OPINIÃO | DE REGRESSO ÀS AULAS

Acabaram-se as férias. Um dos acontecimentos marcantes na agenda das crianças, dos jovens e dos seus pais é o regresso às aulas. As férias passaram a voar. Os meses de Verão e as férias permitem às crianças e jovens um horário mais flexível, logo sem pressa para deitar e para acordar. Quando o despertador volta a tocar, tudo muda. As recordações das férias vão ficando para trás, havendo mais disciplina, cumprimento de horários e compromissos.

É desejável que este séc. seja positivamente marcante na Educação, na Formação e na Cultura – para sermos um país mais justo e mais igualitário. A realidade das escolas mostra-nos que ainda será longo o caminho a percorrer: o insucesso não é, apenas, residual, a percentagem de alunos com “percursos diretos de sucesso”, ou seja, sem retenções ao longo do seu percurso escolar é relativamente baixa; Portugal continua a ter elevadíssimas taxas de abandono e de insucesso escolar; as nossas escolas têm sido lugares privilegiados para a prática de “ bullying” entre os alunos; a primeira infância continua desprovida de rede pública, desempenhando, estes serviços, entidades comparticipadas ou privadas, sendo a taxa de cobertura média das creches na ordem dos 50%, o que significa que não há resposta para metade dos bebés até aos 3 anos; e os professores têm perdido autoridade, e, em muitos dos casos, a família não está a ajudar, protegendo até ao infinito os filhos, em detrimento do estatuto professor. Mas, enquanto a família e a escola não estiverem de “mãos dadas”, não haverá Educação para a cidadania que só é possível se a escola e a família colaborarem. É necessário educar no presente para garantir um futuro harmonioso e civilizado dentro dos princípios democráticos em que todos temos direitos, mas também temos deveres.

A escola não funciona sem professores. E é de grande relevância, o contributo que a escola tem dado à aprendizagem, ao conhecimento, ao saber e à organização dos seus conteúdos. Devemos ter consciência que hoje como nunca, o saber é uma poderosíssima ferramenta, daí que se deve aproveitar ao máximo as aprendizagens que a escola proporciona para desenvolver a inteligência, sedimentar capacidades, criar predisposições e operar mudanças. A Educação é uma área que determina de forma indelével o nosso futuro coletivo, sendo um valioso instrumento para avançar para uma sociedade que constrói o seu progresso baseado na igualdade de oportunidades, igualdade social e num maior desenvolvimento do ser humano. A Educação é um direito inerente a todos os seres humanos, reconhecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos e o local, por excelência, para o seu desenvolvimento é a escola. A Educação do mundo de hoje deve servir a promoção do desenvolvimento das capacidades pessoais e sociais, capazes de dotar o cidadão de autonomia e cidadania responsável de acordo com as oportunidades. Para muitos alunos, a Educação constitui uma oportunidade única para romper com situações económicas e sociais desfavoráveis, para compreenderem melhor o mundo em que vivem e um desafio para que possam intervir crítica e responsavelmente na vida social.

Porque a Educação é de todos e para todos, coletivamente, devemos inquietar-nos pelos jovens que ainda não encontraram o seu lugar na escola, que a abandonaram precocemente, ou que a vivem de forma irregular e ajudá-los a encontrar novas e diferentes respostas e oportunidades, também nos devemos inquietar pelo direito ao brincar das nossas crianças e encarar com tranquilidade o novo ano escolar para que sejam encontrados os caminhos certos para que as crianças e os jovens se qualifiquem, desenvolvam as suas capacidades e tenham motivação para as aprendizagens.

A aprendizagem é um processo de compreensão da realidade e da transformação do mundo.

Texto de Rosa Morais

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