OPINIÃO | O Bom, o Mau e o Vilão

No calendário político nacional, o mês de Julho é marcado pelo debate do Estado da Nação, que se realiza antes dos Deputados e da Assembleia da República entrarem em férias parlamentares. O debate a que tivemos oportunidade de assistir, foi marcado por, digamos, uma espécie de espectro que assombra a geringonça, muito por causa de alguns temas mais polémicos como o acordo de concertação social relativamente à legislação laboral, os problemas inerentes ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o caso relacionado com o congelamento da carreira dos professores ou mesmo, mais recentemente, com o ressurgimento do “caso Tancos”, sendo que muitos deles foram “abafados” pelo mediatismo do Mundial de Futebol que decorreu entre Junho e Julho. Inspirado no título de um extraordinário filme de Sérgio Leone de 1966 (que aconselho a ver) propus-me “catalogar” a atividade política nacional deste último mês tendo por base aquelas três figuras que intitulam a referida película cinematográfica. Deste modo, incidirei sobre o que foi bom, o que foi mau e qual o vilão que emergiu (ou neste caso, voltou à ribalta) na política nacional, numa espécie de balanço antes da época balnear.

O “Bom” provém da área da saúde. Apesar dos constrangimentos e de alguma controvérsia no que toca ao funcionamento e financiamento do nosso SNS, é de saudar o importante acordo alcançado entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Associação Industrial e Comercial do Café. No seguimento da proposta entregue pela DGS ao Governo com recomendações tendo em vista a diminuição do consumo de açúcar, a referida associação confirmou o apoio às iniciativas que visam prevenir a Diabetes tipo 2 através da redução de açúcar distribuído pela associação para cinco gramas por dose individual, estando ainda inerente a colaboração nas mensagens de saúde apostas nas saquetas. É importante este tipo de acordos e parcerias de forma a promover a saúde pública dos portugueses!

No que se refere ao “Mau”, aquilo que mais deixou descontente a grande maioria dos portugueses foi o “chumbo”, na especialidade, da descida do imposto sobre os produtos petrolíferos, isto depois de a 21 de Junho ter sido aprovada na generalidade, numa primeira votação. Ninguém fica indiferente ao pesado encargo que representa para as famílias e empresas portuguesas o abastecimento das suas viaturas. As diferenças deixaram de ser os já habituais cêntimos e passaram a um nível nunca antes visto. Acredito que seria importante o Governo cumprir o que havia prometido aquando da aplicação deste imposto.

Quanto ao “Vilão”, creio que foi por demais evidente o papel deplorável a que se prestou no Parlamento o antigo Ministro Manuel Pinho. Infelizmente, a sua audição é similar a algumas a que assistimos na Comissão de Inquérito ao BES e essas recordações não são as melhores. Sabemos e respeitamos a presunção de inocência do arguido no que ao sistema judicial diz respeito. Mas, politicamente, é reveladora a total falta de esclarecimentos a que deveria estar moralmente “obrigado” a dar aos deputados perante sérias e fundadas dúvidas quanto ao seu comportamento ético e político, no exercício de tão distintas funções como aquelas que desempenhou. Menos abona a favor do sucedido quando lemos o artigo do antigo Primeiro-Ministro José Sócrates na última edição do Expresso.

A todos os leitores, desejos sinceros de umas boas férias e uma especial saudação aos muitos emigrantes que regressam por esta altura.

Texto de Artur Miler

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