OPINIÃO | Um encontro hodierno

Há algum tempo li uma história muito interessante, com uma grande atualidade. Não consigo identificar o seu autor. É mais ou menos a seguinte: um dia a verdade e a mentira conheceram-se. A mentira, por sua vez, disse à verdade que estava um dia muito bonito. A verdade olha à volta dela e levantando os olhos para o céu, concordou que o dia estava realmente bonito.

Caminharam durante algum tempo até chegar à frente de um lago. Pararam e a mentira disse à verdade: “a água é muito agradável, vamos tomar banho em conjunto!”

A verdade, mais uma vez desconfiada, tocou na água. Disse que estava realmente muito agradável. Despiram-se e foram nadar. De repente, a mentira saiu da água, vestiu as roupas da verdade e fugiu. A verdade saiu do poço e correu por todo o lado para encontrar a mentira e recuperar as suas roupas.

O mundo, vendo a verdade toda nua, virou um olhar com desprezo e fúria.

A pobre verdade, cabisbaixa, voltou para o lago e desapareceu para sempre escondendo a sua vergonha.

Desde então, a mentira viaja por todo o mundo vestida como a verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade e o mundo não quer em nenhum caso ver a verdade nua.

Esta pequena narrativa, no meu ponto de vista, é um espelho da nossa sociedade. Posso estar errado, mas sinto que as pessoas, na sua grande maioria, apreciam isto. Não levem a mal de expressar o meu sentimento, mas atrevo-me a dizer que até gostam de ser enganadas!

Tem vindo a acontecer um conjunto de coisas muitas más em Portugal, quer a nível central quer a nível local e as pessoas ficam calmas, serenas como se nada tivesse acontecido, como se nada tivessem a ver com isso.

Alguns exemplos: os grandes incêndios do ano passado. Se não fosse o Sr. Presidente da República visitar por diversas vezes as zonas destruídas, provavelmente essas populações estariam esquecidas; foram lançadas dúvidas sobre os donativos para ajuda…! O roubo das armas de Tancos. Assemelha-se a uma história de meninos. Estou convencido que os meninos são bem mais responsáveis. Aparenta valer tudo e ninguém é responsabilizado. Mais uma vez se não fosse o Presidente Marcelo o caso iria ficar esquecido. Onde está a população a denunciar corajosamente e exigir a verdade? Não está! Mas a vida continua a doer.

Na minha terra, Vale de Cambra, foram prometidas muitas coisas por quem continua a gerir o concelho que, passado um ano, não vejo acontecer. Lembro apenas uma: “desmatação das faixas definidas na lei.” A lei é bem clara. É da responsabilidade da Câmara limpar 10m de cada lado das faixas das estradas camarárias alcatroadas. Estamos em outubro e muito pouco ou quase nada foi limpo. Do pouco que foi limpo, saliento a ação dos particulares.

Deixo um convite aos Srs. Presidentes da Câmara e de Junta de Cepelos: façam o trajeto até à Felgueira de Arões, inclusive, com dois excelentes restaurantes. Reparem em duas coisas: primeira, como estão as valetas; segunda, os refletores sinalizadores acabaram?

Enfim!

Texto de Carlos Matos 

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