Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, está sobre fogo das associações juvenis locais

“A participação jovem não se decreta por lei”

 

Associações Juvenis do distrito de Aveiro estão unidas na luta contra a proposta de alteração à Lei do Associativismo que, consideram, vem penalizar todo o empenho e dedicação dos jovens às suas comunidades, criando uma indignação generalizada e apelando à intervenção dos deputados do distrito e à mobilização de todos.

Deixemo-nos de demagogia!

Limitar a idade dos presidentes de Associações Juvenis é pura demagogia à qual o Governo da República sucumbiu.

A participação jovem não se decreta por lei”, é assim que Tiago Rego, Presidente da FNAJ – Federação Nacional das Associações Juvenis, inicia o seu comunicado à imprensa perante a aprovação da nova do Lei do Associativismo em Conselho de Ministros.

As associações juvenis do Distrito de Aveiro, filiadas da FNAJ e membros ativos das suas comunidades e regiões, demonstram o seu total desagrado perante uma proposta que consideram injusta e reveladora de um enorme desconhecimento, por parte da classe política, sobre aquilo que é o movimento associativo jovem, sobre o seu trabalho, os seus valores e a sua forma de atuação e impacto da ação. Esta nova lei apenas se propõe criar dificuldades às associações, desvalorizando o trabalho voluntário que tantas e tantos jovens diariamente desenvolvem, mascarando-se da ideia ilusória de que pretende aumentar a participação jovem apenas com a força de uma lei que não corresponde aos interesses e às necessidades das associações, referem as associações do distrito.

Celebramos há poucos dias o Dia do Associativismo Jovem, a 30 de abril. Este dia vem, desde 2002, reforçar e lembrar o empenho de um Estado que, pós-revolução de Abril, garantiu o direito à associação e à criação, neste mesmo dia em 1974, de um organismo de apoio à participação dos jovens (atual IPDJ, antigo FAOJ).

Surge, assim, o movimento associativo juvenil, no qual, grupos de pessoas com um objetivo comum se juntam para fazerem aquilo que sozinhas não conseguiriam fazer. É este coletivo de organizações juvenis, capaz de ao longo dos anos se reinventar e adaptar às necessidades, objetivos e interesses que contraria todos os dias o individualismo tecnológico, que leva a que muitos jovens se refugiem ou isolem, e promove a união, a partilha e a cooperação. A sua enorme dimensão social alcança a integração daqueles jovens invisíveis ao Estado (hoje denominados por NEET, jovens que não estudam, não trabalham e não estão em formação), diferenciando-o de movimentos exclusivos e de elite.

Mas o Dia é também das associações de estudantes e das juventudes partidárias, que apesar de partilharem com o associativismo juvenil o envolvimento de jovens, pouco mais se assemelham a este movimento apartidário, não religioso e sem fins lucrativos.

Por mais que o dia seja de todos, entende-los como iguais é o sinónimo de uma ignorância extrema e incapacidade de concluir o óbvio que nem sempre está ao alcance de quem não experimenta o associativismo juvenil ou de quem tem um fogaz encontro “toca e foge” com a Juventude e as suas organizações, como é comum os políticos fazerem. Para além de uma visita que prestigia as associações juvenis, urge aos políticos perceber a diversidade, as dificuldades e as necessidades deste movimento, evitando agendas partidárias cegas.

Este movimento genuíno, livre e espontâneo é o reflexo da sociedade e, como tal, não é perfeito, mas por entre defeitos e virtudes, vêm ao decima as boas práticas e os bons exemplos que inspiram e contagiam mais de 500 000 jovens e comunidades inteiras a envolverem-se com esta força motriz agregadora de gerações, de um país que insiste em criar infantários e “velhários”, num sectarismo perigoso e inconsciente.

Após o Dia do Associativismo Jovem, e perante uma alteração da Lei do Associativismo Jovem que ataca violentamente o movimento associativo juvenil, é tempo de lembrar que não se decreta por lei a participação jovem. Para alterar uma lei, que é uma celebre desconhecida de muitos jovens, basta apenas um punhado de políticos, pois a Juventude, essa, deve ser consciencializada para as oportunidades que as associações juvenis encerram, como espaços de criatividade e experimentalismo. Tal deveria ter sido feito no terreno, no passa palavra e na partilha de testemunhos entre pares.

Basta de demagogia sobre a participação jovem, basta de bonitas palavras escritas e ditas, urgem ações e, para tal, as associações são exímias.

