OPINIÃO | Rentrée

O termo rentrée entrou no léxico jornalístico português e simboliza o regresso dos partidos políticos e seus respetivos líderes ao ativo após o período sazonal de Agosto. Muito por culpa do misticismo associado à Festa do Pontal realizada em terras algarvias, o referido termo foi, e é ainda, tradicionalmente ligado ao PSD mas, na verdade, todos os principais partidos procuram nesta altura marcar a agenda mediática nacional com soundbytes e propostas que mobilizem eleitorado para o ano que se aproxima. Ainda mais a atenção esteve centrada nestes eventos quando estamos a entrar no último ano de uma legislatura, já de si inédita, com umas eleições europeias em Maio antes das famigeradas eleições legislativas.

Se a Festa do Pontal, por si só, se configura como um momento de grande relevância no panorama político nacional, este ano mais ainda pelas alterações promovidas por Rui Rio, com um modelo que proporcionou uma espécie de regresso às origens da famosa festa do partido, ao invés da prática tida nos últimos anos em forma de comício no calçadão de Quarteira. Os focos mediáticos incidiram principalmente nos cinco minutos que o líder do PSD dedicou à vida interna do partido, mas o seu discurso teve muito mais conteúdo, principalmente se o entroncarmos com aquele que proferiu recentemente na Universidade de Verão do PSD. Rio definiu uma estratégia, a reboque da sua imagem enquanto líder sério e credível, diferente daquilo a que estamos habituados a ver num líder da oposição, nomeadamente na procura de acordos de regime em matérias fundamentais como a descentralização e os fundos europeus. Mas, com a credibilidade que essa postura lhe confere, não deixa de anotar as políticas erradas do governo e ao que estão a conduzir. Como outros líderes do PSD, tem presente que primeiro está o país, depois o partido e por fim a sua condição pessoal, parafraseando Francisco Sá Carneiro. Neste particular, assinalo o seu acertado diagnóstico sobre o crescente endividamento das famílias portuguesas e a sua tónica sempre presente sobre a forma como os serviços públicos se vão degradando e não conseguem dar resposta, fruto das cativações realizadas ao longo da legislatura e sempre apontadas pelo PSD como uma nova austeridade.

Mas, no que se refere a Arouca, a Rentrée fica marcada pela forma como António Costa quis marcar a agenda deste último ano de legislatura. Principalmente quando anunciou, em plenos Passadiços do Paiva, o compromisso de lançar o concurso para o troço de 7 km a ligar Escariz à A32. Não sabemos se esteve em Arouca como Primeiro-Ministro ou enquanto turista, até pela forma como decorreu toda a visita e no período em que essa aconteceu. Mas, a fazer crer nas suas palavras, o que anuncia só reforça a proposta do PSD Arouca sobre a necessária reformulação da estrada que liga o fim da variante a Escariz. Essa, como outras boas propostas, devem ser ouvidas e efetivadas para benefício de todos, arouquenses e quem nos visita! Nesta nova fase do ciclo do PS esperava-se que “velhos hábitos” tivessem sido deixados para trás, de que o referido exemplo da variante é caso gritante. Todos somos poucos!

Texto de Artur Miler

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