OPINIÃO | A Era do Efémero…

Decorridos vários eventos nestes últimos tempos (internacionais, regionais e locais), o desafio que se coloca assenta num processo societal de construção exigente, verdadeiro e sério.

São vários os sinais preocupantes, diria mesmo evidências, no caminho que estamos a traçar que irão hipotecar o futuro das novas gerações. São trilhos incertos e inquietantes quando nos colocamos a pensar, senão vejamos:

A manipulação do acto eleitoral nos EUA, cujo resultado foi a eleição do Presidente Donald Trump (com aparente e plena legitimidade democrática) e o seu desempenho assente na negação do que é inegável e na construção de políticas que incentivam a um mundo mais individualista, construtor de ódio e insegurança, onde predominam os muros e um único pensamento (eu hoje), amanhã logo se vê.

Uma Europa, que continua subjugada a este Sr. ou a políticas da Alemanha ou Inglaterra (mesmo depois do Brexit), ou a defender políticas “mais papistas que o papa”, inexequíveis e quase sempre assente nos grandes interesses económicos.

Um Festival da Eurovisão, em que como alertava Salvador Sobral, proceda a uma mudança de paradigma, e abdique da “música descartável, da música fast food sem qualquer conteúdo”. Pelos vistos voltamos ao mesmo, com uma canção vencedora que de composição musical pouco ou nada tem, apenas uns sons irritadiços e “cacarejantes”.

Um país onde existem mais de dezena e meia de impostos ou taxas e que, para além de ter uma das maiores cargas fiscais, torna propositadamente ou por incompetência, a vida dos contribuintes um pesadelo e uma confusão.

Um país que abandonou a floresta e que ao longo de décadas pouco ou nada fez (pois legislação tinha muita) e que agora de forma pouco estruturada e quase obsessiva, aplica leis no espaço e no tempo impossíveis de cumprir, prejudicando sempre o elo mais fraco.

Ou localmente, a proposição e concretização de algumas ações/opções, pouco consistentes e muitas vezes contraditórias e imediatistas em detrimento de investimentos estruturantes e que colmatem as necessidades básicas e tragam qualidade de vida aos residentes.

Ações propagandistas no sentido de obter “galardões”, não pela sua sustentabilidade, mas pela utilização dos nossos jovens e crianças, recorrendo a métodos de implantologia de uma “realidade virtual” que começa a ser preocupante.

De uma ilusória luta pelo ambiente, onde são várias as prevaricações das entidades que deveriam servir de exemplo. Onde a luta e o esforço de muitos para terem os rios mais limpos da Europa, agora se esvazia, ou se desvaloriza, no facto de não termos nenhum galardão (bandeira azul) atribuído às nossas praias fluviais.

Indignemo-nos, apetece dizer!… Precisamos de cidadãos (doadores de memória), que contrariem o vazio a que alude Gilles Lipovetsky. Uma sociedade que não seja “indiferente aos conteúdos, à comunicação sem finalidade e sem público, ao desejo de se expressar, de se manifestar a respeito de nada. Comunicar por comunicar, expressar-se sem qualquer outra finalidade a não ser expressar-se e ser ouvido por um micro-público”.

Precisamos de uma nova atitude: uma democracia sã, activa e participativa; um relacionamento sem manipulações; uma postura menos egocêntrica e egoísta. Necessitamos formar crianças, jovens e pais livres, com capacidade critica e construtiva.

Texto de Vítor Carvalho

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