Robert Sherman, Embaixador dos EUA, esteve na passada segunda-feira, dia 9 de janeiro, em Vale de Cambra, para conhecer a Associação Museu/Biblioteca Dr. Manuel Luciano da Silva. Nesta primeira visita a Portugal, o Embaixador falou sobre as “qualidades” do nosso país, afirmando que tenciona voltar.

A visita começou no edifício do Paços do Concelho, onde Robert Sherman foi recebido por José Pinheiro, presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra e restantes membros da autarquia.

Durante o período de discursos, José Pinheiro começou por dar as boas vindas ao embaixador e falar um pouco da cidade de Vale de Cambra. Evidenciou a baixa taxa de desemprego e enumerou alguns dos sectores de atividade mais significativos, tais como, os laticínios, a indústria das embalagens metálicas, dos plásticos, a produção de vinho verde e “muitos outros setores que se afirmam como verdadeiros embaixadores da região”. Elogiou também a “capacidade criativa, dedicação, motivação, dinamismo, empreendedorismo e inovação das gentes de Vale de Cambra” e mostrou-se desiludido por, devido à falta de tempo, “não ser possível dar-lhe a conhecer algumas empresas da cidade”.

O presidente da autarquia, destacou ainda “o enorme contributo de Manuel Luciano da Silva na investigação e divulgação do papel dos portugueses na história da humanidade, bem como para o estreitamento de relações entre Portugal e os EUA” e referenciou alguns aspetos mais relevantes da biografia do investigador Luciano da Silva.

Seguiu-se Robert Sherman que começou por dizer que sente um grande apreço por Portugal, destacando a inovação, o empreendedorismo e a indústria valecambrense. “Tal como um dia Portugal descobriu o mundo (através de Vasco da Gama), o mundo está agora a descobrir Portugal”, afirmou o embaixador, sublinhando as oportunidades que o país proporciona e destacando nomes de alguns dos portugueses mais influentes no mundo, como é exemplo António Guterres, intitulado por Sherman “grande líder”.

O Embaixador revelou ainda a conexão que tem com Manuel Luciano da Silva e mostrou ser conhecedor do trabalho do médico, investigador e historiador, já que viviam a dez minutos de distância, em Massachusetts. “Conheço o trabalho de Manuel Luciano da Silva e a história dos portugueses. Estou feliz por ser o primeiro representante da embaixada a visitar Vale de Cambra e fica a promessa de que não será a última”.

A visita prosseguiu depois na Associação Museu/Biblioteca Dr. Manuel Luciano da Silva, onde Robert Sherman pôde conhecer as instalações da sede da Associação, em Cavião, local onde está reunido grande parte do espólio do investigador valecambrense.

Texto de Andreia Borges

Manuel Luciano da Silva

Manuel Luciano da Silva nasceu na aldeia do Cavião, em Vale de Cambra, a 5 de setembro de 1926. Médico de grande prestígio formado com distinção pela Universidade de Coimbra dedicou a sua vida à investigação, à Medicina, à História, mas, sobretudo, à divulgação da importância dos portugueses na história da humanidade. Como investigador e historiador deixa vasta obra publicada e foi o descobridor das primeiras provas documentais encontradas sobre a nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colon, na Biblioteca do Vaticano. Foi condecorado com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 1968 e com o Grau de Comendador da Ordem de Mérito em 2011. Residente nos Estados Unidos, desde 1958, liderou inúmeras instituições ligadas a Portugal e foi o motor da construção do “Museu da Pedra de Dighton”, em Massachusetts, dedicado às explorações e descobertas lusitanas nos séculos XV e XVI e que comprovam terem sido os portugueses os primeiros europeus a colonizar o continente americano. Manteve durante mais de 30 anos programas semanais regulares em canais de Rádio e Televisão de língua portuguesa nos Estados Unidos. Dava quinzenalmente Consultas Médicas por videoconferência para as populações de Vale de Cambra. Alguns dos seus livros, nomeadamente sobre a Pedra de Dighton e sobre Cristóvão Colon, bem como o conhecido trabalho na área da medicina “A Electricidade do Amor”, todos publicados tanto em português como inglês, esgotaram várias edições. O cineasta português Manoel de Oliveira realizou um filme sobre a sua vida e obra, premiado na Bienal de Veneza em 2008.