As pessoas como as instituições têm corpo e alma. Sobretudo um rosto que fica para toda a vida. E nós, em Arouca, se pensarmos na Cooperativa Agrícola dificilmente deixaremos de lhe associar Telmo Pato, que durante mais de quarenta anos presidiu aos seus destinos. Foi o rosto e a alma dum organismo, que alguns sonharam no longínquo ano de 1944 e começou a laborar, em pleno, depois de ultrapassados inúmeros obstáculos, quase dez anos mais tarde, em 1953. Com nome de Cooperativa Agrícola dos Produtores de Lacticínios de Arouca, tinha como grande objetivo intervir num sector fundamental para a economia dum concelho agrícola e a sustentabilidade de numerosas famílias. Após o 25 de Abril, herdeira natural do antigo Grémio da Lavoura, a Cooperativa tornou-se mais abrangente e com a força dos seus associados a renovada Cooperativa Agrícola de Arouca chegou até aos nossos dias.

Mas recordar hoje e aqui Telmo Pato e a «sua cooperativa» é sinónimo de tristeza mais que uma questão de justiça. Porque Telmo Pato deixou-nos, partiu. Deixa uma obra e uma herança que nunca será esquecida. Assim as novas gerações saibam dar continuidade a esse sonho que um punhado de homens abraçou em momentos difíceis.

Presidente da Cooperativa de 1965 a 2006, Telmo Martingo de Oliveira Pato primou sempre pelo rigor e estabilidade social e económica do organismo a que presidia, a base do êxito que lhe é reconhecido. Também presidiu à direcção da Lacticoop, de 1976 a 1989, ao seu Conselho Fiscal e à Assembleia Geral a partir de 2002. Foi agraciado com a Comenda de Mérito Agrícola e a Lacticoop prestou-lhe, em Aveiro, uma merecida homenagem em que estiveram presentes, funcionários e representantes das diversas cooperativas. Também há cerca dum ano os seus colaboradores mais directos na Cooperativa Agrícola de Arouca se reuniram para homenagear o líder dum projecto que no dizer do próprio Telmo Pato «é um monumento ao homem do campo, por suas mãos construído e por ele legado como testemunho às gerações do futuro». Os tempos são outros, mas permanece esta militância, este exemplo dos que sofreram e lutaram para desbravar as encostas e os vales duma terra tal como a conhecemos. A única forma, o único meio de garantirem o seu sustento.

Telmo Martingo de Oliveira Pato era natural da freguesia de Moldes, onde nasceu a 23 de Março de 1936, filho de Manuel Pato e Oliveira, professor do antigo Ensino Primário e de D. Mafalda Reimão Martingo. Era casado com a professora D. Maria Adriana da Conceição Moreira. Professor de formação, como seu pai, Telmo Pato exerceu a atividade profissional durante muitos anos, nas escolas da vila.

O funeral de Telmo Pato realizou-se na manhã de terça-feira, dia 22 de Novembro, da capela da Misericórdia para o cemitério da vila. E foram muitos que lhe quiseram prestar uma última homenagem, incluindo autarcas, antigos colegas de profissão, dirigentes, colaboradores, muita gente anónima, familiares e amigos.

Durante muitos anos foi o rosto mais visível da Cooperativa Agrícola. Telmo Pato partiu, mas a obra fica. Preservá-la, engrandecê-la, se possível, é a melhor homenagem e o único caminho.

Companheiro de várias lutas, resta acrescentar umas breves palavras de carácter pessoal e intimista: adeus amigo. Até um dia…

A.B.