e jamais o resultado de um voto como se fosse a opção por um clube de futebol.

Texto de Pedro Magalhães