Segundo o Ministério da Saúde, vão passar a ter consultas de saúde oral mais Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), sendo objectivo da tutela atingir 80% desta rede – agendado para 2017 e 2018 – ainda este ano. O Centro de Saúde de Arouca deverá ser um dos primeiros a arrancar com um médico dentista. O projecto-piloto que tem estado a ser desenvolvido no Alentejo e Lisboa envolve ativamente dois arouquenses que o DD ouviu.

A medida foi implementada durante o ano de 2016 em treze centros de saúde, em Lisboa e no Alentejo, onde num deles – em Montemor-o-Novo – actua o médico dentista Artur Miler, natural de Arouca, precisamente um dos conferencistas, convidados pelo Ministério da Saúde que participou na sessão solene de comemoração do Dia Mundial da Saúde Oral, que decorreu esta segunda-feira em Lisboa.

Artur Miler – que testemunhou como é “ser médico dentista nos cuidados de saúde primários” – considera que “esta integração no Centro de Saúde é um ‘upgrade’ necessário e vital para a melhoria da qualidade de vida dos utentes”.

Conseguimos chegar àqueles inúmeros utentes com mais dificuldades financeiras, com maior grau de exclusão social e cultural, para que possam aceder a cuidados de medicina dentária, beneficiar a sua saúde oral, a sua saúde geral e a sua qualidade de vida”, diz, salientando a importância da saúde oral no âmbito da saúde em geral.

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Entre Douro e Vouga I – Feira/Arouca será uma das instituições que garantirá a prossecução do programa. De referir que é arouquense o atual diretor; António Alves.

Dos mais acérrimos defensores da inclusão destes cuidados nos centros de saúde, está também o arouquense André Almeida, membro do Conselho Geral da Ordem dos Médicos Dentistas. Este médico integrou o grupo de trabalho que estudou e preparou o projecto-piloto inicial para a inclusão de médicos dentistas no SNS, fruto, sobretudo de um projecto inovador de medicina dentária, que impulsionou na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa onde exerce a sua prática clínica.

Este passo é mais um passo para a melhoria da saúde dos portugueses e para que se possa cumprir um desígnio da nossa Constituição: a “universalidade e equidade no acesso aos serviços de saúde””, afirma André Almeida.

O Governo, no seu programa para a saúde, estabelece como prioridade, expandir e melhorar a capacidade da rede dos cuidados de saúde primários, através designadamente da ampliação da cobertura do SNS na área da saúde oral.

Considera-se assim, fundamental, recuperar “a centralidade nos cuidados de proximidade, diferenciando a sua capacidade resolutiva e aumentando a confiança dos utentes neste nível de cuidados”, nomeadamente em áreas onde tem existido menor investimento.

O Plano Nacional de Saúde define como um dos seus eixos prioritários a equidade e o acesso adequado aos cuidados de saúde, propondo recomendações estratégicas, designadamente no reforço do acesso das populações mais vulneráveis aos serviços de saúde.