OPINIÃO | NÃO HÁ FESTA COMO ESTA!

A vida são dois dias,

a Festa do Avante três”.

Provérbio recolhido a meio caminho entre o Serpente e o campo do Amora

Inicia-se hoje, na Quinta da Atalaia, Amora, Seixal, a 42ª edição da Festa do Avante, a qual, sendo a maior iniciativa político-cultural realizada em Portugal, é de facto uma iniciativa única no panorama político e no panorama cultural do nosso país.

O seu carácter único começa logo na sua construção. É fruto de horas e horas de trabalho militante de muitos (na linguagem dos modernos acho que se diz voluntariado, mas como não gosto da forma em que o conceito é embrulhado ficamos pelo trabalho militante).

É única no plano político porque não se trata de uma Festa em torno de um comício ou de dois, com uns comes e bebes e uma animação de palco, com melhor ou pior gosto, em que um partido político apresenta a sua leitura e as suas propostas políticas a militantes e conterrâneos.

É uma Festa onde para além de um comício de abertura e de um comício de encerramento decorrem, ao longo dos três dias, em diversos espaços (no Pavilhão Central, no Espaço Internacional, nos Pavilhões Regionais, no Avanteatro, na Feira do Livro, no espaço da Juventude) exposições, documentários, debates sobre diversas temáticas da situação nacional e internacional, em que os visitantes podem participar.

É única no plano cultural porque não é um Festival onde vão tocar as bandas da moda ou, no caso dos Festivais para públicos “alternativos”, as bandas daquela moda alternativa. É uma Festa onde nos inúmeros palcos e espaços, as manifestações culturais (e desportivas) não se esgotam na música. Há um espaço infantil, há jogos tradicionais, há desporto, há ciência, há cinema, há livros, há discos, há teatro, há artes plásticas.

E no plano musical não há só música para o público mais assim ou só música para o público mais assado. Há música e músicos para todos os gostos, para todos os públicos, nos inúmeros palcos da Festa, dos maiores aos mais pequenos.

E há a gastronomia portuguesa nas quase duas dezenas de pavilhões regionais… e muitas conversas com novos e velhos, rústicos e urbanos, camaradas e amigos. É um mundo, é o mundo, a vida, o humano em sociedade, naquilo que o social tem de melhor.

Como sempre se poderá dizer que o escriba é suspeito, e como a melhor prova do pudim é comê-lo, experimentem ou perguntem a quem lá foi.  

P.S. – Na Quinta da Atalaia está garantida a integridade física de todos, não se comem criancinhas nem os mais velhos levam injecção atrás da orelha.

Texto de Francisco Gonçalves

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