OPINIÃO | Um CONCERTO…

Na primeira noite da Feira das Colheitas, fez-se música com identidade. Intitulou-se “Concerto da Comunidade”, mas na realidade foi muito mais do que isso. Foi um momento ímpar, culminar de um processo também ele único.

Tenho como principio valorizar os processos e, os resultados assumirem a maior ou menor importância em conformidade com o que, ao longo do percurso, se aprendeu, deu, recebeu, partilhou, cresceu.

Na vida, tão ou mais importante que os resultados, é o que se fez, trabalhou, usou para os obter. Acredito no valor do trabalho, esforço, espírito de sacrifício e para mim, os fins só por si não justificam os meios.

Este trabalho, inteiramente desenhado e trabalhado pelas pessoas de Arouca, com a orientação dos artistas António Serginho e Sara Yasmin, refletiu a rica herança cultural Arouquense. Foi possível reunir vários grupos (Conjunto Etnográfico de Moldes, Rancho da Casa do Povo de Arouca, Grupo de Cantadeiras de Adaúfe, Grupo Etnográfico de Fermedo, Comissão de Melhoramentos de Souto Redondo o Grupo de Cantas de Santa Maria do Monte e algumas vozes individuais) na construção de um espectáculo digno de apresentar em qualquer palco do país.

Teve o condão de juntar vários grupos com mesmo objectivo e que resultou num concerto de alto nível.

Teve a singularidade das letras e músicas serem construídas pelas próprias pessoas, buscadas no imaginário colectivo, num movimento de identidade cultural a exaltar.

Mostrou que quando queremos, juntos fazemos melhor, juntos conseguimos fazer “o melhor”.

Claro exigiu muito trabalho, empenho, espírito de sacrifício de todos os intervenientes. Ensaios no final de um dia de trabalho, até horas tardias tiradas ao sono. Partilha de experiências, desafios, discussões, disponibilidades e disposições. Exalto o conseguido, mas imagino que a maior conquista foi o que cada um conseguiu para si mesmo ao fazer parte desta aventura.

Pena é que, esta obra de arte, não tenha tido o acolhimento merecido e muitas pessoas por distracção, desconhecimento ou ignorância, não tenham compreendido o seu valor.

Uma advertência: Também a continuidade e persistência são princípios fundamentais. Assim, espero que esta iniciativa, este processo construtivo e criativo não fique por aqui. Sinceramente, espero que haja uma continuidade, mesmo que isso implique ter custos económicos que impeçam a contratação de um cantor “pimba” qualquer, numa próxima Feira das Colheitas ou outra festa qualquer.

Texto de Vítor Carvalho

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