OPINIÃO | Património Arqueológico o parente pobre…

Há cerca de um ano atrás foi promovido um debate pelo Centro Arqueológico de Arouca, cujo principal objectivo seria trazer para a ordem do dia o estado do património arqueológico e histórico-cultural em geral, no concelho de Arouca.

Ao longo de décadas vários foram os trabalhos e acções de campo desenvolvidos e que vieram a culminar, entre outras, no ano 2000, na formalização e elaboração da carta arqueológica da Arouca. Esta quantificou 196 locais arqueológicos dispersos pelo concelho (desde momentos megalíticos a povoados proto-históricos, castelos e sepulturas, sítios romanos, mosteiros, vias, inscrições, minas etc…). Volvidos 18 anos pouco foi feito, abandonou-se e deixou-se destruir ou danificar grande parte destes locais, deixou-se para trás e desperdiçou-se recursos humanos, técnicos e financeiros até então afectos.

Entretanto, decorreram vários incêndios que deixaram a descoberto parte deste património arqueológico, um já identificado na carta arqueológica de Arouca, outro que se pode mais facilmente descobrir (pela ausência de mato e árvores).

Em sede própria fiz algumas observações e propostas que entendo pertinentes (estudo preservação/valorização e promoção):

  1. Articular e acautelar com os operadores florestais, os necessários cuidados para que não se destruam os arqueossítios com a abertura de caminhos, remoção e corte das madeiras.

  2. Aproveitar para fazer identificação, sinalização e intervenções no sentido de valorizar e conservar os espaços arqueológicos; para além disso, por exemplo circunscrever o espaço e sensibilizar os proprietários para a importância do património que está nos seus terrenos.

  3. Optimizar recursos, integrar e interligar no projecto “Geonatura-Qualificação, promoção e comunicação do património natural do Arouca Geopark”, o património arqueológico (arqueossítios) com o geológico (geossítios).

  4. Rever e actualizar a Carta Arqueológica com a elaboração de um protocolo de colaboração entre o município as entidades relacionadas com a arqueologia e o sistema científico e tecnológico (universidades), no âmbito da história, arqueologia, museologia e valorização do património cultural do concelho.

  5. Financiar e orientar valores pecuniários para a produção científica onde o território seja o alvo de estudo, nomeadamente na componente histórica, arqueológica, com a criação de recursos pedagógicos e multimédia.

  6. Criar percursos pedestres, por exemplo – Rota do Arda e do Megalitismo, com início/términus em Chave, passando por Coval, Venda da Serra, zona nascente de Aliviada/Caçus/Alagoas/Gestosa/Abelheira/Ver e derivando para o rio Arda até ao Poço Negro e com início/términus em Lázaro de S. Miguel do Mato;

Estou certo que o que se fez no passado por tantos apaixonados, estudiosos, jovens envolvidos na descoberta, não terá sido em vão, até porque o património arqueológico, desde que preservado e valorizado, poderá contribuir para uma oferta de valor acrescentado e valorização do nosso território.

Texto de Vítor Carvalho

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