A Câmara Municipal de Vale de Cambra celebrou no passado dia 10 de fevereiro, os 503 anos da atribuição do Foral à Terra de Cambra. Durante a manhã, o presidente da Assembleia Municipal, Rui Leite, e a vereadora da Cultura, Daniela Silva, assistiram às cerimónias comemorativas realizadas em conjunto com a Freguesia de Macieira de Cambra e com a Escola EB1 da Praça.

Os alunos da EB1 da Praça desfilaram pelas ruas de Macieira de Cambra, vestidos à época, recriando os momentos de alegria e festa vividos pela população aquando da atribuição do Foral. No final, procedeu-se à deposição de uma coroa de flores e ao lançamento de balões para assinalar a data festiva.

De seguida, a comitiva dirigiu-se para o Museu Municipal onde inaugurou a exposição “Caaymbra”, onde é possível saber tudo sobre o contexto e o desenrolar de acontecimentos no País, enquanto Cambra via ser-lhe atribuído um Foral.

Ao início da noite realizou-se, na Biblioteca Municipal, uma tertúlia que assinalou a inauguração da exposição “Ligações e Factos Monásticos”, evento que marcou o encerramento das comemorações dos 503 anos de Foral.

Rui Leite, presidente da Assembleia Municipal de Vale de Cambra, referiu ao longo da sua intervenção a importância de assinalar determinadas datas e momentos históricos para a preservação na memória. “Há datas que não podemos deixar de fazer memória através dos tempos, pelo significado e pela pedagogia que comportam. A atribuição do Foral à Terra de Cambra é uma dessas datas, pelo que, tudo temos que fazer para evitar que se percam no tempo ou caiam no esquecimento”. O presidente da Assembleia Municipal chamou ainda a atenção para o significado do momento histórico que foi a atribuição do Foral à Terra de Cambra: “por um lado o reconhecimento da capacidade das nossas gentes de se organizarem em comunidade. Representa o chegar a um estádio superior, a um estádio de maior idade, assim como representa uma esperança de um acelerar da produção de riqueza, de produtividade, a acontecer nas nossas terras, o que contribui para o bem-estar e qualidade de vida de toda a nossa população. Por outro lado, representa também um momento libertador. Um momento que liberta a população do poder discricionário do senhor feudal, em que o poder passa para um concelho de vizinhos com a sua própria autonomia municipal”, afirmou.

Também Daniela Silva, vereadora da Cultura, destacou a enorme importância das comemorações dos 503 anos da atribuição do Foral à Terra de Cambra, “como forma de manter vivas as origens e a história do nosso concelho. A iniciativa reveste-se de especial importância quando envolvemos as nossas crianças, transmitindo-lhes de uma forma lúdica e interativa as memórias de um passado longínquo, mas que acreditamos que os ajudarão, no futuro, a manter vivas as tradições que consideramos ser fundamentais para a construção da memória coletiva de um concelho”.

Recuando 500 anos na história

Foi há 500 anos que D. Manuel, o Venturoso, entregou o Foral às Terras de Cambra. Foi no ano de 1514 que a terra se tornou Concelho e passou a ser reconhecida, valorizada e uma mais valia para a Coroa. O Foral de Cambra é um documento precioso para se erguer a história do Concelho. Este permite saber que nos finais da idade Média, princípios da Idade Moderna, a Terra de Cambra vivia um período de crescimento, por isso, uma parte do foral contempla os lugares novos que se estavam a povoar e a desenvolver. Por outro lado, esclarece sobre as atividades em que se ocupavam os antepassados residentes em Cambra.