OPINIÃO | O sindicalismo

A condição dos trabalhadores no mundo ocidental melhorou bastante nos dois séculos e meio de Revolução Industrial. A classe média não ficou mais pobre a ponto de se revoltar, mas adquiriu direitos, viu os horários de trabalho diminuírem e o seu poder de compra aumentar, comprou automóveis, passou a gozar férias, ganhou proteção na doença e na velhice, entre outros direitos.

Na defesa e conquista de tais direitos, os sindicatos têm um papel crucial. O direito a sindicalizar-se deriva do direito de associação. Isto significa ter o direito de formar associações ou uniões, com a finalidade de defender os interesses vitais dos empregados nas diferentes profissões. É isto um sindicato.

A origem dos sindicatos remonta à Idade Média. Neste período da História, as diferentes profissões estavam organizadas em corporações que definiam as condições de acesso ao ofício. Mas só se pode falar propriamente em sindicatos a partir do século XIX, quando surgiram em Inglaterra as trades unions ou labor unions. Estas uniões, por vezes clandestinas, reuniam assalariados e desempenhavam uma função importantíssima na conquista de direitos, frequentemente através do recurso à greve.

Por volta de 1930 começaram a surgir doutrinas críticas ao liberalismo económico controlado pela burguesia triunfante da Revolução Francesa, tendo-se iniciado, 18 anos depois, uma terceira vaga revolucionária, “a primavera dos Povos”, com a influência das ideias socialistas, onde a vontade coletiva se sobrepõe aos interesses individuais. Os principais objetivos eram denunciar os excessos de exploração capitalista, a erradicação da miséria operária, a procura de uma sociedade mais justa e igualitária.

As ideias socialistas levaram à expansão da Revolução Industrial, com o aparecimento das fábricas, o desenvolvimento do capitalismo industrial e a exploração do operariado: homens, mulheres e crianças trabalhavam e viviam em condições desumanas, recebendo salários miseráveis, que mal davam para as despesas essenciais. ( A história repete-se…)

Estes excessos conduziram ao reforço do associativismo operário e com os sindicatos desenvolveram-se formas de luta mais dura e radicais que estiveram na origem do movimento operário e do sindicalismo, através do qual os trabalhadores oprimidos conseguiram alcançar os seus objetivos.

Depois de muitas greves e manifestações, em 1 de maio de 1890, institui-se um dia de luta pela jornada de 8 horas, em memória de uma grande manifestação celebrada quatro anos antes em Chicago. Desde então essa data é comemorada como o Dia do Trabalhador.

Volvidas décadas, novos desafios se colocam. Os sindicatos devem-se abrir às novas perspetivas que surgem no âmbito laboral. As organizações sindicais são chamadas a responsabilizar-se pelos novos problemas das nossas sociedades, incluindo o consumismo, tal como salientar a distinção de papeis e funções entre sindicato e política, também aqueles que não são sindicalizados e são explorados, normalmente ignorados pela sociedade.

Neste momento os professores estão em luta. Para mim têm razões válidas para o fazer. Foram feitas promessas, para ganhar as eleições, e agora querem esquecer. Assim não pode continuar! Se prometeu tem que cumprir. Há estratégias políticas do governo para desvalorizar, desvirtuar e colocar a sociedade contra os professores. Infelizmente muitos encarregados de educação deixam-se levar afirmando que os professores só têm férias. Caros pais, convido-vos a passar pelas escolas depois das aulas terminarem. Compreenderão que a organização do próximo ano letivo não cai do Céu; e que a escola não é um vazadouro de alunos, ou como dizia um amigo meu, em sentido figurado, naturalmente, “não é uma cerca para guardar gado”! Devia ser um lugar de crescimento integral.

Texto de Carlos Matos

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