OPINIÃO | Balanço de 2018

O ano de 2019 chegou e, com ele, renasce a esperança em cada um de nós para que seja um ano repleto de conquistas sociais, pessoais e profissionais. Mas, ao mesmo tempo, não podemos deixar de realizar um pequeno balanço do que ocorreu, quais os protagonistas e acontecimentos locais, nacionais e internacionais que marcaram os 365 dias do ano de 2018. Em anterior crónica neste jornal, já fiz uma espécie de balanço sobre o acontecimento e figura que, de certa forma, marcaram o contexto local. Assim, numa espécie de continuidade dessa análise, proponho-me enaltecer as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais que, na minha ótica, marcaram o ano transato.

No que respeita ao contexto internacional, sendo certo que só agora em 2019 começou a governar, a verdade é que depois da surpreendente e inusitada vitória de Donald Trump nos Estados Unidos da América, surge um novo protagonista a que teremos de dar também uma atenção especial, até pelos laços afetivos que nos unem com o Brasil: Jair Bolsonaro. Registe-se, a propósito, que será sempre com alguma desconfiança que constatamos os resultados de umas eleições tão bipolarizadas, mas conforta-me que Portugal, através do Presidente da República, tenha bem presente a importância que o Brasil teve, tem e terá para muitos portugueses e que será sempre mais o que nos une do que aquilo que nos separa. Ainda no contexto internacional, o acontecimento que marcou, no meu entender, o ano de 2018 foram as manifestações dos coletes amarelos em França. Tal acontecimento teve, inclusivamente, repercussões em Portugal, com uma tentativa falhada dos “nossos” coletes amarelos que mais não fez do que cumprir a velha máxima: a cópia é sempre pior do que o original. Tanto o Brasil como a França são países que nos dizem muito, daí não ser indiferente o interesse e o destaque que ocupam no nosso espaço informativo, tendo sempre em mente que devemos retirar as ilações necessárias para uma ação política que beneficie os nossos concidadãos que por lá habitam e trabalham e que merecem a nossa maior atenção para que continuem a beneficiar de uma política externa consciente e atenta.

No plano nacional, creio que o roubo de Tancos marcou definitivamente o ano civil. Uma história rocambolesca ocorrida ainda em 2017, com contornos estranhos que em nada dignificam o Estado Português, e que ainda ansiamos por respostas. Creio que o ano de 2019, com uma nova Procuradora-Geral da República, será muito importante para o Ministério Público continuar a recolher provas sérias e inequívocas para podermos definitivamente saber o que ali se passou e, de uma vez por todas, erradicar as dúvidas e suspeitas sobre os vários atores envolvidos e evitar, desse modo, aquilo que aconteceu com o caso vistos gold – a absolvição do antigo ministro Miguel Macedo e do antigo diretor do SEF que, com aquele processo, viram as suas vidas seriamente prejudicadas. E, com essa clarificação, se ajude as nossas Forças Armadas no reforço do seu prestígio e no reconhecimento do seu papel fundamental no nosso País e no contexto internacional, com claro destaque para a NATO. Já a figura que marcou, no meu entender, o plano nacional, foi Bruno de Carvalho que ocupou e dominou, pelos piores motivos, uma grande fatia da atenção mediática do país. A epopeia do antigo presidente do Sporting será uma importante lição para o futuro no que ao deslumbramento pelo poder diz respeito, ao mesmo tempo que nos elucida e alerta para a posição institucional e para a carga simbólica que estão inerentes ao titular de um cargo como o que ele desempenhou.

A todos os leitores do Discurso Directo, um Bom Ano.

Texto de Artur Miler

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