Para o empoderamento da Juventude as associações realizam formações certificadas que auxiliam os jovens na gestão das suas organizações e para estimular nos jovens o gosto pela intervenção cívica e fomentar os valores e competências adquiridas na atividade associativa, estas organizações reagem com uma campanha nacional que visa promover o associativismo juvenil como escola de cidadania e voluntariado, recorrendo, para tal, à Educação Não Formal como ferramenta de estímulo à participação dos jovens.

Menos de palavras vãs e de políticas avulsas e mais ações.

Para espanto de todos os milhares de dirigentes associativos, surge um ou outro pregão e um ou outro sofista que, balizados pela sua única e exclusiva visão, afirmam ideias irrealistas e, do seu pedestal, nenhuma ação fazem para capacitar, empoderar e promover a participação jovem.

Basta que estruturas ocas sequestrem a palavra dos jovens e das suas organizações.

Um coletivo é o associativo juvenil, um movimento vibrante e enérgico que eclode numa planície rural ou num bairro de uma cidade sempre que um grupo de jovens almeja ver os seus sonhos serem projetos em prol da sua comunidade. Solidariedade, inclusão e voluntariado são pilares deste movimento cívico que transmite valores democráticos à Juventude.

A maioria jovem (que é o que define o conceito de associação juvenil), que representa sempre mais de 75% dos sócios da associação, escolhe livremente o porta voz de um órgão colegial, no qual a decisão do coletivo é sempre a que prevalece. Venha Abril todos anos lembrar-nos que por mais subterfúgios e perspetivas, democracia é hoje e sempre o sinónimo de liberdade de escolha daqueles que queremos ver nossos representantes.

É insano que um jovem diga que outro jovem não sabe, não é capaz e não pode decidir em quem quer votar para líder da sua associação. Passar um atestado de incapacidade aos mais de 500 000 mil jovens que participam nas associações juvenis é vil e imoral.

A todos os representantes da Juventude portuguesa e Governantes exige-se dignidade e respeito no uso das palavras quando se referem às associações juvenis e a mínima noção da vida real destas organizações e das dificuldades por que passam para “sem ovos fazerem omeletes” e manter motivadas as suas equipas voluntárias em benefício da sociedade.

Vozes soltas e isoladas não podem nunca ser tomadas como a voz de um coletivo de mais de 1000 associações juvenis geradoras de igualdade de oportunidades para a juventude portuguesa. Os radicalismos teóricos jamais se devem sobrepor à realidade de Portugal de norte a sul, do interior ao litoral, e aos milhares de dirigentes associativos que, de uma forma altruísta e voluntária, se envolvem nesta rede de partilha de saberes e valores que faz deste movimento uma verdadeira escola de cidadania.

Continuar a ouvir dos nossos governantes discursos de valorização do interior do país e encetar políticas castradoras da almejada coesão territorial, criando dificuldades ao trabalho das associações juvenis destas regiões, que muitas vezes são os únicos espaços nos quais os jovens podem contactar com a cultura, o desporto, a ação social, o voluntariado ou mesmo a cidadania, é perpetuar um país a duas velocidades tão desiguais que, ano após ano, tem consequências cada vez mais mortíferas.

Acabe-se com o populismo e tentativas de toldar o pensamento alheio!

Nunca é demais lembrar que o movimento associativo juvenil é um multiplicador das políticas públicas de Juventude e, em muitos casos, suprime até necessidades em comunidades já há muito esquecidas pelo Estado. O crescimento local, regional e nacional deste movimento livre é hoje um problema para alpinistas políticos que querem apenas ter protagonismo à custa de um movimento que vive de gentes e organizações que lutam hoje e sempre pela igualdade de oportunidades para a Juventude portuguesa. Isto sim é fazer Portugal melhor.

O Dia do Associativismo Jovem é o momento para reconhecermos, sermos gratos e celebrarmos os que sonham e ambicionam um mundo melhor, os agentes da mudança que não se resignam, os irreverentes que ousam ir mais longe, é o dia para os governantes e a sociedade civil dizerem obrigado a todas e todos os dirigentes associativos portugueses.

O movimento associativo está a ser vilmente atacado. Os jovens, que estariam a construir uma relação de confiança com a classe política, foram atraiçoados, estão desiludidos e perderam a confiança nos políticos.

Deixem-se de demagogias! Respeitem a juventude portuguesa e o movimento associativo juvenil!

A participação jovem não se decreta por lei!”

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