OPINIÃO | O ENCERRAMENTO DE SERVIÇOS, OS EUCALIPTOS E OS INCÊNDIOS

– Se em vez de Costa e Constança fossem Passos e Cristas teríamos tido as desgraças de 2017?

– Sim.

– Se voltarmos a ter condições climatéricas semelhantes a 2017, qualquer que seja o governo, poderemos ter novas desgraças?

– Sim.

– Porquê?

– Porque o clima mudou e erros de décadas não se corrigem num ápice.

– Mas podem-se corrigir esses erros?

– Sim, com tempo e vontade.

– E há vontade?

– Não.

– Então que fazer?

– Aguardar os favores de Zeus!”

Diálogos do Fatalista

Na última Assembleia Municipal de Arouca, Margarida Belém deu nota da intenção da administração educativa regional encerrar a Escola EB1 de Moldes e o Jardim de Infância de Belece, afirmando a oposição da Câmara Municipal de Arouca. Já no passado assim foi e as escolas lá foram fechando. Agora, talvez o “recato do gabinete”, expressão vinda ao mundo pela boca de Artur Neves, permita adiar a intenção da administração. O problema é que ela existe e demonstra que, afinal, o amor ao interior continua a manifestar-se através de encerramentos: de escolas, de estações dos CTT, de balcões da Caixa Geral de Depósitos.

Pelo que li a Navigator pretende estimular a replantação de eucaliptos em Arouca, com o fito de desenvolver a floresta arouquense. Eu sei que o eucalipto é uma árvore, tal como as austrálias o são. Aliás, as próprias giestas são arbustos e dão-nos as maias, que nos livram do mau-olhado. E, mais do mais, é tudo matéria biológica e o biológico está na moda. O chato é que o fogo, um elemento (também) natural, dá-se muito bem com esta matéria biológica. A pergunta que fica é: a área de eucalipto em Arouca (e a sua localização) necessita de mingar ou não?

A tragédia dos fogos abateu-se sobre a Grécia de uma forma nunca vista. À direita, por cá, ensaiou-se a tese – é culpa do governo, da esquerda, o Estado falhou!, repetindo o que cá tinham dito em 2017. Curiosamente, ninguém se debruçou sobre as políticas florestais gregas nas últimas décadas, que desconheço, nem sobre os efeitos dos sucessivos resgates da troika no aparelho de Estado grego, cuja impacto preciso também me escapa.

Que se diga que o Estado não funcionou ou funcionou mal e é preciso corrigir eu percebo e acompanho, na Grécia e em Portugal. O que eu não entendo é como é que cortando no Estado se consegue uma melhor resposta desse mesmo Estado. E na resposta do Estado, o principal investimento a fazer é no factor trabalho. É isso que a troika não fez, a União Europeia não quer que se faça e o actual Governo, em Portugal, resiste a fazer ou faz às pinguinhas.

Um feliz mês de Agosto!

Texto de Francisco Gonçalves

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