A Feira das Colheitas continua jovem aos 74 anos

Fotos: Carlos Pinho

A sofrer de algumas maleitas, graves e já bem identificadas, a Feira das Colheitas mesmo assim continua jovem e a mostrar que ainda é o evento que traz mais gente a Arouca num único fim-de-semana.

Com o bom tempo a ajudar, fruto deste verão prolongado, o que quase nunca acontecia no passado, a grande romaria teve o seu ponto alto no sábado à noite e no domingo de tarde com uma autêntica multidão, incluindo muitos jovens, direccionada, sobretudo, para os produtos da terra com a gastronomia regional em grande destaque. Pode-se dizer, sem margem para errar, como já se afirmou no último jornal, que os grandes «cabeças de cartaz», como sempre, estão cá. Resta saber aproveitá-los. O que não está a acontecer, por exemplo, com a exposição de produtos agrícolas, incluindo frutas, nitidamente depauperada. O mesmo acontece com o artesanato. Resta uma imagem muito pobre das grandes exposições de anos atrás. Algumas que fizeram história pela sua riqueza e originalidade. A este nível e não só, porque os tempos são outros e é preciso inovar, Arouca está ali muito mal representada.

São precisas novas iniciativas e trabalho. Ao longo do ano.

A feira e a festa

De qualquer modo, a grande feira andou por aí a reinar. Não faltava que comprar. Muitas coisas da terra, algumas bem emblemáticas, outras importadas. Mas o primeiro momento alto, a fazer jus ao que de melhor aconteceu muitos anos atrás, foi logo no primeiro dia, quinta-feira, o Concurso Nacional da Raça Arouquesa, da responsabilidade da Cooperativa Agrícola de Arouca. Ali, junto a S. Pedro, podiam-se ver muitos e belos exemplares, na esmagadora maioria vindos de concelhos vizinhos já que por estes lados (mas este é um tema a ser tratado noutra ocasião e outro lugar) os incentivos são raros e a preservação da raça se resume a pouco, muito pouco, ou a uns ténues fogachos. Ainda uma referência para o novo local do concurso que, com alguns melhoramentos, nos parece dos mais adequados.

Seguiu-se o desfile na Avenida, na parte da tarde, e este foi, sem dúvida alguma, um dos momentos em que a Feira das Colheitas se mostrou no seu velho esplendor e plena de virtualidades.

No primeiro dia à noite houve ainda, o chamado Concerto da Comunidade, com a presença de grupos do cancioneiro tradicional. Uma iniciativa bem integrada no espírito da feira até pela sua originalidade.

O almoço convívio dos sócios da Cooperativa Agrícola continuou a marcar a sexta-feira, seguindo-se a entrega de prémios. À noite houve baile e na Praça actuou Miguel Araújo.

No sábado registou-se a primeira grande enchente vinda de muitas léguas em redor com o trânsito amontoado, policiamento insuficiente e falta de locais para estacionar. Na Praça actuaram, à tarde, as bandas de Arouca e Figueiredo. Quanto às chegas de bois e carneiros não têm qualquer tradição em Arouca e não fazem qualquer falta ao certame. Bem pelo contrário… Não acrescentam nada. Muito menos nos tempos que estamos a atravessar. À noite a Banda de Arouca teve a companhia da de Alvarenga e no Parque Milénio, para gente com outros gostos actuaram, os DAMA.

O domingo voltou a ser o dia de outras grandes referências da Feira das Colheitas: Desfile Etnográfico, Cortejo dos Açafates, que no passado serviu para apoiar o hospital, folclore à tarde e à noite na Praça. Uma dezena de ranchos do concelho fizeram recordar a Feira desde há 74 anos em toda a sua originalidade.

A fechar os dois principais dias de festa o tradicional fogo-de-artifício, com a particularidade de no domingo ser lançado em três lados o que o tornou ainda mais espectacular. Quanto ao fogo preso, obrigatório no passado, continua a ser apenas uma saudade.

E agora até ao ano. Com a certeza da Feira das Colheitas ser ainda a “festa das multidões” e merecedora dum carinho muito especial. Das gentes de Arouca e de todos os que se deslocam obrigatoriamente a Arouca no último fim-de-semana de Setembro desde há muitos anos.

Porque vale a pena e há sempre algo que é preciso recordar. Até para matar saudades.

Sugestões e reparos

A exposição bem conseguida no celeiro do Mosteiro sobre o azeite recorda-nos um património ameaçado. Porque não adquirir, como já foi hipótese no passado, um dos velhos lagares abandonados para Museu Etnográfico?

Os concursos foram as traves mestres dum novo desenvolvimento e incentivos aos grandes produtores. Seria boa ideia divulgar atempadamente o seu valor. Afinal, quanto se gasta ou gastou? Enfim, apostar a sério nesta área, mesmo que se abra mão dum «artista consagrado».

Quanto a reparos são muitos, embora a Feira das Colheitas seja sempre o êxito que desde a primeira hora existe no seu âmago. Policiamento insuficiente: não basta incluir uma empresa privada, falta de estacionamento, exposições a que já fizemos referência em declínio ou depauperadas. Já agora, faz pouco sentido aquela tenda a entupir a rua Abel Botelho. Além disso, em caso de urgência, até se pode tornar perigosa.

De resto, é tempo de começar a trabalhar. Está aí à porta o novo ano…

O balanço de Margarida Belém, presidente da Câmara Municipal

O balanço da mais recente edição da Feira das Colheitas é francamente positivo. Celebrámos com orgulho e alegria as nossas tradições e a nossa identidade, dando-as a conhecer às largas centenas de visitantes que por estes dias acorreram ao nosso município. Mas esta foi também uma festa feita pelas nossas gentes e para as nossas gentes, pelo que foi com orgulho que vi arouquenses de gerações várias a manter vivo este evento que celebra a nossa matriz rural. Estamos agora já a pensar na edição de 2019 em que iremos celebrar, em grande, os 75 anos deste que é o nosso maior e mais relevante evento concelhio.”

Foto: CMA

Almoço da Cooperativa foi um dos mais participados de sempre

Realizado na sexta-feira, dia 28 de setembro, pelas 12h30, no Hotel S. Pedro, o almoço-convívio entre os sócios da Cooperativa Agrícola de Arouca foi um dos maiores de sempre.

Nesta festa celebramos a colheita dos frutos, e o trabalho conjunto, em que a união de todos os presentes e as entidades que representam é uma mais valia para a Cooperativa Agrícola de Arouca, para o concelho e, fundamentalmente, para os nossos agricultores nos tempos difíceis que o setor está a atravessar. Mas juntos seremos mais fortes. Sendo a Cooperativa Agrícola de Arouca maior associação do concelho, gostaríamos de continuar e se possível aumentar as parcerias”, afirmou Joaquim Reis, presidente da Cooperativa Agrícola de Arouca, na hora dos discursos.

Margarida Belém também marcou presença e referiu que não há “nada melhor do que abrirmos a Feira das Colheitas comemorando com aqueles que deram início à Feira das Colheitas. Estamos a comemorar os 74 anos daquela que é sem dúvida nenhuma a nossa grande festa, a nossa identidade, com muito orgulho da nossa ruralidade e isso só seria possível porque os agricultores são peças fundamentais no desenvolvimento agrícola do nosso território”.

Neste almoço foram ainda entregues os prémios dos diversos concursos organizados pela Cooperativa.

Desfolhada
Venda de produtos agrícolas
Atuação das Bandas
O Secretário de Estado das Autarquias Locais esteve na abertura

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