OPINIÃO | Política Internacional

A diplomacia portuguesa tem sido bastante elogiada, com provas dadas no que concerne à ascensão de alguns dos nossos compatriotas a cargos de elevada notoriedade e relevância, sendo exemplos a recente eleição de Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo, a eleição de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia e a relevante eleição de António Guterres para Secretário-geral das Nações Unidas, só para citar alguns dos exemplos mais recentes e de maior nomeada. A prova de que Portugal ocupa de facto uma posição central, não apenas no vulgo planisfério, mas efetivamente no plano internacional, tem-se manifestado através dessa característica bem portuguesa de manter um equilíbrio entre as várias sensibilidades reinantes, seguindo uma tradição que nos faz recordar as epopeias portuguesas que remontam ao tempo dos descobrimentos e do papel do nosso país no mundo. Essa mesma história que nos relata os vários posicionamentos que fomos tendo, as várias alianças que fomos construindo e, ainda, de que forma agimos perante as diferentes conjunturas com que nos fomos deparando.

Os recentes desenvolvimentos no panorama político europeu com o Brexit, pela maior expressão em muitos países de movimentos antieuropeístas próximos de alcançar o poder, passando pelo conflito no Médio Oriente, o sempre imprevisível presidente norte-americano e a recente reeleição de Vladimir Putin na Rússia, são ingredientes suficientes para olharmos com prudência e cautela para os diversos players da política internacional, deixando claro, como bem expressou o nosso Presidente da República, que somos fiéis à União Europeia e à NATO. E, como também referiu Marcelo Rebelo de Sousa nas comemorações do 25 de Abril no Parlamento, “um político, por muito popular que seja, não deve ser endeusado, porque não existem salvadores da pátria”, numa mensagem clara contra o populismo e principalmente contra alguma demagogia que possa ser propagada. É disso exemplo a vinda de Varoufakis a Portugal, o seu desfile pela Avenida da Liberdade e a sua entrevista, que evidenciam a tentação para o aproveitamento da atual situação política em Portugal, que foi suportada em grande parte pelos sacrifícios dos portugueses e pelo trabalho realizado pela governação desde a chegada da Troika, contrastando com uma Grécia que ainda hoje vive com dificuldades, muito por culpa de não ter aplicado as medidas necessárias que na altura se impunham. Medidas mais tarde impostas e que resultaram no afastamento deste político pelo Governo que aqueles que com ele desfilavam pela avenida tanto apoiaram.

Creio que mais relevante e maior e melhor atenção deve ser dada ao recente anúncio da presença de Barack Obama aqui bem perto, na cidade do Porto, estando presente numa conferência sobre alterações climáticas, tema sempre pertinente e que carece da preocupação de toda uma sociedade principalmente na melhor qualidade de vida das próximas gerações.

Mas, sobre política internacional, um facto histórico que deve ser realçado é o acordo entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul recentemente alcançado. Com a prometida cimeira entre Donald Trump e Kim Jong Un, alicerçado no fim do programa nuclear da Coreia do Norte e a perspetiva de um novo acordo com o Irão que resultou da recente visita de Emmanuel Macron aos Estados Unidos, são sinais positivos para contrastar com o sempre problemático e verdadeiramente preocupante conflito na Síria e a tensão resultante das relações entre o mundo ocidental e a Rússia. São factos que exultam a importância que a diplomacia internacional deve exercer para mediar conflitos, sendo fundamental que se reforce o papel das Nações Unidas nestes e noutros dossiers.

Texto de Artur Miler 

Be the first to comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.


*